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Nasi lança primeira música de seu novo álbum feito com inteligência artificial

'Corpo Fechado' ganhou uma abordagem orientada ao samba; cantor do Ira! diz que IA foi utilizada para retrabalhar material já existente

23 jan 2026 - 18h01
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Nasi, vocalista do Ira!, lançou a música "Corpo Fechado", primeiro single e videoclipe de do álbum solo nAsI Artificial Intelligence. No disco, o cantor utiliza inteligência artificial para retrabalhar músicas de seu repertório.

O vocalista Nasi
O vocalista Nasi
Foto: divulgação / Rolling Stone Brasil

Lançada originalmente em 2006, no álbum Onde os Anjos Não Ousam Pisar, "Corpo Fechado" remetia aos clássicos da gravadora Stax. Agora, ganha uma nova roupagem e se transforma em um samba da Velha Guarda, ao estilo Noriel Vilela, inspirado em grandes bambas do Partido Alto.

Confira abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=BV7URX1SZKc

Não é correto dizer que as versões de nAsI - Artificial Intelligence foram criadas por IA, porque elas já existiam. No entanto, o artista admite que colocou softwares para desenvolver versões diferentes a partir de material prévio gravado pelo próprio artista anteriormente.

Ao revelar seu novo projeto em entrevista a Julio Maria, do jornal Folha de S. Paulo, Nasi é sincero ao já prever controvérsia:

"Alguns vão jogar pedras, mas não estou nem aí."

Seis músicas já estão prontas, dentre elas versões para "Corpo Fechado", "Feitiço na Rua 23", "Ogum" e "Alma Noturna". Todas foram lançadas por Nasi em algum momento de sua carreira.

Nasi e a inteligência artificial

Questionado se usar IA para criar um disco não seria atuar em detrimento da arte e do próprio ganha pão dos músicos, Nasi argumenta:

"Não sou contra o pagamento de direitos e estou pronto para fazer isso se alguém reclamar, mas o que a IA está fazendo é o que sempre fizemos quando dizíamos: 'Vamos compor um rock tipo Led Zeppelin? Vamos fazer um blues tipo Chicago?' O Ira! está cheio de referências do The Who. Você acha que eles pensaram em nos processar por isso?"

Gravações reais

As únicas gravações reais do álbum foram feitas pela cantora e guitarrista Nanda Moura e pelo baixista do Ira!, Johnny Boy, na guitarra, além de dois instrumentistas que tocaram violoncelo e trompete.

Nasi diz que é possível perceber a diferença, pois em alguns momentos as partes de IA soam "perfeitas demais". Ele admite que existe o risco de "desumanizar a canção e torná-la robótica". No entanto, se mostra satisfeito com o resultado e afirma:

"O ideal seria a mistura entre IA, arranjadores e músicos, todos trabalhando juntos."

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