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Não existe Ariana Grande como a Ariana Grande irritada. O novo álbum dela prova isso

A raiva está por toda parte no oitavo LP da superstar pop, 'Petal' — e combina com ela

31 jul 2026 - 09h25
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Ariana Grande está sempre no seu melhor quando está de mau humor e, em Petal, ela não está segurando nada. "Um pouco selvagem", ela chama este álbum, explicando: "Eu escrevi de um lugar do qual normalmente não escrevo, que era uma raiva sem filtro". E não é exagero. A faixa pop mais grudenta daqui, "Oh Well", é aquela em que ela canta "boa sorte no seu caminho pro inferno", antes de soltar o golpe final: "não se preocupa, porque você vai continuar recebendo músicas de término sobre você".

Ariana Grande comparece à 83ª edição do Golden Globe Awards anual, em janeiro de 2026 (Foto de Axelle/Bauer
Ariana Grande comparece à 83ª edição do Golden Globe Awards anual, em janeiro de 2026 (Foto de Axelle/Bauer
Foto: Griffin/FilmMagic) / Rolling Stone Brasil

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Essa raiva está por todo Petal. E musicalmente isso cai como uma luva, porque Ariana está sempre no auge — mais ela mesma — quando manda sem pensar duas vezes, falando o que quer no modo "tô nem aí". Até a capa do álbum faz parte da declaração: cabelo solto, sem prender — Ariana abandonando o rabo de cavalo é tão icônico quanto George Michael incendiando sua jaqueta de couro. Para alguns de nós, não existe Ariana como Ariana Grande irritada.

O primeiro gostinho de Petal foi "Hate That I Made You Love Me", que chegou ao primeiro lugar, embora na verdade acabe sendo uma das faixas menos marcantes daqui. Ela funciona como um aviso temático sobre o estado de espírito em que Ari anda, zombando: "Você estudou minha coroa e pegou meu corpo emprestado". Mas o papo duro dela mira mais a cultura do que qualquer ex-amigo ou ex-amante. "Por que vocês odeiam tanto ver mulheres resistindo?", ela exige. "É mesmo culpa minha que vocês tenham dado seus corações por vontade própria?".

Ariana despeja sua fúria contra o moinho de rumores dos tabloides, que tem falado dela sem parar ultimamente. Mas ela sempre teve talento para usar polêmica como combustível para a arte. Isso aparece em todo o álbum, quando ela rosna linhas como "Vadia, eu tô praticamente me afogando nas minhas bênçãos" ("Petal") ou "Toda essa falação me mantém bem alimentada" ("Like I Do"). Ela prospera nessas energias ruins.

No grande retorno em 2024, ela lançou Eternal Sunshine, um ciclo de canções complexo e magistral. Mas, assim que o disco saiu, ela pareceu recuar do estrelato pop, quase como se tivesse se assustado com o quão fundo ela foi naquelas músicas. Em vez de promover, dar entrevistas e afins, ela mergulhou na era do blockbuster hollywoodiano com os filmes de Wicked. Quase dava a sensação de que ela se sentia mais segura em Oz do que encarando o coração partido de Eternal Sunshine.

Na época de Eternal Sunshine, ela estava nas manchetes pelo relacionamento com o colega de elenco Ethan Slater, que inspirou o deliciosamente maldoso single "Yes And?", o primeiro hit número 1 da história a perguntar "Por que você se importa tanto com em qual pau eu sento?". Em Petal, ela tem contas parecidas para acertar, depois de ser arrastada de novo para as colunas de fofoca. Primeiro veio a separação discreta de Slater, depois o romance aparentemente reacendido com seu ex-bailarino Ricky Alvarez — um daqueles ex "sou tão grata" de quem ela já se despediu em "Thank U Next", lá em 2018, quando cantou: "Escrevi umas músicas sobre o Ricky/Agora eu ouço e dou risada". Na atual turnê de Eternal Sunshine, ela vem mudando a segunda linha para "E ainda bate muito", ou "Eu sei que ele ainda tá do meu lado", ou "A gente sempre encontra o caminho de volta".

Isso sim é um movimento de poder. Afinal, ela tem razão — "Thank U Next" ainda bate muito, e as músicas mais raivosas daqui também. "Oh Well" corre por cima de recortes de bateria e baixo e ondulações de synth eurodisco, enquanto Ariana tenta se livrar de hábitos disfuncionais e pessoas tóxicas, declarando: "Meus becos sem saída estão reunidos, vestidos de amigos". Mas ela está fazendo mudanças grandes, jurando: "Os vilões podem ir pro inferno".

As músicas de Petal são, em sua maioria, um eletro-chill de meio-tempo sombrio, mais carregado e introspectivo do que explosivo. Ela coescreveu e coproduziu o álbum inteiro com Ilya Salmanzadeh, o produtor sueco que está com ela desde "Problem", há mais de uma década, com Max Martin também colaborando em três faixas. A produção mais esperta é "Freak", com um zumbido de synth-pop low-tech oitentista (bem Yaz na época de Upstairs at Eric's), estalos digitais de dedos e as harmonias intrincadas e sobrepostas dela.

Na faixa fantástica, Ariana pondera as ironias de viver sob os holofotes, transformando suas agonias românticas privadas em hits. "Eles dizem que o artista precisa de lágrimas pra escrever mais", ela canta, quase uma década depois de nos dar "No Tears Left to Cry". Às vezes ela se pergunta se o coração partido que sofre vale a música que tira disso. Ela imagina um público cínico zombando que não importa — "desde que ela receba sua ovação toda noite".

Mas "Petal" acerta em cheio porque ela encara o próprio dilema — ela anseia pelas músicas tanto quanto anseia pelo romance em si, e está sempre nisso para criar mais canções. "Todas as minhas histórias favoritas terminam em algum tipo de catástrofe", ela canta. "Mas eu não preciso de alguém pra me salvar/Porque essa música e eu nunca vamos morrer".

"Warning Signs (Interlude)" é como a versão dela de "Silver Springs" de Stevie Nicks, enquanto ela imagina o ex sendo assombrado pelo som da voz dela saindo das janelas de um táxi passando. "Minha dor é música pra você", ela canta com uma ironia provocativa na voz. "Você não me merece/Você sabe que não, nunca mereceu/Mas eu quero que você me sinta". Em "Kiss Me", ela cita Dr. Hunter S. Thompson ("Compre o ingresso, faça a viagem") ao se jogar de cabeça num novo desejo obsessivo, implorando: "Me beija como se você soubesse que isso é adeus/Me segura como se minha vida dependesse disso".

Ela passa o trecho final de Petal cantando sobre o renascimento de recomeçar em um relacionamento mais forte, com canções de amor positivas como "Nowhere, Nobody" ou "Never Get Over Me", em que canta: "A grama é muito mais verde/Desde que eu estive por baixo de você". "Big Feelings" é saturada de R&B noventista, enquanto ela sussurra: "Você pode culpar as estrelas ou culpar seu signo/O sexo vai fazer um homem adulto chorar". Esse romance é espiritualmente excêntrico ("Eu posso ficar tão aquática"), mas ao mesmo tempo leve e arejado, com linhas como "Garoto, você deve ter me merecido historicamente" e "Garoto, eu te amo terapeuticamente".

Tanto Eternal Sunshine quanto a versão expandida Brighter Days Ahead eram obras ornadas e meticulosamente construídas, mas a graça de Petal é que ele é bem mais solto e espontâneo. Ela atira do quadril, musical e emocionalmente. "Definitivamente vem de um lugar que talvez eu tenha sido tímida ou educada demais para acessar antes", Grande disse. "Isso aqui meio que parece 'foda-se'". (Tá bom, Ariana — nada diz "tímida" e "educada" como a diva pop maior que a vida que deu ao mundo "Break Up With Your Girlfriend, I'm Bored".) Mas essa atitude "foda-se" aparece alta e clara em Petal — e é exatamente ela que traz Ariana Grande no seu melhor.

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