Morre Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, aos 59 anos
Especialista em aviação, com mais de 37 anos de carreira, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob em agosto e se tornou o primeiro paciente do mundo a receber um medicamento experimental contra a condição
Morreu aos 59 anos o especialista em aviação Lito Sousa, criador do canal Aviões e Músicas, vítima da doença neurodegenerativa rara Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Com mais de 30 anos de carreira no setor aéreo, ele popularizou a aviação na internet e fundou a Lito Academy. Diagnosticado com a enfermidade fatal e sem cura, Lito chegou a ser o primeiro humano a receber um tratamento experimental autorizado pela Anvisa, mas a doença avançou rapidamente. Ele faleceu em casa, sob cuidados paliativos.
Joselito Geraldo de Sousa, conhecido como Lito Sousa, morreu nesta quinta, 1, em São Paulo, aos 59 anos. Ele foi vítima da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara e sem cura, diagnosticada em agosto de 2026. Criador do canal Aviões e Músicas, que chegou a ultrapassar 3,7 milhões de inscritos no YouTube, Lito estava em casa, sob cuidados paliativos, quando morreu. A esposa, Mila Seidl, confirmou a morte nas redes sociais: "Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre". Lito deixa Mila e o filho do casal, Malone, de sete anos.
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Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, em 25 de janeiro de 1967, Lito ingressou na aviação aos 14 anos, por meio de um curso técnico da Força Aérea Brasileira (FAB). Ao longo de mais de três décadas, trabalhou como mecânico de aeronaves e supervisor de segurança de voo na Varig, na Transbrasil e na United Airlines, onde se aposentou como chefe internacional de manutenção. Certificou-se no exterior em Fatores Humanos, disciplina que estuda como as decisões e limitações humanas afetam a segurança de voo, e se tornou uma das principais referências no tema no Brasil. Em 2021, também obteve habilitação como piloto privado, quatro décadas depois de entrar pela primeira vez em um hangar.
Criado em 2010, o canal Aviões e Músicas levou esse universo técnico ao grande público. A fórmula era precisa: traduzir relatórios de acidentes, gravações de caixas-pretas e procedimentos de manutenção para quem nunca havia entrado em uma cabine. Entre 2011 e 2021, a audiência de Lito cresceu a ponto de superar a da empresa em que trabalhava. Foi então que ele decidiu deixar o emprego para se dedicar integralmente à produção de conteúdo. Também criou a Lito Academy, escola que forma mecânicos, pilotos, comissários e engenheiros, além de um programa dedicado a pessoas com medo de voar, iniciativa pela qual afirmava ter ajudado mais de cinco mil pessoas. Lito também assinou o livro Onde Morrem os Aviões.
Os primeiros sinais da doença surgiram durante uma viagem aos Estados Unidos, quando Lito sentiu dormência no braço esquerdo. Ele antecipou o retorno ao Brasil e foi internado. A suspeita inicial era de encefalite autoimune, mas, após semanas de investigação no Hospital Israelita Albert Einstein, o diagnóstico de DCJ foi confirmado. A doença pertence ao grupo das enfermidades priônicas: uma proteína chamada príon assume uma forma anormal, desencadeia uma reação em cadeia no cérebro e provoca a morte progressiva dos neurônios. O tecido cerebral passa a apresentar pequenos vazios, adquirindo uma aparência esponjosa. A doença avança em meses, não em anos. Cerca de 90% dos pacientes morrem em até um ano após o diagnóstico. Não há medicamento aprovado em nenhum país.
O caso de Lito se destacou pela mobilização que se seguiu ao diagnóstico. Em busca de alternativas experimentais, a família conseguiu autorização excepcional da Anvisa para importar a substância ALN-6457, desenvolvida para atuar sobre a produção da proteína priônica e testada, até então, apenas em animais. O medicamento chegou ao Brasil em 11 de setembro, e Lito se tornou o primeiro ser humano a recebê-lo. A mobilização também chegou ao governo federal: Mila pediu a intervenção do Itamaraty para tentar acelerar o acesso a pesquisas experimentais nos Estados Unidos e na Europa. O tratamento, no entanto, não conseguiu reverter a progressão da doença.
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