Mike Browning, um dos arquitetos do death metal americano, morre aos 62 anos
Baterista e vocalista que cofundou o Morbid Angel em 1983 e criou o Nocturnus em 1987 seguia ativo até os últimos meses de vida; causa da morte não foi divulgada
O death metal perdeu um de seus pioneiros. Mike Browning, baterista, vocalista e um dos nomes por trás da formação do Morbid Angel e do Nocturnus, morreu aos 62 anos. A morte foi confirmada pela gravadora Profound Lore Records e pelo próprio Morbid Angel, que publicou uma homenagem nas redes sociais. "Descanse em paz, Mike. Obrigado por ajudar a tornar tudo isso possível. Nossas condolências à família, especialmente à sua filha", escreveu a banda. A causa e a data exata do falecimento não foram divulgadas.
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Nascido em 26 de maio de 1964, em Tampa, na Flórida, Browning começou a tocar bateria aos 13 anos, inspirado por discos de Black Sabbath e Led Zeppelin. Nos anos seguintes, absorveu a agressividade de bandas como Slayer, Angel Witch e Mercyful Fate, síntese que o aproximou do guitarrista Trey Azagthoth. Em 1983, os dois fundaram o Morbid Angel em Tampa, cidade que se tornaria o epicentro de uma das cenas de death metal mais influentes do mundo. Nos primeiros shows, Browning acumulava as funções de baterista e vocalista; riffs sombrios, blast beats e uma energia de palco intensa ajudaram a delinear os contornos do gênero.
A passagem de Browning pelo Morbid Angel terminou de forma abrupta. Em 1986, após desentendimentos com Azagthoth, ele foi demitido antes que o primeiro álbum gravado, Abominations of Desolation (1991), chegasse ao público. O disco — no qual Browning tocou bateria e assinou os vocais — ficou engavetado por anos e só foi lançado como demo em 1991, quando ele já havia seguido em frente.
Depois de uma breve passagem pela banda de Tampa Incubus (sem relação com o grupo de rock alternativo dos anos 1990), Browning fundou o Nocturnus em 1987. A proposta era ousada para a época: combinar o peso do death metal com estética, temas e sonoridades de ficção científica, incorporando sintetizadores e elementos progressivos quase inexistentes no gênero. The Key (1990), álbum de estreia do grupo, virou referência do death metal progressivo e segue sendo apontado por críticos e músicos como uma das obras fundamentais do estilo. Browning foi demitido novamente em 1992, após o lançamento de Thresholds, o segundo disco da banda.
A história de Browning com o Nocturnus, no entanto, não terminou aí. Em 2013, ele reformulou o projeto sob o nome Nocturnus AD, com nova formação, e manteve-se em atividade até os últimos meses de vida, lançando Paradox (2019) e Unicursal (2024) e participando de projetos paralelos ao lado da cantora Lisa Lombardo, como After Death, Devine Essence e Wolf and Hawk. A repercussão da morte gerou homenagens de nomes do metal internacional: o baterista Dirk Verbeuren, do Megadeth, o descreveu como "uma lenda musical e uma das pessoas mais gentis" que conheceu. Michael Amott, do Arch Enemy e do Carnage, e Alex Bouks, do Immolation, também prestaram tributo ao músico que, mesmo deixando suas próprias bandas duas vezes em condições conturbadas, deixou uma marca permanente no som que ajudou a criar.
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