Paul McCartney: o motivo por trás da recusa em tocar músicas dos Beatles com o Wings até 1975
Lendário músico britânico revelou as razões para evitar músicas dos 'Fab Four' nos primeiros anos do Wings e a mudança de perspectiva com o sucesso de sua nova banda
Após o fim dos Beatles, Paul McCartney evitou tocar músicas do quarteto com o Wings até 1975 para consolidar a identidade da nova banda e evitar comparações críticas. Apesar da pressão dos fãs, ele manteve essa postura nos primeiros anos. A estratégia só mudou após o sucesso de álbuns como Band on the Run; com repertório e relevância próprios garantidos, McCartney sentiu-se finalmente seguro para resgatar os clássicos dos Beatles ao vivo, atendendo às expectativas de seu público.
A transição da carreira solo de Paul McCartney após o fim dos Beatles foi marcada por uma estratégia incomum: a recusa em tocar músicas de sua antiga banda nas primeiras turnês com o Wings.
Essa decisão, que gerou desafios significativos, foi impulsionada por uma série de fatores, incluindo a necessidade de estabelecer a identidade do Wings e a pressão de comparação com o legado dos Beatles.
Em uma fala resgatada pela revista Far Out Magazine, o músico expressou sua preocupação com a recepção da crítica:
"O que eu mais não queria enfrentar era o tormento de cinco fileiras de jornalistas com seus bloquinhos de anotações, todos olhando e dizendo: 'Ah, ele não é tão bom quanto era'"
Essa apreensão o levou a optar por uma turnê universitária, descrita por ele como "menos importante" e, consequentemente, menos estressante.
A fase final das turnês dos Beatles foi um período de crescente insatisfação para os membros da banda. Paul McCartney, inicialmente resistente à ideia de parar de tocar ao vivo, acabou concordando com a exaustão de George e John após uma turnê que ele próprio detestou. Ringo Starr também lamentou que, em 1966, "a estrada estava ficando muito entediante e também estava chegando ao fim para mim.
Diversos fatores contribuíram para o descontentamento dos Beatles com as apresentações ao vivo. A tecnologia da época não acompanhava o fervor dos fãs, resultando em sistemas de som inadequados que impediam os músicos de se ouvirem no palco. Além disso, as turnês foram marcadas por controvérsias, como os comentários de John Lennon sobre a banda ser "maior que Jesus", gerando protestos e tensões.
O fim das turnês dos Beatles significou que os primeiros shows de cada membro em seus projetos solo seriam os primeiros em anos, adicionando uma camada extra de pressão. Paul McCartney, ao formar o Wings, via a nova banda como um "rito de passagem", buscando provar seu valor independentemente de sua história com os Beatles.
A decisão de não tocar clássicos dos Beatles foi difícil, segundo McCartney:
"Decidimos não tocar nenhuma música dos Beatles, o que foi um desastre, claro, porque significava que tínhamos que tocar uma hora de outras músicas, e não tínhamos isso na época"
Ele sentia que o público desejava as músicas antigas, o que o deixava "bem nervoso". Mesmo assim, a turnê de 1972-73 do Wings manteve essa postura.
A estratégia mudou em 1975, quando o Wings embarcou em uma turnê mundial em locais maiores. McCartney explicou que a fase inicial visava "estabelecer os Wings e criar algo que não fosse como uma banda tributo aos Beatles". Com o sucesso de álbuns como Band on the Run e vários hits, a banda sentiu-se mais segura.
"Depois que tivemos alguns sucessos com o Wings - e Band on the Run foi um álbum de grande sucesso - tínhamos alguns desses sucessos em nosso repertório, e realmente sentimos que 'Ah, tudo bem, agora podemos tocar músicas dos Beatles!'"
Ele descreveu a mudança como um alívio, sempre consciente do que o público deseja em seus shows.
Essa preocupação com o público foi reiterada por McCartney após assistir a um show de Bob Dylan e não reconhecer algumas músicas.
"Eu entendo se ele não quiser tocar 'Mr. Tambourine Man' - talvez ele esteja cansado dela. Mas eu gostaria de ouvi-la. E eu paguei pelo ingresso"
A anedota ressalta a importância que o músico atribui à experiência do público, embora ele duvide ter realmente pago pelo ingresso.
A decisão inicial de Paul McCartney de focar exclusivamente no material do Wings, apesar da pressão do público e da crítica, demonstra seu compromisso com a integridade artística e a construção de uma nova identidade musical, antes de abraçar novamente o legado dos Beatles em suas apresentações.
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