'Não há nada melhor': Gene Simmons, do KISS, escolhe clássico de 1984
Lendário baixista do Kiss revela a faixa do Van Halen que eleva o gênero a um patamar inigualável
Gene Simmons, a figura emblemática do Kiss, notório por sua franqueza impiedosa e padrões altíssimos, surpreende ao eleger uma faixa do Van Halen como o ápice do hard rock. Conhecido por desferir críticas a ícones como Santana e Axl Rose, e por seu elogio peculiar a Keith Richards que soa mais como um desafio ("Com todo o respeito, se Keith Richards, que eu não consigo expressar o quanto o admiro, mas se ele entrasse na minha roupa, ele desmaiaria em meia hora"), o baixista raramente concede louvores sem ressalvas.
Contudo, em se tratando de House of Pain, sua admiração é inquestionável.
Para Simmons, o rock, em sua essência, deveria ser colossal e audacioso. Ele lamentou publicamente em 2021:
O rock está morto. E isso porque as novas bandas não se deram ao trabalho de criar glamour, emoção e coisas épicas
É precisamente essa grandiosidade que ele enxerga em House of Pain, uma canção que, em sua visão, encapsula a alma do gênero. O impacto da faixa foi tão profundo que ele a considerou profundamente inspiradora, mesmo tendo surgido uma década após o lançamento do primeiro single do Kiss.
A conexão improvável e o reconhecimento genial
À primeira vista, a paixão de Simmons pelo Van Halen pode parecer um tanto inesperada. A sonoridade inicial do Kiss estava enraizada no blues rock de bandas como Humble Pie e Led Zeppelin, um estilo que o Van Halen, apesar de suas raízes, nunca personificou completamente.
No entanto, o talento estratosférico de Eddie Van Halen era inegável. Seus solos de guitarra eram revolucionários, elevando o patamar da técnica e expressividade. Simmons, com seu faro para o talento e o lado empresarial aguçado, não apenas reconheceu um potencial lendário, mas também desempenhou um papel crucial nos primórdios da banda.
Em 1976, após assistir ao Van Halen no Starwood em Los Angeles, Simmons financiou e produziu a primeira demo do grupo. Essa apreciação precoce sublinha a capacidade de Simmons de enxergar além das convenções e identificar a genialidade pura.
O legado de House of Pain e a era Roth
House of Pain, embora lançada oficialmente apenas em 1984 no álbum 1984, era uma composição que remonta aos primeiros dias do Van Halen, anterior até mesmo ao seu contrato de gravação. A banda, acostumada a refinar seu material ao longo do tempo, revisitou essa joia durante a produção de um de seus discos mais icônicos. Enquanto o Kiss passava por sua própria fase de reinvenção, despojando-se da maquiagem, Simmons não hesitou em declarar que House of Pain superava a maioria das músicas de rock daquela época. Em entrevista à Guitar World, ele afirmou:
Minha música favorita do Van Halen de todos os tempos é aquela House of Pain não lançada. Não há nada melhor, e isso inclui Eruption. Aquilo é como uma locomotiva que está descendo a linha sem conseguir parar
A inclusão de House of Pain foi, em certa medida, fundamental para solidificar o status clássico de 1984. Embora faixas como Jump e I'll Wait sejam inegavelmente clássicos, a presença de canções mais pesadas como House of Pain e Panama equilibrou a sonoridade do álbum, impedindo que ele fosse percebido como uma guinada excessiva para o pop.
A faixa serviu como um epílogo poético para a era de David Lee Roth, marcando um dos últimos registros do vocalista antes da entrada de Sammy Hagar, e conectando o presente da banda com suas origens mais cruas e potentes. A escolha de Simmons não é apenas um elogio a uma música, mas um reconhecimento do poder atemporal do rock em sua forma mais visceral e autêntica.
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