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Metallica: o motivo que levou Hetfield a socar Lars Ulrich

Antes da fama global, uma disputa por um bis no palco selava o destino de James Hetfield e Lars Ulrich com um golpe inesperado

6 ago 2026 - 19h16
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Metallica: o motivo que levou Hetfield a socar Lars Ulrich
Metallica: o motivo que levou Hetfield a socar Lars Ulrich
Foto: The Music Journal

Nos primórdios do Metallica, em 1982, antes mesmo de Kill 'Em All moldar o cenário do thrash metal, uma faísca de discórdia já acendia o fogo entre James Hetfield e Lars Ulrich.

A revista Far Out relembrou recentemente que, o palco, ironicamente, seria o cenário não apenas de sua música, mas de um confronto que revelaria a dinâmica visceral que pautaria a banda por décadas. A primeira apresentação no lendário Troubadour, em Los Angeles (EUA), em 5 de julho daquele ano, guardaria um segredo visceral que só viria à tona muito tempo depois, mas que, na hora, marcou a pele e o espírito de um de seus fundadores.

Após um setlist de nove músicas que já deixava a plateia eletrizada, o clima nos bastidores se tornou denso. A discussão girava em torno de qual cover da banda Sweet Savage selaria a noite. Hetfield tinha em mente Let Loose, uma escolha que parecia natural. No entanto, Ulrich, impetuoso e teimoso, insistia em Killing Time, motivado, em parte, pela inconfundível introdução de bateria da faixa.

A paixão pela música, que deveria uni-los, naquele momento os dividia em uma disputa de egos que culminaria em um momento icônico.

Sem que um consenso fosse alcançado, Lars Ulrich, com sua audácia característica, subiu ao palco sozinho e, para surpresa de todos - especialmente de James Hetfield -, iniciou os primeiros compassos de Killing Time. Pego desprevenido, Hetfield, apesar da perplexidade e da dificuldade inicial em lembrar a letra, cumpriu sua parte e a música foi executada.

O show seguiu, a adrenalina baixou, mas a tensão permanecia suspensa no ar, esperando o momento certo para se manifestar.

A retribuição de Hetfield não tardaria. Como relembrou a Far Out, assim que as luzes do local se acenderam e o grupo retornou aos bastidores, a fúria contida de James encontrou seu alvo. Um soco certeiro no estômago de Lars encerrou a contenda de forma abrupta e dolorosa, como ele mesmo confessou durante uma entrevista ao programa de Howard Stern:

Levei um pequeno soco na barriga e não me levantei pelo resto da noite

O baterista, conhecido por sua língua afiada, admitiu que sua propensão a falar "além da conta" frequentemente o colocava em enrascadas.

Apesar da agressão física, Ulrich fez questão de ressaltar a lealdade de Hetfield. Ele recordou que, ao longo dos anos 1980, James interveio diversas vezes para protegê-lo de brigas com terceiros, provocadas muitas vezes pelos comentários incisivos do baterista. Esse episódio singular não foi um mero capricho juvenil; ele foi um presságio da complexa e, por vezes, turbulenta relação que definiria a espinha dorsal do Metallica.

Os anos que se seguiram seriam marcados por inúmeros choques, reconciliações e uma tensão criativa que se tornou intrínseca à narrativa da banda. Essa dinâmica, de amor e ódio, de parceria e rivalidade, seria explorada com uma honestidade quase desconfortável no documentário Some Kind of Monster, décadas depois, revelando ao mundo a complexidade por trás da máquina de hits que é o Metallica.

O soco no Troubadour, afinal, foi mais do que um incidente isolado; foi um rito de passagem, um lembrete visceral da paixão e da rivalidade que, ironicamente, forjaram uma das maiores bandas de metal de todos os tempos.

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