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Machine Gun Kelly sai do Rock in Rio maior do que chegou

Machine Gun Kelly chegou ao Rock in Rio 2026 carregando uma trajetória que não cabe em uma única definição. Rapper de origem, astro do pop-punk por escolha e figura acostumada a dividir opiniões, o artista encontrou no Palco Mundo, neste sábado (5), uma das plateias mais difíceis da programação. E talvez justamente por isso tenha […]

5 set 2026 - 20h18
(atualizado às 23h34)
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Resumo
Em sua estreia no Rio de Janeiro, no Rock in Rio, Machine Gun Kelly enfrentou vaias de um público voltado ao metal pesado. Em vez do confronto, o cantor desarmou a hostilidade ao interromper a dinâmica do show, conversar abertamente com a plateia e demonstrar vulnerabilidade. Sem abandonar seu estilo pop-punk, ele conectou-se com quem estava disposto a ouvir e reverteu o clima adverso, saindo do festival fortalecido por humanizar sua figura pública e lidar com a rejeição com maturidade.

Machine Gun Kelly chegou ao Rock in Rio 2026 carregando uma trajetória que não cabe em uma única definição. Rapper de origem, astro do pop-punk por escolha e figura acostumada a dividir opiniões, o artista encontrou no Palco Mundo, neste sábado (5), uma das plateias mais difíceis da programação.

E talvez justamente por isso tenha saído do festival maior do que entrou.

Machine Gun Kelly.
Machine Gun Kelly.
Foto: Reprodução / Instagram / Globoplay / Conexão Beat

Em sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, MGK enfrentou vaias, resistência e uma parcela do público pouco disposta a embarcar imediatamente em sua proposta. Em vez de transformar o momento em confronto, porém, o cantor fez algo menos previsível: parou, conversou e mostrou vulnerabilidade.

O resultado não foi uma conversão completa da Cidade do Rock em torcida de Machine Gun Kelly. Foi algo mais interessante. Ao reconhecer a situação em que estava, o artista conseguiu mudar a temperatura de parte da apresentação.

Do Lollapalooza ao primeiro show no Rio

A relação de MGK com o público brasileiro começou em 2022, quando ele se apresentou no Lollapalooza Brasil, em São Paulo. Aquele show marcou sua primeira apresentação no país e aconteceu justamente no momento em que o cantor consolidava sua transformação do rap para o pop-punk, impulsionada pelo álbum "Mainstream Sellout".

Quatro anos depois, o cenário era outro.

No Rock in Rio, MGK não tinha apenas uma multidão de fãs esperando por ele. Estava inserido em uma programação dominada pelo rock pesado, entre Sepultura, Bring Me The Horizon e Avenged Sevenfold.

O cantor subiu ao Palco Mundo às 19h, antes de duas das apresentações mais aguardadas da noite.

Quando a persona encontra a plateia

O início da apresentação deixou clara a dificuldade.

MGK levou para o Rock in Rio toda a estética que construiu nos últimos anos: visual carregado, atitude punk, elementos performáticos e uma mistura entre pop-punk e referências de sua fase no rap.

Musicalmente, o repertório percorreu diferentes capítulos da carreira, com faixas como "Bloody Valentine", "Concert for Aliens", "Maybe" e "my ex's best friend".

Mas a questão daquela noite não era apenas musical.

Era sobre comunicação.

Diante de uma plateia que nem sempre respondia como ele esperava, MGK percebeu que insistir no personagem poderia aumentar a distância. Foi então que interrompeu a dinâmica do show para falar diretamente com o público.

Sem tentar fingir que estava diante de uma recepção unânime, o cantor falou sobre sua trajetória e sobre a dimensão de estar naquele palco.

Foi um dos momentos mais importantes da apresentação.

MGK escolhe baixar a guarda

Existe uma diferença entre admitir que uma plateia não está conquistada e abandonar uma apresentação. MGK escolheu a primeira opção.

Em vez de responder às vaias com uma provocação maior, ele reconheceu a resistência e tentou encontrar um ponto de contato com quem estava diante dele.

A atitude humanizou uma figura pública acostumada a operar no limite entre provocação e espetáculo.

O cantor não deixou de ser MGK. Continuou performático, continuou exagerado e continuou apostando na estética que acompanha sua atual fase artística. Mas, por alguns minutos, o personagem ficou em segundo plano.

Ali apareceu Colson Baker, o homem por trás do nome Machine Gun Kelly, tentando explicar por que aquele momento importava.

E essa talvez tenha sido a grande virada do show.

Uma apresentação para quem ficou

Depois da conversa, a apresentação continuou sem que a resistência desaparecesse completamente. Mas havia uma mudança na relação entre artista e público.

MGK passou a apostar ainda mais naquilo que conhece: músicas que transformaram sua carreira e uma linguagem construída para uma geração que cresceu entre o emo, o pop-punk e o rock dos anos 2000.

"Bloody Valentine", "my ex's best friend" e outras faixas do repertório funcionaram como pontos de encontro com os fãs que estavam ali especificamente por ele.

Não era necessário conquistar todos.

Bastava estabelecer uma conexão real com quem estava disposto a ouvir.

O peso de chegar depois do Lolla

A comparação com o Lollapalooza Brasil é inevitável justamente porque os dois shows revelam momentos diferentes da carreira do artista.

Em 2022, MGK ainda apresentava ao público brasileiro a transformação que o levou do rap ao pop-punk. O lançamento de "Mainstream Sellout" ajudava a explicar a nova fase, enquanto músicas de "Tickets to My Downfall" já haviam consolidado sua nova identidade.

No Rock in Rio, essa identidade já não precisava ser apresentada.

O desafio era outro: provar que ela ainda funciona quando colocada diante de uma plateia que não necessariamente estava esperando por ele.

O Lolla apresentou MGK ao Brasil. O Rock in Rio colocou o artista diante de uma prova mais complicada: apresentar quem ele é para um público que não necessariamente havia escolhido estar ali por sua causa.

Maior do que chegou

O show de MGK no Rock in Rio não foi uma unanimidade. E talvez seja justamente esse o ponto.

Em uma noite em que a programação favorecia o metal e o rock pesado, o cantor precisou disputar atenção, enfrentar resistência e encontrar uma maneira própria de permanecer relevante no palco.

Ele conseguiu, principalmente, quando deixou de tentar vencer a plateia e passou a conversar com ela.

O momento mais forte da apresentação não veio necessariamente de uma música ou de um efeito de palco. Veio da percepção de que, diante daquela situação, a melhor estratégia não era aumentar o volume da persona, mas diminuir a distância.

MGK entrou no Palco Mundo como uma das figuras mais controversas da programação. Saiu carregando uma narrativa diferente.

Não necessariamente porque conquistou todos, mas porque soube lidar com quem não estava conquistado.

Na primeira apresentação no Rio de Janeiro, Machine Gun Kelly descobriu que não precisava fazer a Cidade do Rock inteira gostar dele para sair maior do outro lado.

Bastava mostrar que, por trás do personagem, ainda havia alguém disposto a ouvir, reconhecer o momento e continuar cantando.

Conexão Beat
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