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Do auge dos Smiths ao encontro com um Beatle: como Paul McCartney confortou Johnny Marr em 1987

Guitarrista dos The Smiths revela como uma simples frase de Paul McCartney desvendou o enigma do fim de uma banda lendária.

15 ago 2026 - 17h07
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Do auge dos Smiths ao encontro com um Beatle: como Paul McCartney confortou Johnny Marr em 1987
Do auge dos Smiths ao encontro com um Beatle: como Paul McCartney confortou Johnny Marr em 1987
Foto: The Music Journal

A complexidade das relações artísticas e o inevitável ciclo de ascensão e dissolução das bandas são temas perenes no universo da música. Para Johnny Marr, o virtuoso guitarrista que ajudou a moldar a sonoridade icônica dos The Smiths, o fim de sua própria jornada com a banda em 1987 foi um redemoinho de emoções e questionamentos.

No entanto, o tempo, e uma observação singular de um titã da música, trariam uma perspectiva inesperada para essa ruptura que marcou uma geração.

O Encontro dos Ícones e a Sabedoria Simples

Décadas após o estrondoso sucesso e a igualmente abrupta separação dos The Smiths, Johnny Marr revisitou em uma entrevista à MOJO um encontro seminal que teve com Paul McCartney, o lendário ex-Beatle. Foi em 1987, um período de turbulência e reflexão para Marr, que a vida o colocou diante de uma figura que compreendia, como poucos, o peso de desmantelar um império musical.

Naquela ocasião, Marr passou um dia memorável com McCartney e sua esposa, Linda, mergulhando em conversas que iriam ressoar por anos.

Linda McCartney, curiosa sobre a vida do jovem guitarrista, abriu as portas para um diálogo mais profundo. A conversa inevitavelmente chegou ao doloroso ponto final dos The Smiths. Marr, em busca de alguma compreensão ou conselho, relatou o término a McCartney. A resposta do Beatle, destilada em sua simplicidade, foi ao mesmo tempo impactante e libertadora: "Eu simplesmente contei a ele sobre o fim da banda.

Olhei para ele, esperei e ele apenas disse: 'É assim que as bandas são'", recordou Marr.

Uma Frase que Virou Filosofia

A genialidade da observação de Paul McCartney não residia na complexidade, mas na autoridade de quem a proferia. Vinda de alguém que havia pilotado o meteórico sucesso dos The Beatles e enfrentado a inevitável desintegração, essa frase se tornou um mantra para Marr. O encerramento de sua parceria com Morrissey, que rendeu quatro álbuns de estúdio e consolidou os The Smiths como um fenômeno cultural britânico, encontrou um eco de validação na experiência de McCartney.

Para Marr, foi "uma resposta brilhante vinda dele", um reconhecimento de que certas trajetórias são cíclicas e inerentes à dinâmica de grupos artísticos.

Essa máxima transcendeu o encontro e se tornou parte do repertório de sabedoria que Johnny Marr compartilha. Quando outros músicos, em suas próprias crises criativas e interpessoais, buscam conselho, Marr ecoa a voz de McCartney. "Chega um momento em que simplesmente se diz: 'É assim que as bandas são'", explica, encapsulando a universalidade do fenômeno.

Além das Palavras: Uma Jam Session Lendária

O encontro, no entanto, não se limitou à troca de palavras. Marr também revelou que a ocasião foi palco de uma extensa e intensa jam session. Por cerca de oito a nove horas, os dois talentos se entregaram à música, tocando continuamente "com muita intensidade e em volume muito alto". Um testemunho não apenas da química musical, mas da profunda conexão que pode surgir entre artistas que compartilham uma paixão e um caminho tão singular.

O Legado Contínuo: The Smiths Hoje

Quase quatro décadas se passaram desde que os The Smiths se despediram, mas seu legado e os mistérios de seu término continuam a fascinar fãs e críticos. Curiosamente, a história de Marr ressurge em um momento de renovada atenção ao catálogo da banda. Recentemente, foi anunciada uma colaboração entre Marr e Morrissey para um lançamento especial da Rough Trade Records.

A caixa de singles Volume 2, com previsão de lançamento para 30 de outubro de 2026, incluirá uma edição de The Headmaster Ritual com I Want the One I Can't Have como lado B, e contará com contribuições dos dois para as notas do projeto.

Essa nova movimentação apenas sublinha a perenidade da influência dos The Smiths e a complexidade de suas relações internas, mesmo após tantos anos. Para Johnny Marr, a frase de Paul McCartney não apenas contextualizou o fim de uma era, mas também se tornou um farol de compreensão, uma aceitação de que, no grande palco da música, algumas rupturas são apenas parte da melodia. É assim que as bandas são.

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