O trap além do gênero
Kaire Jorge, empresário, diretor executivo da Boogie Naipe e CEO e fundador da Labbel Rec, fala sobre o Trap em coluna para o TMDQA!
Embora a padronização estética e sonora tenha sido fundamental para estruturar e dar escala ao trap, esse modelo inicial dá sinais de esgotamento. Segundo Kaire Jorge, o movimento atual não indica um abandono do gênero, mas sim o seu aprofundamento. Os artistas contemporâneos buscam expandir referências, desafiar estruturas e experimentar novas sonoridades, transformando o trap em uma linguagem mais fluida, permeável e conectada ao presente, superando antigas fórmulas comerciais previsíveis.
Por Kaire Jorge, empresário, diretor executivo da Boogie Naipe e CEO e fundador da Labbel Rec, selo voltado ao desenvolvimento de artistas do trap e da música urbana
Durante muito tempo, o trap foi organizado como um território de limites bem definidos. Existia um som esperado, uma estética reconhecível e uma entrega quase padronizada. O público sabia o que ia encontrar, a indústria sabia o que vender e os artistas entendiam o que era considerado "seguro". Esse modelo foi importante para estruturar a cena e dar escala ao gênero, mas começa a se esgotar à medida que a própria música exige outros caminhos.
O que vemos hoje não é um afastamento do trap, mas um aprofundamento. Artistas que cresceram dentro do gênero estão buscando expandir referências, tensionar estruturas e experimentar novas formas de construção sonora. O trap deixa de ser apenas uma forma fechada e passa a operar como algo mais fluido, permeável e conectado ao tempo em que é produzido.
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