Em "CUMULONIMBUS", Rashid provoca o rap a repensar os caminhos que o trouxeram até aqui
Em novo álbum, rapper transforma inquietações sobre a padronização, a busca por números e o afastamento das raízes do Hip-Hop
O rap brasileiro venceu. Ocupou festivais, chegou ao topo das plataformas, atravessou fronteiras estéticas e transformou artistas periféricos em alguns dos nomes mais ouvidos do país. Aquilo que durante décadas precisou disputar espaço para existir hoje movimenta números, marcas, grandes palcos e uma indústria própria.
Mas toda vitória também permite uma pergunta: o que se perde quando aquilo que nasceu como contracultura passa a fazer parte do centro da cultura? É olhando para essa contradição que o rapper Rashid constrói CUMULONIMBUS, seu novo álbum de estúdio.
Ao longo de 15 faixas, o artista da Zona Norte de São Paulo não tenta negar as conquistas comerciais do gênero e tampouco propõe uma volta romantizada ao passado. Seu movimento é outro: retornar aos fundamentos para questionar se, durante o caminho até o topo, o rap não começou a deixar para trás justamente algumas das características responsáveis por levá-lo até lá.
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