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Pedro Prado aposta no imprevisível e grava novo single direto em fita analógica

Em meio ao avanço da Inteligência Artificial na música, artista paulistano escolhe o risco do take único em 'Insegurança', faixa que inaugura nova fase da carreira.

19 jun 2026 - 14h37
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Pedro Prado aposta no imprevisível e grava novo single direto em fita analógica
Pedro Prado aposta no imprevisível e grava novo single direto em fita analógica
Foto: The Music Journal

Em um cenário musical cada vez mais marcado por correções digitais, filtros e experimentações com Inteligência Artificial, o cantor, compositor, ilustrador e designer paulistano Pedro Prado decidiu seguir pelo caminho oposto. Seu novo single, Insegurança, foi gravado inteiramente ao vivo e direto em rolo de fita analógica, sem os recursos de edição que se tornaram comuns na indústria contemporânea.

O resultado já está disponível nas plataformas digitais pelo selo Urutu Discos, com distribuição da Algohits, e marca o início da produção do primeiro álbum cheio do artista.

Registrada no Estúdio Urutu, no centro de São Paulo, onde Pedro Prado atua como artista residente, a faixa propõe um encontro entre vulnerabilidade emocional e espontaneidade sonora. Enquanto a letra aborda crises de relacionamento, inseguranças e distorções da própria autoimagem, a instrumentação aposta na energia de uma banda tocando junta, sem a possibilidade de corrigir falhas posteriormente.

A decisão de abandonar as facilidades do ambiente digital não foi apenas estética. Para Pedro Prado, o método de gravação dialoga diretamente com a mensagem da canção.

"Sinto que vivemos em um mundo onde tudo é IA, tudo é extremamente limpo, editado, produzido e com filtros que tentam alcançar um ideal de perfeição que existe só na nossa cabeça. Gravar ao vivo no analógico é um exercício de confiança interna, uma vez que o método não permite edições ou muitas repetições, fazendo com que o artista tenha que arcar com a verdade e crueza do que aconteceu na hora", afirma o músico.

Referências musicais e identidade sonora

Musicalmente, Insegurança transita entre referências do Folk Rock das décadas de 1960 e 1970, evocando nomes como Neil Young, The Byrds e Gene Clark, enquanto mantém conexões com a tradição brasileira de Erasmo Carlos e Raul Seixas, homenageado diretamente na composição. O resultado é um Country Folk brasileiro que combina melancolia, ironia e um ritmo surpreendentemente dançante.

Gravação sem edições

A gravação foi conduzida pelo produtor e multi-instrumentista Otávio Cintra, responsável pela direção técnica, captação, mixagem e masterização do single, além das linhas de baixo da faixa. Segundo ele, trabalhar com fita magnética exige um tipo diferente de entrega artística.

"Uma gravação na fita gera um friozinho na barriga que nenhuma gravação digital gera em um artista ou músico. Saber que o take não vai ser editado, que não vai ter um 'arrasta pra cá' ou um 'afina ali', coloca o artista em um lugar muito desafiador, que demanda a entrega de uma performance real. Esse é o cerne da nossa proposta com a fita: de que essa é uma máquina de registrar performances incríveis, que contagiam o ouvinte", explica.

Preservação da técnica analógica

O projeto também se insere em um debate mais amplo sobre os rumos da criação artística em tempos de automação. Para Vicente Barroso, produtor executivo do lançamento, preservar técnicas analógicas vai além da nostalgia.

"Gravar sem computador em 2026 é uma ação direta de contraponto à IA e à automatização em processos criativos. Não somos de forma alguma avessos à tecnologia, mas sabemos da importância cultural em preservar esse processo artesanal. Gravar em fita de forma acessível é lutar contra a perda dessa técnica no Brasil, cada vez mais vinculada a artigos de luxo de grandes estúdios", avalia.

Videoclipe e identidade visual

Além do lançamento musical, Insegurança chega acompanhada por um videoclipe que documenta os bastidores da gravação. Com filmagem de Pedro Longo e edição de Thiago Alef, o material transporta o público para dentro das sessões realizadas no Estúdio Urutu, registrando o ambiente colaborativo e a tensão natural de um processo em que cada execução importa.

O aspecto visual do projeto também carrega a assinatura de Pedro Prado, responsável pelo design da capa e pelos letreiros presentes no clipe. A produção executiva ficou a cargo de Vicente Barroso, enquanto Marcos Gruchka atuou na assistência de áudio.

Novo capítulo da carreira

Depois do EP Contos da Estrada, a nova fase do artista aponta para uma consolidação estética construída entre as experiências urbanas da capital paulista e as vivências no interior do estado. Mais do que uma simples escolha técnica, Insegurança surge como uma declaração sobre presença, risco e autenticidade em uma época obcecada pela perfeição.

Com o single, Pedro Prado não apenas apresenta o primeiro capítulo de seu futuro álbum, mas também propõe uma reflexão: em tempos em que tudo parece editável, talvez exista valor justamente naquilo que não pode ser corrigido.

Confira:

The Music Journal The Music Journal Brazil
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