Sons de Mercúrio fala sobre resistência e afeto no EP "Pra Não Dizer Que Não Falei de Amores"
Banda de Feira de Santana, na Bahia, ressignificou referência ao clássico "Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores", de Geraldo Vandré
Inspirada no clássico de Geraldo Vandré, a banda baiana Sons de Mercúrio lançou o EP "Pra Não Dizer Que Não Falei de Amores". O projeto ressignifica o conceito histórico de resistência política ao deslocá-lo para o campo dos afetos, abordando vínculos, sentimentos e vulnerabilidades. Para o grupo de Feira de Santana, expor as emoções surge como um ato de transgressão moderna em uma época pautada pela hiperconectividade e pelo distanciamento nas relações.
Quase seis décadas depois de Geraldo Vandré transformar Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores em um dos principais símbolos da resistência política e social brasileira, a frase ganhou novos sentidos na música baiana.
É a partir dessa memória que a banda Sons de Mercúrio, de Feira de Santana, no interior da Bahia, batizou seu novo EP como Pra Não Dizer Que Não Falei de Amores. Longe de ser apenas um trocadilho, a escolha do título estabelece a proposta central do material que fala de sentimentos, vínculos e vulnerabilidades em um tempo marcado pela hiperconectividade e, paradoxalmente, por relações cada vez mais distantes.
A apropriação do verso de Vandré desloca a ideia de resistência para o campo dos afetos. Nos anos 1960, a canção se tornou uma expressão de enfrentamento político e, agora, a Sons de Mercúrio encontrou na exposição dos sentimentos uma forma de transgressão moderna.
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