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Até onde você iria por um show? Fãs cruzam países e transformam turnês em jornadas

Fãs do Bad Bunny saíram do Acre e até dos Estados Unidos para ver o artista

20 mar 2026 - 07h35
(atualizado às 08h37)
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Bad Bunny fez seu primeiro show em São Paulo nesta sexta-feira, 20
Bad Bunny fez seu primeiro show em São Paulo nesta sexta-feira, 20
Foto: YURI MURAKAMI/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Para alguns, ver o artista favorito ao vivo significa pegar um metrô, atravessar a cidade e voltar para casa no fim da noite. Para outros, a experiência começa muito antes, no aeroporto, no acúmulo de milhas ou até na decisão de cruzar fronteiras.

Dados do Sonora Trends, pesquisa feita pelo Terra/Vivo Ads com o público do show de Bad Bunny, revelam o tamanho desse fenômeno: 58% dos fãs viajam de avião para assistir ao show. E mais, 35% fazem questão de acumular milhas no processo. O perfil também chama atenção: a maioria do público é feminina, representando 54%.

O artista porto-riquenho fez sua primeira passagem em terras tupiniquins em fevereiro deste ano, em São Paulo, com dois shows da turnê Debí Tirar Más Fotos (DtMF), em São Paulo.

Do lado de fora do Allianz Parque, as estatísticas ganham histórias. Aos 23 anos, Letícia Lopes atravessou o país para ver o artista pela primeira vez, junto com sua namorada, Suziene Soares. "Sou muito fã. Muito, muito, muito", contou. "Desde antes de 2016, quando ele lançava música ali no SoundCloud."

A relação com o som veio de longe. "Eu moro em Alagoas, mas eu cresci no Acre, na fronteira com a Bolívia. Eles escutam muito reggaeton, então eles escutam muito Bad Bunny, entre outros artistas, então acompanho desde cedo muitos artistas".

"Me identifico muito com as músicas deles, o estilo, o posicionamento político, principalmente nesse álbum mais recente. É incrível [o álbum], porque a gente fala tanto de coisas brasileiras, de brasilidade, só que quando a gente para pra perceber, a América Latina é como se fosse uma casa de vó".

Quando os ingressos abriram para o evento inédito, virou uma espécie de missão. "Assim que lançou que ia ter o show aqui, que ia ter a venda, eu fiquei esperando. Quando abri a venda pro público geral, nossa, foi um negócio assim, eu abri em vários meios isso, eu abri computador, tablet, telefone".

Antes, ela até sonhava, mas não conseguiu ir ao show do Bad Bunny por causa da distância. "Ele veio aqui até o Paraguai, mas não veio pro Brasil. E não tinha como eu ir ao Paraguai". Na ocasião, ele apresentava a turnê Un Verano Sin Ti.

Se para Letícia a distância foi nacional, para Leslie Garcia ela foi internacional. Natural de Miami, a fã desembarcou no Brasil com três amigas para assistir ao show. "Funcionou vir para o Brasil porque foi durante o carnaval, então achamos que seria um ótimo momento. Dois coelhos com uma cajadada".

A viagem virou roteiro turístico, primeiro com parada no Rio de Janeiro. Entre um bloco e outro, o país surpreendeu. "É a minha primeira vez no Brasil. É lindo, todo mundo é muito amigável. A culinária tem sido incrível, tem tantas culturas, o que eu não imaginava".

Mas o motivo principal estava marcado no ingresso, em São Paulo. "Eu nunca vi show do Bad Bunny. É a primeira vez pra tudo. Como ele não foi para os Estados Unidos com essa turnê, nós precisamos sair do país".

A decisão do artista de não incluir os EUA na turnê, interpretada por muitos como um gesto político, mas explicada como precaução diante de possíveis riscos a fãs latinos, alvos fáceis de detenções do ICE, acabou redesenhando o mapa das turnês e forçou os fãs a viajarem.

Leslie se define como uma fã "no meio do caminho". "Comparando com os fãs do Bad Bunny, eu diria que eu estou no meio, mas eu amo ele. Estou acompanhando ele desde o primeiro ou segundo álbum, então eu era uma grande fã antes de Yo Perreo Sola e tudo mais".

As experiências revelam a nova lógica dos shows ao vivo: não se trata mais só de música. É identidade, pertencimento e, se for preciso, jornada.

Fonte: Portal Terra
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