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Luana Flores une política, cultura popular e música eletrônica em 'Cria do Sol Quente'

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, artista fala sobre o primeiro álbum, identidade nordestina e a mistura entre tradição e experimentação

3 set 2026 - 18h16
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Resumo
A artista Luana Flores lançou seu álbum de estreia, Cria do Sol Quente, unindo a cultura popular nordestina à música eletrônica e colagens sonoras. Com instrumentos tradicionais como rabeca e pífano combinados a batidas dançantes, o projeto reflete sobre território, identidade e política com leveza e vibração. O trabalho, que celebra a potência criativa e a representatividade, reúne participações de mulheres e artistas LGBTQ+ de diferentes gerações, incluindo a cantora Cátia de França.

Depois de apresentar seu universo musical no EP Nordeste Futurista, em 2021, Luana Flores lança Cria do Sol Quente, seu primeiro álbum. O trabalho reúne referências da cultura popular nordestina, instrumentos tradicionais, música eletrônica e reflexões sobre território, identidade e transformação.

Luana Flores
Luana Flores
Foto: Reprodução/Instagram / Rolling Stone Brasil

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Em entrevista à Rolling Stone Brasil, a artista celebrou a repercussão do projeto, que passou por um longo processo de criação.

"É muito gostoso parir esse trabalho e receber também uns feedbacks super positivos da galera e sentir que eu lancei uma semente potente no mundo."

Embora já tivesse lançado um EP, Luana considera o novo trabalho seu disco de estreia. Para ela, o formato representa uma oportunidade de construir uma narrativa mais madura e aprofundada sobre sua identidade artística.

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Do Nordeste Futurista à Cria do Sol Quente

A ideia do álbum começou a ganhar forma em 2023. Inicialmente, Luana pensava em lançar um projeto de remixes chamado Nordeste Futurix, mas novas composições surgiram e mudaram os planos.

A parceria com o produtor Romero Galas ajudou a desenvolver as canções, enquanto o título só foi definido mais tarde. A expressão "Cria do Sol Quente", porém, já fazia parte de uma composição anterior da artista.

Aos poucos, Luana percebeu que aquelas palavras poderiam reunir os diferentes conceitos presentes no disco.

"Cria" passou a representar ideias como criação, criatividade e criança, especialmente a potência criativa que, segundo ela, pode ser despertada nos adultos. Já o "sol quente" funciona como uma referência direta ao território onde nasceu.

"Cria do Sol Quente é uma construção de uma identidade territorial e coletiva também. Eu sou cria, nós somos."

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Tradição, eletrônico e colagem

A sonoridade do álbum reúne rabeca, pífano e percussão com beats eletrônicos. Para Luana, essa mistura nasce naturalmente de sua relação com a cultura popular.

A artista se define como brincante e explica que sua vivência com diferentes manifestações culturais influencia diretamente os sons que leva para sua música.

"Trazer esses instrumentos e conectar com o universo eletrônico é trazer a essência também dos ritmos que são tocados, que são brincados por esses folguedos."

Outro elemento importante no disco é a colagem sonora. Áudios, ruídos e diferentes fragmentos podem ser reorganizados e ganhar novos significados dentro das músicas.

A experiência como DJ e beatmaker também influencia esse processo.

"Eu fui entender que o que eu faço é colagem recentemente", contou. "Eu me sinto nesse universo da colagem também, por essa questão de construir uma autonomia criativa, mas também de provocar outra forma de produzir som."

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Um disco político que também convida à dança

Cria do Sol Quente também é marcado por encontros com mulheres nordestinas, artistas LGBTQ+ e nomes de diferentes gerações. Entre as participações está Cátia de França, que Luana define como uma artista fundamental para abrir os caminhos do trabalho.

As escolhas, segundo ela, são artísticas e políticas ao mesmo tempo.

Apesar dos temas ligados a território e identidade, o álbum mantém uma energia dançante e vibrante. Para Luana, política e alegria não precisam ocupar espaços opostos.

"Que a gente pode também falar sobre política, falar sobre território, identidades e tudo mais, com leveza, com sabedoria, criatividade e brincadeira."

Ao imaginar como gostaria que o disco fosse lembrado no futuro, Luana fala sobre permanência e transformação.

"Eu sinto que é um disco atemporal. Eu sinto que daqui a 20 anos ele ainda vai fazer sentido."

Para a artista, Cria do Sol Quente é, acima de tudo, uma semente, uma obra criada para provocar movimento, criatividade e novas possibilidades. "Eu espero que muitas crianças sejam ativadas também nesse movimento de alegria."

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