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Jovem Guarda faz 60 anos: conheça o movimento e sua origem e músicas mais emblemáticas

Em vídeo, a estrela do programa, Wanderléa, conta qual é a canção que a emociona até hoje. Nasi, Supla, Fernanda Takai e Rafael Cortez também fazem suas escolhas e críticos de música analisam o período; veja

22 ago 2025 - 06h11
(atualizado às 08h53)
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A Jovem Guarda completa, nesta sexta-feira, 22 de agosto, aos 60 anos. A data é uma referência à estreia do Programa Jovem Guarda, atração da TV Record que ficou no ar entre 1965 e 1968 e consagrou o trio de apresentadores Roberto Carlos, Erasmo Carlos (1941-2022) e Wanderléa.

O programa, exibido nas tardes de domingo da Record, foi pensado para ocupar a faixa de horário antes dedicado ao futebol - a emissora perdeu os direitos de transmissão na época.

Jovem Guarda despontou como o programa da juventude, e fez frente a outras duas atrações musicais que a emissora produzia, O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, e o Bossaudade, comandado por Elizeth Cardoso. Jovem Guarda, em pouco tempo, se tornou líder de audiência.

O som e o propósito do movimento, no entanto, conquistaram a cantora Maria Bethânia, que chamou a atenção de Caetano Veloso e recomendou que ele escutasse Roberto Carlos. Caetano já declarou que a Jovem Guarda, estética e musicalmente, foi uma importante inspiração para a Tropicália, uma das vertentes mais contestadoras da música brasileira, e que causou a prisão e o exílio de Caetano e Gil durante a ditadura militar.

Em texto publicado no Suplemento Literário do Estadão em novembro de 1967, o poeta Augusto de Campos destacou essa influência. "Caetano Veloso e Gilberto Gil, com Alegria, Alegria e Domingo no Parque, se propuseram, oswaldianamente, deglutir o que há de novo nesses movimentos de massa de juventude e incorporar as conquistas da moderna música popular ao seu próprio campo de pesquisa, sem, por isso, abdicar dos pressupostos formais de suas composições que se assentam, com nitidez, em raízes musicais nordestinas".

Outros nomes da Jovem Guarda

Além do trio Roberto, Erasmo e Wanderléa, outros tantos cantores e músicos fizeram parte do movimento e do programa. A lista é grande e inclui, por exemplo, Martinha, Eduardo Araújo, Silvinha Araújo, Os Incríveis, Golden Boys, Evinha, Os Vips, Luiz Ayrão, Rosemary, Lafayette Coelho, Diana, Vanusa, Waldirene, Agnaldo Timóteo, Antonio Marcos, Deny & Dino, The Fevers, Jerry Adriani, Leno & Lilian, Nilton Cesar, Ronnie Cord, Wanderley Cardoso, Tony Campello e Meire Pavão.

Outros nomes não estavam necessariamente inseridos na Jovem Guarda, e nem ficaram marcados por isso, mas, ou gravaram músicas com a sonoridade do movimento ou frequentaram o programa exibido pela TV Record. A cantora Clara Nunes foi uma delas. Jorge Ben Jor foi inúmeras vezes encontrar os amigos da Tijuca, Roberto e Erasmo, no palco do programa. Até mesmo Elis Regina compareceu, e cantou com Roberto o rock Tutti Frutti, sucesso de Elvis Presley.

Ronnie Von em foto de 1969. Ele nega ter feito parte da Jovem Guarda
Ronnie Von em foto de 1969. Ele nega ter feito parte da Jovem Guarda
Foto: Acervo/Estadão / Estadão

Ronnie Von é um caso à parte. Embora seus hits A Praça e Meu Bem (versão de Girls, dos Beatles) sejam associados à Jovem Guarda, ele diz que nunca fez parte do movimento - embora já tenha sido contestado por essa informação. O fato é que o dono da TV Record à época, Paulinho Machado de Carvalho, contratou Ronnie com um alto salário para evitar que ele fosse para a TV Excelsior. O cantor ganhou o programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, outro sucesso com a juventude da época.

É importante notar que, neste ano de 1965, quando a Jovem Guarda se destacou no cenário musical com Quero que Vá Tudo pro Inferno, outros grandes clássicos da música brasileira foram apresentados, como Minha Namorada, de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, Pedro Pedreiro, de Chico Buarque, e Trem das Onze, de Adoniran Barbosa. Uma briga boa, vencida, do ponto de vista da grande massa, pela Jovem Guarda.

Wanderléa segue cantando, com preferência para canções mais doce de amor
Wanderléa segue cantando, com preferência para canções mais doce de amor
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão

Com o fim do programa, em 1968, Roberto se posicionou como cantor essencialmente romântico, e conseguiu manter a fama e o prestígio, algo que conserva até os dias atuais, aos 84 anos. Erasmo penou para encontrar um caminho, mas acertou. Com canções mais filosóficas e uma boa dose de irreverência, manteve a alma roqueira. Wanderléa, cantora e intérprete, fez discos mais conceituais - e geniais - nos anos 1970 e nunca saiu de cena. Atualmente, aos 81 anos, além de cantar seus hits da época, como Pare o Casamento e Foi Assim, apresenta o show em que canta chorinhos, derivado do elogiado álbum Wanderléa Canta Choros, de 2023.

Um novo som para Erasmo Carlos

Erasmo Carlos, em sua casa na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, durante entrevista ao Estadão em 2009
Erasmo Carlos, em sua casa na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, durante entrevista ao Estadão em 2009
Foto: Marcos Arcoverde/Estadão / Estadão

Poucas serão a iniciativas para celebrar os 60 anos da Jovem Guarda. A maior delas é o projeto da gravadora Sony Music, que vai recolocar nas plataformas digitais, no dia 5 de setembro, seis álbuns do cantor Erasmo Carlos, feitos entre 1965 e 1970, lançados originalmente pela RGE. São eles: A Pescaria, Você Me Acende, Erasmo Carlos 1967, O Tremendão, Erasmo Carlos 1968 e Erasmo Carlos e os Tremendões.

O projeto tem curadoria de Marcelo Fróes, autor do livro Jovem Guarda - Em Ritmo de Aventura (Editora 34), lançado em 2000, e produtor dos boxes que remasterizou a obra de Roberto Carlos.

Nesses álbuns de Erasmo estão músicas como Festa de Arromba, Minha Fama de Mau, Gatinha Manhosa, Vem Quente Que Estou Fervendo, O Caderninho, Sentado à Beira do Caminho, Menina e Coqueiro Verde.

Fróes teve acesso aos multitracks desses álbuns, arquivos de áudio da gravação com múltiplas fontes sonoras separadas, o que permitiu a remasterização. Com exceção de Erasmo Carlos 1968 e Erasmo Carlos e os Tremendões, os demais discos foram lançado em mono, com apenas um canal de áudio.

"As pessoas vão se surpreender com a pureza do som, com a voz do Erasmo destacada da base (da banda). Muita coisa não ouvíamos (nos discos originais), como as brincadeiras nos estúdios, quando os músicos solavam", diz Fróes.

O produtor diz que os demais discos lançados por artistas da Jovem Guarda nos anos 1960 permitem esse mesmo tratamento que foi feito agora com os álbuns de Erasmo. "Espero que façam em breve, assim ninguém poderá reclamar da Jovem Guarda com relação à qualidade de som, pelo menos isso", completa.

Estadão
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