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Josh Dun, do Twenty One Pilots, diz que banda não usa IA: 'Isso me assusta'

O baterista do Twenty One Pilots — duo que encerrou o Rock in Rio 2026 — comentou sobre as evoluções polêmicas na tecnologia recente

17 set 2026 - 16h24
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Resumo
Josh Dun, baterista do Twenty One Pilots, afirmou que o duo não utiliza inteligência artificial na criação musical por considerar a tecnologia assustadora e perigosa. Cético quanto aos benefícios reais das Big Techs na área, o músico defende que as canções da banda são pessoais demais para automação. Dun destacou que a essência do grupo reside na conexão e na imperfeição humana, com decisões e performances ao vivo que, para ele, jamais poderão ser replicadas satisfatoriamente por máquinas.

Josh Dun, baterista do  Twenty One Pilots duo que encerrou a última noite do Rock in Rio 2026 , comentou sobre um dos temas mais polêmicos da indústria musical contemporânea: o uso da Inteligência Artificial. Em entrevista à Perligo, o músico afirmou ser fortemente contrário ao uso de IA na música, e explicou os motivos pelos quais a dupla não adota a tecnologia em seu trabalho.

Josh Dun, do Twenty One Pilots
Josh Dun, do Twenty One Pilots
Foto: @ellenartie / Rolling Stone Brasil

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"Nós não estamos usando IA. Isso me assusta", confessou. "É um camplo perigoso que estamos adentrando, com supercomputadores e machine learning [aprendizado de máquina]", opinou o músico, referindo-se às ferramentas que permitem que os computadores utilizem dados para identificar padrões e aprimorar sua capacidade sozinhos, sem precisar de programação manual.

"Também me parece que há uma intenção por trás disso", continuou Dun, refletindo sobre as Big Techs (grandes corporações de tecnologia) que dominam a infraestrutura e a retenção dos dados gerados pelas IAs. "Eu não vejo benefícios verdadeiros que podem ser obtidos com isso".

A música do Twenty One Pilots

Mesclando rock, pop e hip hop, o duo Twenty One Pilots, formado por Dun e pelo vocalista Tyler Joseph, nasceu na cena underground da música indie dos Estados Unidos e atingiu o público mainstream com seu quarto disco de estúdio, Blurryface (2015).

Joseph e Dun não possuem uma fórmula musical. Cada álbum tem seu próprio tom o trabalho mais recente da dupla, Breach (2025), apresentou uma mistura de pop-rock, indie, punk e rap com elementos mais sombrios, guitarras esfumaçadas e baixos intensos.

Segundo Dun, as músicas que ele e Joseph criam são pessoais demais para serem replicadas ou geradas por IA. "Eu também não quero soar como um velho aqui", brincou, "mas estou sentado  agora com um equipamento relativamente mínimo, mas [que é] suficiente. Eu gravei as baterias para nossos últimos dois discos aqui, e eu sinto que tenho todas as ferramentas que preciso para fazer isso".

O artista ressaltou que todos os seus discos e canções favoritos são marcados por "micro decisões" exclusivamente humanas, e pela imperfeição característica das performances ao vivo. "Tipo, cara, o tono dessa guitarra deve ter levado três dias para alguém conseguir aceitar perfeitamente", exemplificou.

Há músicas que eu gravei como três baterias diferentes em duas salas diferentes. E há algo sobre o elemento humano dessas decisões e também sobre a performance humana. Sabe, o Tyler tocando o teclado, cantando no microfone, eu tocando a bateria e buscando intencionalmente as batidas mais 'sujas' e difíceis.

Como artista, Dun é contra o uso de ferramentas automatizadas na composição e não enxerga um propósito em engajar com a IA. O baterista reforçou que o valor do Twenty One Pilots está exatamente na conexão humana da música com o público: "Há algo que eu sinto que simplesmente não pode ser replicado pela IA".

Mudanças na IA na música

Recentemente, mudanças na recepção da IA na indústria musical têm gerado polêmica. A plataforma de geração de música Suno, que foi processada por grandes gravadoras por violação de direitos autorais em 2024, lançou um novo conjunto de modelos de IA treinados com gravações licenciadas da Warner Music Group. Esta foi a primeira grande gravadora a chegar a um acordo com a empresa.

Dun ressalta que as possibilidades da IA ainda são um "campo desconhecido" pela maior parte da população, e acredita que "há ferramentas que podem ser usadas" para determinadas funções mas a dupla garante não usa e não irá usar "nenhuma delas para a nossa música". Assista a entrevista completa:

https://www.youtube.com/watch?v=yZ-kgrxBTEg

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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