John Legend diz que poderia conversar com Kanye West 'de homem para homem', mas não fazer música com ele
Ao lançar 'Muse', seu primeiro álbum em quatro anos, com produção integral de Pharrell, o cantor falou à Complex sobre a distância que mantém do ex-colaborador
Ao lançar o álbum Muse, produzido por Pharrell Williams, John Legend refletiu sobre sua relação com Kanye West, ex-parceiro criativo. Legend declarou que aceitaria ter uma conversa privada com o rapper, sem guardar rancor pessoal, mas descartou qualquer colaboração musical em um futuro próximo. Para o cantor, os pedidos de desculpas de West não compensam os danos causados por suas declarações preconceituosas contra comunidades negras e judaicas, inviabilizando parcerias artísticas.
John Legend lançou Muse em 23 de outubro — seu primeiro álbum completo em quatro anos, produzido integralmente por Pharrell Williams e gravado no estúdio que o produtor mantém na sede da Louis Vuitton, em Paris. O projeto marca uma virada na carreira do cantor, que por anos esteve ligado artisticamente à G.O.O.D. Music, de Kanye West: todos os álbuns dessa fase tiveram West como produtor executivo — o que, segundo o próprio Legend, tornava inviável, à época, uma parceria de produção integral com outro artista. Às vésperas do lançamento, ele falou à Complex sobre a liberdade criativa que tem hoje — e sobre o que restou da relação com o ex-chefe.
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A distância entre os dois é assunto conhecido, mas Legend foi específico ao explicar onde está hoje. Ele não descartou um encontro com Kanye West, mas impôs condições: seria uma conversa privada, sem câmeras e sem declarações públicas. "Se a gente conversasse, não seria uma reunião pública. Seria de homem para homem, numa conversa privada", disse. Ele acrescentou que West não o procurou, e que tampouco o procurou. Não há rancor pessoal, garantiu: "Não tenho dificuldade em perdoar ninguém por qualquer ofensa pessoal. Ele disse algumas coisas sobre mim, mas não fez nada com a intenção de me prejudicar".
O problema, para Legend, não está no que West fez ou disse diretamente a ele, e sim no impacto público dos comentários antissemitas e das declarações que o rapper fez, nos últimos anos, sobre comunidades negras e judaicas. "O que precisa de perdão não é nada que ele tenha feito contra mim. O que ele fez à sociedade foi muito prejudicial. O que ele disse sobre comunidades inteiras foi muito prejudicial". Em janeiro de 2026, West publicou no The Wall Street Journal um anúncio de página inteira pedindo desculpas pelos comentários antissemitas e refletindo sobre o transtorno bipolar. Para Legend, o gesto não basta: "Eu sei que ele se desculpou naquele comunicado do WSJ, mas não acho que isso seja suficiente para cobrir o dano que ele causou".
Na prática, uma colaboração musical está fora de cogitação por enquanto. "Não acho que tenho interesse em fazer arte com ele por causa de tudo isso. Não consigo ver isso acontecer num futuro próximo. Quem sabe, daqui a cinco, 10 anos?". Muse representa justamente o caminho contrário: Pharrell, que assumiu a produção depois de convidar Legend para gravar em Paris, incentivou-o a explorar um estilo mais falado em certas faixas — como em "Fireflies", em que os versos se afastam das baladas de piano que consagraram Legend. A conexão entre os dois nasceu de uma participação de Legend em "The Birds Don't Sing", do Clipse, que levou Pharrell a construir um álbum inteiro em torno de sua voz. O resultado inclui "Bodies on the Floor", com Pusha T e Malice, dirigida por Paul Hunter.
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