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Interscope afirma que Summer Walker deverá pagar US$ 50 milhões caso rescinda o contrato com a gravadora

A gravadora ajuizou uma ação na sexta-feira após a cantora e compositora anunciar o encerramento de seu contrato com base em uma lei trabalhista da Califórnia

12 out 2026 - 08h57
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Resumo
A Interscope Records processou a cantora Summer Walker, exigindo mais de US$ 50 milhões por quebra de contrato após ela anunciar sua saída com base na "regra dos sete anos" da Califórnia. A gravadora alega que a artista ainda deve dois álbuns e um EP previstos no acordo de 2017. Já a defesa de Walker, que considera as cláusulas abusivas e com baixos repasses de lucros, afirma confiar em sua posição jurídica e prepara uma contraofensiva para tentar anular a exigibilidade contratual.

A cantora de R&B Summer Walker, indicada ao Grammy, enfrenta uma nova disputa judicial de US$ 50 milhões com sua gravadora após anunciar a rescisão de um contrato que especialistas da indústria musical já haviam descrito como "brutal".

Summer Walker no Ford Field, em agosto de 2025
Summer Walker no Ford Field, em agosto de 2025
Foto: Scott Legato/Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Na nova ação, de sete páginas, obtida pela Rolling Stone, a Interscope Records, pertencente à UMG, afirma que Walker ainda deve entregar à gravadora dois álbuns de estúdio e um EP, conforme o contrato assinado em 2017 e alterado posteriormente. A empresa alega que as "gravações não entregues continuam devidas e pendentes", embora Walker tenha invocado recentemente a lei trabalhista da Califórnia conhecida como "regra dos sete anos". Em geral, essa norma limita a sete anos a duração dos contratos de prestação de serviços pessoais, incluindo os fonográficos.

"Como consequência direta e imediata do descumprimento de Walker em entregar as gravações pendentes, a UMG sofreu e continuará sofrendo prejuízos, incluindo, entre outros, os lucros que teria recebido caso Walker tivesse cumprido todas as suas obrigações contratuais", afirma a nova ação. "A UMG tem direito a receber uma indenização superior a US$ 50 milhões pelas gravações não entregues".

A disputa judicial começou depois que Walker informou à Interscope, em agosto, que em breve deixaria de prestar os serviços previstos no contrato. "Esta carta serve como notificação oficial de que, a partir de 27 de agosto de 2026, a Sra. Walker não mais prestará serviços nos termos do contrato, em razão de ele não ser mais juridicamente exigível", dizia sua carta à gravadora, segundo a nova ação.

A Interscope argumenta que a "não entrega" de todas as gravações previstas no contrato obriga Walker a indenizar a gravadora. Segundo a ação, o contrato original, de 2017, e seus aditivos posteriores exigiam a entrega de cinco álbuns de estúdio. Os projetos anteriores da cantora, Last Day of Summer (2018) e CLEAR (2019), foram classificados como "projetos pré-álbum" e não foram incluídos nessa contagem.

A disputa ocorre após anos de questionamentos sobre o contrato de Walker com a gravadora. Especialistas da indústria musical que analisaram uma minuta para a Rolling Stone descreveram seus termos como "brutais", destacando a duração incerta e a pouca flexibilidade para a cantora. A versão final, também obtida pela Rolling Stone, continha condições igualmente restritivas. Walker receberia um adiantamento inicial de apenas US$ 110 mil, com valores maiores para os álbuns seguintes. A taxa de direitos autorais dos dois primeiros álbuns foi fixada em 16%. Isso significa que a cantora receberia 16 centavos por dólar da receita aplicável, mas apenas após a recuperação do adiantamento e de outros custos descontados de seus ganhos.

Keith Moten, advogado da cantora, afirmou em um comunicado à Rolling Stone que a equipe está ciente da ação movida pela Interscope. "Embora estejamos decepcionados com a decisão da Interscope de recorrer à Justiça, estamos confiantes na posição jurídica de Summer e em seu direito de contestar a continuidade da exigibilidade de seu contrato fonográfico com a Interscope", diz o comunicado. "Pretendemos nos defender vigorosamente das alegações da Interscope e buscar as medidas judiciais cabíveis".

Moten afirmou que Walker pretende apresentar uma reconvenção contra a gravadora. "Summer continua aberta a uma solução construtiva. Ela espera que a questão possa ser resolvida de uma forma que respeite os interesses de todos os envolvidos e evite um litígio desnecessário ou prolongado", disse Moten. "Enquanto isso, Summer segue focada em sua música, em sua arte, em seus filhos e em seus fãs".

"Embora continuemos esperançosos de que nossas conversas em andamento levem a uma solução amigável, o prazo legal torna necessário ajuizar a ação para preservar os termos do nosso contrato", afirmou um porta-voz da Interscope em um comunicado enviado à Rolling Stone. "Temos grande respeito por Summer e por sua música e gostaríamos de ter a oportunidade de dar continuidade à nossa parceria bem-sucedida".

A nova ação, ajuizada no Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, pede uma indenização de pelo menos US$ 50 milhões, com valor a ser determinado no julgamento. A gravadora também solicita juros referentes ao período anterior à sentença, custas processuais e quaisquer "medidas adicionais" que o tribunal considere apropriadas.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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