Hibria corrige rota com novo vocalista em 'On the Shortness of Life'
Banda gaúcha de heavy/power metal, que havia tentando — sem grande êxito — ampliar o leque nos últimos trabalhos, chega ao 9º álbum de estúdio acertando ao priorizar essência
O Hibria surgiu em 1996 como nome bastante promissor de uma segunda geração de bandas do heavy/power metal brasileiro, tais como Dark Avenger e Heaven's Guardian. A confirmação desse potencial veio com o disco de estreia, Defying the Rules (2004), aclamado sobretudo no Japão.
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Ao contrário dos contemporâneos supracitados, o grupo de Porto Alegre conseguiu manter uma regularidade de lançamentos e construiu uma discografia constante. No entanto, é fato também que os últimos trabalhos ficaram aquém do sarrafo estabelecido pela própria banda.
Me7amorphosis (2022) e Moving Ground (2020), em especial, haviam desviado consideravelmente da essência do Hibria, tentando agregar mais peso e groove em alguns momentos. Não deu certo, e é essa correção de rota que o novo On the Shortness of Life se propõe a fazer.
https://www.youtube.com/watch?v=PGFWt5exWuU&list=RDPGFWt5exWuU&start_radio=1&pp=ygULaGlicmlhIDIwMjagBwE%3D
O nono álbum de estúdio dos gaúchos, lançado em 8 de agosto, marca a estreia do vocalista Ângelo Parisotto, que se sai bem na missão de substituir o frontman origial Iuri Sanson - algo que Victor Emeka não havia conseguido em Me7amorphosis.
Ângelo tem um timbre mais grave/agressivo que o de Iuri Sanson, extremamente agudo, e acerta ao não tentar replicar o antecessor. Em certos momentos, menos power e mais heavy tradicional, como em "Melting Alive", sua voz remete à de Chris Boltendahl (Grave Digger).
Livremente inspirado no ensaio Sobre a Brevidade da Vida, do filósofo estoico Sêneca, o disco tem viés conceitual e se ampara, a grosso modo, na temática do tempo. Seja em termos da finitude humana ou de como as decisões que tomamos em vida nos afetam enquanto indivíduo.
https://www.youtube.com/watch?v=cV8llwk6JJs&list=RDcV8llwk6JJs&start_radio=1&pp=ygULaGlicmlhIDIwMjagBwE%3D
"Undying" foi um acerto como primeira faixa, pois é muito representativa do que esperar de On the Shortness of Life como um todo. Há boas harmonias, um refrão poderoso e excelência no trabalho de guitarras, liderado por Abel Camargo, fundador e único integrante original remanescente.
Já "Fire Away", "Persist" e o outro single, "Against the Wall", transitam por diferentes influências, que podem ir de Angra a Megadeth, no sentido de dar ênfase tanto aos vocais carregados de emoção como aos solos elaborados.
Embora tenha sido escolhida como videoclipe, "Pulse" talvez seja uma das músicas menos interessantes do repertório. Como desfecho do álbum, a banda se arrisca num épico de 16 minutos que é a faixa-título, obtendo resultados variados. Há ótimos momentos nela, mas outros nem tanto. Um risco praticamente inevitável em se tratando de uma composição dessa duração.
Em suma, porém, On the Shortness of Life tem mais acertos do que erros e, num determinado sentido, reinventa o Hibria perante sua própria trajetória. É provável que ele não supere a adoração que os fãs têm por Defying the Rules — principalmente os japoneses —, mas cumpre sua missão de recolocar a banda no caminho correto.
*O álbum On the Shortness of Life, do Hibria, estará disponível nas plataformas digitais neste sábado, 8.
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