Fake Number: eles acreditaram ser possível
- Márcia Pereira
- São Paulo
Ter uma banda que ganhe as paradas de sucesso é um sonho recorrente de quase todo adolescente, que pode ou não perdurar até a idade adulta dependendo do grau de fé, de dedicação e, também, de paciência de cada sonhador. E para os que se recusam a aceitar que "o sonho acabou", exemplos como o da banda teen Fake Number só alimentam ainda mais a imaginação dos aspirantes a astros do dial.
Tudo começou em 2005 quando os amigos Rony, baterista, e Pinguim, guitarrista, resolveram garimpar na internet parceiros que estavam na mesma sintonia musical que eles. Encontraram no meio do caminho os paulistanos Mark (baixo), Ga (guitarra) e Elektra (vocal). Era o embrião da Fake Number.
A primeira apresentação foi em esquema "café com leite", na festa de 16 anos de Elektra, com a presença de cerca de 100 amigos. "Na época, fazíamos cover do Dead Fish, Avril Lavigne, My Chemical Romance e Pitty", conta a vocalista, que carrega no visual e no jeito algumas características da sua maior influência nos palcos, a vocalista da banda americana Paramore, Hayley.
O primeiro single e clipe foi feito após uma providencial vaquinha entre os integrantes da banda, no estúdio de nome sugestivo Midas, em São Paulo, em 2006. A performance chamou a atenção do todo-poderoso do lugar, o caça-talentos Rick Bonadio, que ficou de olho nos garotos.
O primeiro CD, Cinco Faces de Um Segredo, foi lançado pelo selo da gravadora carioca Urubus. As 1.000 cópias esgotaram em quatro meses. A aritmética foi suficiente para Bonadio convidar os garotos para fazerem parte do cartel estrelado de jovens e bem-sucedidas bandas de sua gravadora. Em agosto de 2008 assinaram com a Arsenal Music e vão lançar seu primeiro CD com a nova gravadora, Fake Number, no início de 2010.
Um ano depois, os meninos de cabelo tipo mullet desgrenhado - típico das bandas-emo, mas que num passado não muito distante enfeitava, de maneira mais estruturada e menos desconstruída, a cabeça de "primos" românticos e sertanejos - e a garota descolada, com seus piercings, sua franja e sombra alaranjada abriam um badalado show na capital paulista, com a presença de mais de 7 mil pessoas - o Close Up 2, dividindo o palco com os colegas de gênero e gravadora NX Zero e Fresno.
A competência e o domínio de palco da banda - Elektra do alto de seus 19 anos domina a galera como ninguém e até mesmo saias justas técnicas (como a de ficarem sem o som do baixo, no meio da apresentação) são tiradas de letra - hipnotizam e conquistam seus seguidores: uma horda de teenagers ruidosos e fervorosos, que ainda precisam que seus pais os levem nos shows.
Sim, é possível acreditar num sonho de se apresentar para milhares e assinar com uma gravadora influente, assim como as mais de 200 bandas que já se inscreveram na promoção Hit Zero, do festival Planeta Terra.
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