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Earl Sweatshirt está certo: 'Don't Worry' é uma ótima música do Drake

As performances virais, em estilo karaokê, do herói do underground com esse lado B de 'Iceman' são um lembrete do que Drake ainda faz melhor do que quase qualquer pessoa

20 ago 2026 - 14h06
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Resumo
O rapper Earl Sweatshirt viralizou ao cantar "Don't Worry", faixa do álbum Iceman (2026) de Drake, no encerramento de seus shows. A atitude reabriu debates entre fãs, mas evidencia a força da canção, que resgata a essência de Drake ao transformar fantasias de vingança e mesquinharias cotidianas em melodias envolventes. O episódio reforça a relevância contínua do artista na cultura pop por sua habilidade única de traduzir impulsos humanos obscuros em música acessível e altamente identificável.

Até o mais convicto hater do Drake provavelmente consegue citar pelo menos uma música dele que "funciona". Para o bem ou para o mal, Aubrey Graham passou quase duas décadas dando voz ao subconsciente millennial com mais habilidade do que qualquer músico mainstream — exceto alguém como Taylor Swift —, servindo de trilha para os medos, inseguranças e delírios românticos de uma geração criada no melodrama dos reality shows e na primeira onda do ethos de "protagonista" das redes sociais. Não surpreende, então, que Earl Sweatshirt, o poeta laureado do rap underground, tenha destacado a faixa menos óbvia "Don't Worry", do Iceman (2026), cantando-a em clima de karaokê para encerrar seus shows recentes. A música é a destilação mais pura do apelo do Drake desde a era Take Care (2011) e um lembrete discreto de por que é difícil imaginá-lo desaparecendo tão cedo.

Foto: Prince Williams/Wireimage / Rolling Stone Brasil

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Nos vídeos, que começaram a circular no fim de maio, durante a turnê Home on the Range do Earl com MIKE — logo após o projeto produzido pelo Surf Gang, Pompeii // Utility (2026) —, é a virada final da canção que deixa o Earl e companhia mais empolgados. "Eu só quero ver aquele cara implorar no asfalto", canta Drake, no tipo de fantasia de vingança que ele construiu uma carreira inteira conjurando. E continua: "Só quero ver aquele cara se enrolar pra pagar a conta do celular", ficando específico. "A conta de luz/É assim que eu me sinto".

É uma mesquinhez de nível PhD, com um toque estranhamente identificável. É preciso conhecer os cantos mais traiçoeiros de estar sem grana para localizar a humilhação de se enrolar para pagar a conta do celular — e aqui está Drake desejando esse azar a qualquer um que esteja "trippin' with the gang". Embora todo o catálogo dele seja movido por esse tipo de traição anônima, aqui o golpe acerta mais forte. Dá para sentir a ardência do rap beef de 2024 no prazer com que Drake canta seu troco imaginado, em cima de uma melodia contagiante, enquanto basicamente faz um discurso que você esperaria do Coringa. "Talvez eu mande bater naquele cara só por diversão", ele canta.

Isso é Drake clássico: transformar pensamentos mais sombrios — aqueles que a maioria das pessoas teria vergonha de admitir — em algo quase bonito. De certo modo, ele é a Lena Dunham do rap, encontrando arte do outro lado do cringe.

https://www.youtube.com/watch?v=e3Td8oVfhjs

Mais recentemente, vídeos do Earl cantando a música no fim de diferentes datas da turnê — um gag em andamento a essa altura — viralizaram graças às intermináveis guerras de stans entre fãs do Kendrick e do Drake. Alguns, incapazes de negar a credencial do Earl como rapper, presumiram que tudo não passava de trollagem. Outros viram nisso a prova de que Drake "venceu" a treta. A terceira opção, claro, é que a música é realmente boa — e do tipo que Drake sabe fazer como poucos.

No auge da treta, como qualquer millennial no meio de um racha no grupo de amigos, Drake parecia estar revendo The Sopranos, postando fotos da série nos Stories do Instagram. (O single de sucesso de Iceman, "Janice STFU", sampleia Tony Soprano dizendo a frase infame para a irmã, Janice.) "Don't Worry" tem um ar maquiavélico de filme clássico de gângster: uma determinação de vingança a qualquer custo, um desejo de ver os inimigos sofrerem. Ao longo de um álbum inteiro, esse clima pode pesar, mas você tem que admitir: quando bate, bate. E é por isso que Drake segue como figura fixa não apenas no hip hop, mas na cultura pop em geral. Ele reconstrói impulsos vergonhosamente humanos como melodias irresistíveis. "Don't Worry" pode muito bem virar o hit escondido de Iceman, já que os vídeos dos shows do Earl já começaram a impulsionar a presença da faixa nos feeds.

Como costuma acontecer, Earl Sweatshirt simplesmente diz a verdade.

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Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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