Script = https://s1.trrsf.com/update-1789154714/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

É oficial: 80 é o novo 60 nas estradas

Bob Dylan, Neil Young, George Clinton, Paul Simon, Van Morrison e muitos outros simplesmente não param de fazer shows de rock incríveis

17 set 2026 - 19h07
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Veteranos da música com mais de 80 anos, como Bob Dylan, Paul McCartney e Willie Nelson, provam que a idade não é um obstáculo para dominar os palcos. Longe de esconder as marcas do tempo ou apenas reviver glórias passadas, essas lendas continuam entregando apresentações enérgicas e desafiadoras. Eles seguem em turnês intensas não por obrigação, mas pela paixão visceral pela estrada, mostrando que se sentem mais vivos do que nunca diante do público e redefinindo os limites da longevidade artística.

Alguns dos melhores shows da Terra hoje em dia vêm dos guerreiros da estrada que estão na ativa há mais tempo. Os mais resistentes estão na casa dos oitenta: Bob Dylan, Neil Young, George Clinton, Paul McCartney. Esses são os incansáveis veteranos que têm isso no sangue — aqueles que não conseguem parar. Eles estão prosperando na estrada na década de 2020 porque é onde se sentem em casa, e não estão guardando uma gota para o ano que vem. Essas lendas já superaram a fase de esconder as falhas em suas vozes ou as rugas em seus rostos. Isso é coisa de criança. Em vez disso, eles exibem suas vozes octogenárias como se estivessem mostrando cicatrizes de batalha.

Foto: Gary Miller/Getty Images / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @terrasonora

Dylan é um exemplo de como manter a criatividade: ele canta o que bem entende, com toda a energia que sua voz rouca de 85 anos ainda tem em qualquer noite. Ele tem sido formidável durante todo o verão, apresentando covers de Bo Diddley e Charlie Rich com a ajuda de um trio rotativo de guitarristas virtuosos do jazz (Julian Lage, Jad Tariq e Joel Paterson). Mas ele é o novato lá em cima. O senhor: Willie Nelson, aos 93 anos, que passa o show sentado, mas tocando seu inconfundível violão com aqueles dedos ainda poderosos. Quando não consegue alcançar as notas, ele simplesmente canta as músicas, sem perder a garra. Ver Willie cantando "Funny How Time Slips Away", um clássico country que ele escreveu há mais de 60 anos, enquanto toca aquele violão — não é apenas uma inspiração, é um desafio, como se ele estivesse dizendo: "O que você está fazendo com o seu tempo que está se esvaindo?"

George Clinton passou o ano passado na estrada, celebrando a magia do P-Funk. Para sua turnê de 2026, ele construiu uma nova nave-mãe para pousar no palco, já que a original agora está no Smithsonian. Paul Simon anunciou sua aposentadoria em 2018, citando sua perda auditiva, mas fez um retorno surpresa no ano passado, explicando que a nova tecnologia finalmente lhe permitiu se ouvir novamente. Seus shows desde então têm sido verdadeiramente inspiradores, focados em material novo com o qual ele se importa pessoalmente: seu álbum de 2023, Seven Psalms. Isso significou muito mais do que um show inteiro de clássicos poderia ter significado. No entanto, também foi emocionante ouvi-lo reinterpretar canções menos conhecidas dos anos 80, como "Rene and Georgette Magritte with Their Dog After the War", uma música que agora está mais distante no tempo do que a Segunda Guerra Mundial estava naquela época.

Van Morrison, que acaba de completar 81 anos, tem arrasado na estrada com seu repertório de covers de blues clássico — que provavelmente despertam seu espírito celta muito mais do que mais um verão cantando "Brown Eyed Girl". O veterano vocalista dos Beach Boys, Al Jardine, está arriscando como artistas veteranos devem fazer, trazendo o clássico cult "Love You" para os palcos. Rod Stewart manteve sua turnê de despedida por mais de um ano, nunca desistindo cedo demais. Micky Dolenz ainda consegue alcançar as notas mais altas em "The Porpoise Song". Ringo Starr passa todo o show da All-Starr Band em movimento — se não está tocando bateria, está rebolando. Quando criança, com saúde frágil, Starr não tinha expectativa de chegar aos 18 anos, mas aqui está ele, aos 86. Seu companheiro dos Beatles também impressionou a todos com sua turnê norte-americana no último outono. Ninguém realmente entende por que McCartney continua se esforçando ao máximo, fazendo shows maratonas com entusiasmo sobre-humano, mas ele continua adicionando novos desafios. Uma das suas maiores alegrias é ver o quão irritadiço ele fica quando chega a hora de ir para casa — todos nós deveríamos ter a sorte de odiar alguma coisa na vida tanto quanto McCartney odeia sair do palco.

Young vem de dois anos intensos de shows ao vivo, primeiro com o Crazy Horse e depois com o Chrome Hearts. E embora tenha cancelado a maioria das datas de sua turnê para 2026 ("Só precisava de um descanso", escreveu aos fãs), ele voltou neste outono. Os Stones tiveram que adiar seus planos de turnê — infelizmente, nem todo mundo pode ser um fenômeno da natureza como Mick Jagger, que se move melhor aos 83 anos do que você jamais conseguirá. Mas, afinal, ele não chegou a esse ponto por acaso — Mick, filho de um professor de educação física, começou a levar o condicionamento físico a sério muito antes de outras estrelas do rock.

Stevie Nicks, prestes a completar 78 anos, nunca esteve tão em alta. Ela passou boa parte do ano passado lotando arenas e vivendo a melhor fase de sua vida. Geddy Lee e Alex Lifeson, do Rush, são apenas jovens de 73 anos, mas se aposentaram das turnês há uma década, anos antes da morte de Neil Peart, então foi um sinal muito animador quando retornaram de forma tão triunfal este ano. "Alex e eu fizemos uma profunda reflexão", anunciou Geddy Lee em outubro, "e chegamos à conclusão de que sentimos muita falta disso." Bem dito — isso explica muito bem por que esses veteranos anseiam pela estrada.

Mas chega de falar dos jovens, certo? Nenhum desses octogenários lendários está em turnê para reviver o passado. Eles estão voltando porque é aqui que se sentem vivos. E são os melhores no que fazem justamente porque precisam estar aqui. Como Young resumiu há tantos anos — para os jogadores e batalhadores, esta noite é a noite.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra