Dwayne 'The Rock' Johnson está 'explorando' uma carreira musical. Seu novo vídeo é um bom começo
O astro estreia um novo videoclipe emocionante, "Your Dad", e revela que está levando a sério a ideia de seguir uma carreira como cantor
Dá para ouvir o que Dwayne 'The Rock' Johnson está cantando? Johnson sonhava em se tornar um astro do country quando era adolescente, mas sua carreira musical profissional, tecnicamente, remonta a "It Doesn't Matter", faixa de 2000 de Wyclef Jean, na qual ele soltou alguns bordões gritados. Johnson exibiu aqui e ali, ao longo dos anos, sua voz firme para cantar e a batida no violão em talk shows, mas seu verdadeiro avanço musical aconteceu em Moana (2016), quando, no papel do semideus Maui, cantou "You're Welcome", composta por Lin-Manuel Miranda — música que chegou a 1,8 bilhão de reproduções só no YouTube.
🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @terrasonora
Mas Johnson se orgulha ainda mais de sua empreitada musical mais recente, a comovente "Your Dad", faixa que ele coescreveu com Iam Tongi, cantor havaiano que venceu o American Idol (2002) em 2023. (Estamos estreando o vídeo da música acima.) A canção é um dos destaques do recém-lançado Moana: Voices Across the Ocean (2026), álbum complementar à recente versão live-action de Moana. Johnson foi produtor executivo do álbum com sua esposa, Lauren Hashian, ao lado de Tiana Nonosina Liufau e Kayla Fa'amaligi, que também coreografaram o filme e ajudaram a garantir sua precisão cultural.
Johnson entrou em uma chamada no Zoom com a Rolling Stone EUA para falar sobre a nova música, paternidade, suas aventuras adolescentes em Nashville — e por que está levando a sério a ideia de seguir na música.
Quem realmente te conhece sabe que você sabe cantar.
Bom, obrigado, cara, por dizer isso. É um elogio muito legal. Eu agradeço. Eu sempre gosto de dizer que eu canto com o coração — e canto em tons que não existem [risos]. Então é uma boa combinação. Crescendo, na nossa família e, de modo geral, nas famílias polinésias, há muito canto e muita dança cerimonial e coisas assim. Então isso meio que estava no ar enquanto eu crescia.
Desde muito cedo, minhas grandes influências foram Sam Cooke, Elvis, George Jones, Merle Haggard, até Johnny Paycheck. Gente assim que estava no topo de seus gêneros, e também Willie Nelson, que, por sinal, me deu meu primeiro violão. Sabe o violão Trigger que ele tem? Aquele histórico? Acho que a Martin fez só 100 daqueles e, de presente de aniversário, porque eu era muito fã, ele me deu um deles. Quero dizer, eu toco uma merda comparado a ele, mas ainda assim é um presente incrível. Enfim, esse foi meu começo na música.
Quanto de composição você tinha feito na vida antes dessa música?
Não muito. Eu escrevi um pouco com Tech N9ne naquela faixa que fizemos, "Face Off" [em 2020]. Ele me ajudou a montar aquela estrutura, porque eu amo hip hop — e country, e blues. Ele dizia: "Coloca isso aqui, fala isso assim, dobra aquilo, triplica aquilo". Foi como uma masterclass, porque ele é um dos reis. E, honestamente, fora isso, não muito.
Então, se eu puder te dar um pouco do contexto dessa música — para esse álbum que fizemos, minha esposa Lauren e eu produzimos com nossas outras duas produtoras, Tiana e Kayla. E a ideia era: "Ei, a gente adoraria que você estivesse nesse álbum. Você consegue contribuir e cantar uma música?". E eu pensei, e depois pensei: "Meu Deus, eu não sei o que eu posso cantar aqui". E eu disse: "Sinto que eu adoraria me juntar a alguém que possa me ajudar a escrever e montar algo". Então liguei para o Iam Tongi e falei: "Ei, irmão, você tem alguma coisa em mente que talvez já esteja na sua cabeça, no seu coração, que a gente possa fazer virar minha?". E ele disse: "Acho que tenho".
O que ele te enviou?
Ele me ligou de volta dois dias depois. Enviou uma música. Chamava "My Dad". Eu ouvi e fiquei muito emocionado, chorei, porque é uma música que ele escreveu cantando para os filhos pequenos que ele ainda não tem — ele vai se casar daqui a alguns meses — sobre o pai dele que faleceu. E ele diz aos filhos: "Ah, seu avô era incrível". E a outra parte da música é quando ele canta para o pai dele, que está no céu. Ele diz ao pai: "Ei, eu vou contar para eles que você moveu montanhas e enfrentou gigantes". Eu fico arrepiado.
Eu ouvi a música, liguei para ele e disse: "Eu te amo por me mandar isso, mas eu não estou pronto para cantar isso para o meu pai. Eu simplesmente não consigo". Eu tenho uma relação complicada com meu pai. Meu pai também faleceu há alguns anos. Às vezes é complicado, né?
Então como virou a sua música?
Eu disse: "Mas, Iam, eu amo a ideia dessa música e, se você puder caminhar comigo por essa estrada, podemos reescrevê-la para que eu cante para minhas filhas? Como o pai delas". E tinha um verso ótimo ali sobre "um amor mais profundo do que eu jamais conheci. Você tomou meu coração e me puxou para frente", no segundo verso.
As coisas simplesmente se encaixam quando é para acontecer, num nível quase celular. E, como você sabe sobre o Iam, além de já ser obviamente incrivelmente realizado com o American Idol, ele canta com a alma e escreve com a alma, e é tão jovem. É loucura. Então o original era "My Dad". E eu disse: "E se fosse 'Your Dad'?".
Aquela linha sobre "me puxar para frente" — quando você é pai, coisas de carreira que poderiam ter te afetado antes te afetam de um jeito diferente, né? Você tem outra coisa em que focar. Muda a forma como você lida com tudo.
Cara… é como o grande recalibrador emocional para nós, pais, né? Quando estamos com nossas filhas, você percebe: "Ah, isso é o que realmente importa. O resto importa, mas não é tão importante a ponto de te prender por dentro".
Você já fez parte de sucessos antes — a trilha de Moana e, voltando lá para 2000, com o Wyclef. Mas uma das suas ambições originais era ser cantor. É hora de se aprofundar mais na música?
Estou explorando isso agora, e agradeço você por perguntar. Conforme a vida vai andando, eu tive muita sorte de participar de projetos muito legais, e eu adoro isso. Mas a música sempre foi uma âncora para mim e, de forma bem específica, em gêneros que eu amo, como o country, o country tradicional. E estamos explorando isso agora.
Cheguei a um ponto da minha vida e da minha carreira em que, honestamente, Brian, quando eu acordo de manhã, coloco as pernas para fora da cama e, seja lá qual for a coisa que eu vou fazer, eu quero sentir que estou correndo em direção a ela. E as coisas mais gratificantes que fazemos são aquelas que fazemos por nós, porque já existe pressão suficiente para entregar para tantas outras entidades.
As coisas que fazemos, precisamos fazê-las por nós mesmos, e depois precisamos sentir isso aqui, atrás das costelas. Mas elas também estão sempre conectadas a algum tipo de comércio. Você faz filmes, especialmente os grandes filmes para todos os públicos, e quer que eles vão bem. Mas essa música, para mim, é só uma música para minhas filhas. Não existe a pressão de uma expectativa de entregar algo do tipo: "Tá, e as vendas? E a bilheteria? E as audições?". É só de mim para elas.
A ideia desse álbum foi da sua esposa?
Foi. Foi, cara. Tem sido tão gratificante, e a gente nunca tinha feito isso antes: trabalhar numa coisa em que é a mesma estrela-guia. Ela é muito talentosa. Eu pude ver esse lado dela como produtora, produtora executiva e compositora. E ela escreve muito. O pai dela era o baterista do Boston. Lembra daquela banda de rock Boston? O nome dele era Sib Hashian. Então ela já vem com uma reverência e um respeito pela música, sabe?
Lá no primeiro Moana, quando a música explodiu, ela disse: "Ei, será que a gente deveria fazer algum tipo de álbum inspirado?". Aí Moana 2 (2024) saiu alguns anos depois, e ela disse: "Ah, lembra daquela ideia?". Eu disse: "Essa é uma ótima ideia. A gente deveria fazer". E então começamos a falar sobre live action, e ela disse: "Acho que o timing agora é perfeito, porque já tivemos a Beyoncé com The Lion King (1994), o Kendrick com Black Panther (2018)". E eu jantei com executivos da Disney, e imediatamente foi um "sim" muito rápido.
Você percebe como este é um momento especial para a cultura polinésia e para artistas polinésios. Esses artistas polinésios que temos são bem conhecidos dentro do gênero, mas em escala global não são tão conhecidos. As vozes deles são lindas. No nosso álbum, tem uma faixa chamada "Family Tree", e é de um cara chamado Stan Walker, que venceu o Australian Idol (2003). Foi a primeira música que chegou para mim e para a Lauren, e para nossas produtoras, Tiana e Kayla. E ele canta com as entranhas. Então todo mundo entendeu a missão, tipo: "Ah, isso não é sobre uma dancinha de TikTok ou um refrão legal. Isso é a nossa cultura".
Tenho curiosidade sobre como é sentar na frente de um microfone e gravar uma música simplesmente como Dwayne. Você não é estranho ao estúdio, mas normalmente como ator. Dá medo?
Não deu medo, Brian. Foi libertador. Você solta um grande suspiro e só agradece ao universo por esse presente. Eu me diverti muito fazendo Maui ou participando da música do Wyclef. Mas existe caracterização nessas coisas. Existe uma performance em todas elas. Mas entrar e tirar qualquer produção grande — sem banda ao vivo, só ele com o violão. E eu em silêncio, no estúdio, com a Lauren lá, olhando fotos das minhas filhas… foi o melhor.
Quando você diz que está explorando música, que forma essa exploração pode tomar?
Talvez algo mais no gênero soul old-school, com um sabor de country. Eu amo soul old-school. Sam Cooke. De Sam Cooke, de novo, até Merle Haggard. Foi assim que eu cresci. E essas foram minhas grandes influências por causa do meu pai. Meu pai era lutador profissional, e a gente vivia na estrada; eu vivia no banco de trás do carro, porque a gente só dirigia. E toda noite uma cidade diferente. E era isso que ele ouvia. Então meu pensamento é: "Cara, eu quero ir e escrever e cantar e explorar as coisas que eu amo".
Você passou um tempo em Nashville quando era adolescente, né?
Quando eu estava no Havaí e tinha 15 anos, a gente foi despejado, em 1987, do nosso pequeno apartamento de um cômodo. Mas a gente não podia ficar na ilha, porque não tínhamos dinheiro e nem onde morar. Então fui mandado para Nashville, porque meu pai estava lá naquela época. Eu deveria morar com meu pai, mas essa situação não aconteceu… porque não aconteceu [risos].
Então, enfim, acabei morando com um cara que era um desconhecido num motel, e que virou um dos meus melhores amigos até hoje. O nome dele é Downtown Bruno. A gente não tinha dinheiro. Ele estava quebrado. Eu estava quebrado. Ele foi gentil o suficiente para me deixar morar no quartinho de motel dele. E a gente não tinha carro, mas ia para Lower Broad, em Nashville, e aquilo era o paraíso para mim porque eu amava country. Tinha o Tootsie's, o Ryman Auditorium, a Ernest Tubb Record Shop. E a gente não tinha dinheiro, mas, se você segue descendo a Lower Broad, é onde ficam os bares mais toscos e caídos. A gente ficava neles. Eu tinha 15.
Então como você foi daí para tentar cantar?
Do outro lado da rua desse motel tinha um mercado country chamado Piggly Wiggly. E eles ainda existem. Então eu estava dentro do Piggly Wiggly, roubando umas paradas, tipo donuts da Hostess. Eu pensava: "A gente vai comer de um jeito ou de outro". E eu tinha 15, então eu enfiava coisas no bolso e, enquanto fazia isso como um idiota, eu estava cantando. Eu cantava "Old Habits", que é uma música do Hank Jr. "Old habits… I kicked the habit of smoking back some time ago". Cantando, feito um idiota.
E uma mulher apareceu, olhou para mim e meio que me assustou. Eu pensei: "Puts, fui pego. Vou ser preso". E ela falou: "Você estava cantando?". E eu disse: "Tava". E ela disse: "Ah, eu só tive que vir aqui ver quem estava cantando". Ela disse: "Você é cantor?". Eu disse: "Não". Agora, veja: eu tinha 15. Eu tinha 1,93m. Eu tinha 100 quilos. Eu já tinha um bigode estilo Tom Selleck. Eu parecia ter 58. E ela disse: "Você deveria pensar em cantar". E eu disse: "É?". E ela: "Você mora aqui?". Eu disse: "Bom, eu cheguei na cidade há umas duas semanas". Ela: "Você deveria ir para a Broad Street. É lá que você consegue um trabalho".
Você foi?
Eu andava para cima e para baixo nesses bares e entrava nesses lugares. Sem violão, nada. Eu nem sabia tocar. E eu dizia: "Ei, estou procurando um trabalho". Eles diziam: "Ah, e o que você canta?". E eu dizia: "Bom, eu posso cantar…". E eu começava — eu cantava "Old Habits" para eles. Eu cantei uma música do Merle, tipo… como é mesmo? "Memories and drinks don't mix too well…".
"Misery and Gin", acho que é essa.
Isso, isso. "Misery and Gin". Ah, é a melhor. "Here I am again, mixing drinks". E eles perguntavam: "Quantos anos você tem?". E eu dizia: "15". E eles: "Ah, você é jovem demais. Você nem pode estar aqui". Aí eu aprendi a lição e, alguns bares depois, eu dizia: "Ah, tenho 22". E eles: "Hmm, podemos ver sua carteira?". Eu dizia: "Bom, eu não tenho carteira". Aí era: "Tá, sai daqui".
Então eu nunca consegui um show. Esse é o ponto, cara. Eu vou encontrar um bar caído na Broad Street e é lá que eu vou começar minha carreira de cantor.
Acho que open mics seriam difíceis a essa altura.
Eu vou fantasiado e com próteses completas.
Eu topo esse álbum country com elementos de soul.
Parece legal, né? Dá para sentir que pode ter algo aí.
Você poderia fazer um álbum inteiro de duetos, se quisesse, e aposto que as pessoas ficariam felizes em participar com você.
Ah, essa seria uma ideia muito legal. Eu tenho uma reverência e um respeito enormes por toda música, mas especialmente por Nashville. Por causa de como eu vivi isso lá e de ver todos esses artistas crescendo. Então eu quero abordar esse projeto, seja lá o que ele vai ser, com esse nível de respeito. Como você disse, se for um álbum só de duetos, mas com esse espírito de "ei, aqui está meu coração e meu amor, e aqui está o quão profundas são minhas raízes no country". É tipo… eu ficaria honrado de cantar com essa galera, sabe?
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.