Doja Cat: 'Eu não me odeio. Não sou racista. Não sou supremacista branca. Não sou nazista'
Em vídeo no TikTok, a cantora falou sobre ter crescido em um bairro predominantemente branco e relembrou a polêmica de 2023 envolvendo uma camiseta de comediante
Em desabafo nas redes sociais, Doja Cat rebateu acusações de racismo e nazismo originadas após usar a camiseta de um comediante polêmico em 2023. A cantora refletiu sobre seu processo de autoaceitação e as dificuldades na infância para abraçar a própria negritude em um ambiente majoritariamente branco, deixando uma mensagem de apoio a minorias. O posicionamento coincide com o lançamento de seu quinto álbum de estúdio, Vie, marcando uma nova fase pop em sua carreira.
Doja Cat publicou um vídeo no TikTok no qual desabafa sobre a própria trajetória e responde às acusações de racismo e apologia ao nazismo que a acompanham desde outubro de 2023. Na publicação, a cantora é direta: "Eu não me odeio. Eu não sou racista. Eu não sou uma supremacista branca. Eu não sou nazista. E vou falar mais sobre isso no futuro, mas de uma forma diferente. Eu só senti que esse TikTok era necessário e eu precisava tirar isso do meu peito".
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@dojacatfuck it ♬ original sound - Doja Cat
A situação aconteceu em 2023, quando Doja Cat publicou uma foto nas redes sociais usando uma camiseta com o rosto de Sam Hyde, comediante americano fundador do grupo Million Dollar Extreme, conhecido por piadas homofóbicas e racistas e por ligações com o neonazismo. Após uma enxurrada de críticas, a cantora apagou a foto original e publicou outra no mesmo lugar, desta vez com a camiseta fora do enquadramento. Em entrevista ao Apple Music na época, ela minimizou o episódio: "Não preciso me explicar. Não preciso me provar para um monte de pessoas que vão projetar, não importa o que eu diga". A resposta não agradou, e as acusações seguiram circulando.
No vídeo mais recente, Doja Cat vai além da polêmica e aborda algo mais profundo: a relação com a própria identidade. Ela contou que chegou a se odiar na infância, quando se mudou para um bairro predominantemente branco, por volta dos oito anos. "Eu cresci cercada por crianças brancas, com cabelos lisos, olhos azuis e pele branca, e não entendia por que eu era tão diferente. Talvez eu fosse uma das quatro crianças negras de todo o bairro que eu conhecia", disse. Filha de mãe americana e pai sul-africano, a cantora cresceu em Los Angeles e afirmou que demorou anos para entender e aceitar a própria negritude.
A artista transformou o relato em uma mensagem para quem vive algo semelhante. "Entender de onde esse sentimento veio me deixou mais forte. Muitas pessoas negras e de outras minorias passam por isso e não falam sobre o assunto. Hoje, conforme fui ficando mais velha, passei a gostar da aparência e da textura do meu cabelo. As coisas mudam. Eu mudei", afirmou. E completou: "Se você não entende sua negritude, não entende de onde veio ou sente que não se encaixa, isso pode melhorar. É importante se cuidar, buscar ajuda, se informar e se cercar das pessoas certas. Você merece amor e não merece menos".
Doja Cat vive um momento de retomada na carreira. Em setembro de 2025, ela lançou Vie, seu quinto álbum de estúdio, um retorno ao pop após o rap mais denso de Scarlet (2023), com participação de SZA e produção de Jack Antonoff, entre outros. O disco foi descrito pela própria cantora como inspirado nos anos 1980, com temas de amor e romance.
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