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Caetano Veloso lança novo disco e diz que "canção não morre"

15 abr 2009 - 12h22
(atualizado às 12h24)
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Caetano Veloso gosta de se expressar. Desde o ano passado, exerce esse direito além das entrevistas pontuais - no palco, salpicando de comentários as apresentações do espetáculo Obra em progresso, ou no blog homônimo, no qual documentou o processo de criação de seu mais novo disco, Zii e zie, gravado com os mesmos músicos da banda Cê (Pedro Sá, guitarra; Ricardo Dias Gomes, baixo e teclados; Marcelo Callado, bateria), com quem trabalha desde 2005.

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Ao tragar-se para mais uma sessão de idéias e reflexões ao Jornal do Brasil a respeito da decantada obra (a inspiração de suas letras, repletas de referências sexuais e ao Rio, a convivência com instrumentistas até quatro décadas mais jovens e o suposto "fim da canção" anunciado por alguns luminares da MPB), sentiu-se no seu púlpito particular. Trajando camisa polo verde e calça cáqui, relaxado e bem-humorado, ele recebeu a reportagem em um hotel no Leblon.

Como foi manter um blog? É algo natural para você, que é um artista que gosta de dar opiniões, não é?
No começo eu não havia pensado em blog, só nos shows semanais do Obra em progresso. Mas o Hermano Vianna, que adora internet, me propôs fazê-lo e eu topei. Terminou que ficamos discutindo quaisquer assuntos, fiquei gostando das pessoas que escreviam lá. E blog é um veículo natural pra isso. Eu não vou manter o blog após o lançamento do CD. Mas para a feitura do disco eu curti falar sobre todas as coisas, com muita gente e publicamente. Conversava com fãs no blog, mas eram pessoas que já vinham com perguntas desenvolvidas.

Você declarou no blog que em Zii e Zie compôs pensando na banda. Foi assim mesmo?

Sim. Houve essa diferença básica, de que no criamos uma banda para fazer o disco, e no CD novo, já havia a banda pronta, todos reunidos. Do disco anterior para cá, gravamos, fizemos excursão e depois é que partimos para fazer um novo álbum. Nosso trabalho acabou ficando não só mais maduro como também mais maleável.

Os músicos trazem muita informação nova para o som?
Algumas coisas, sim. O Ricardo (Dias Gomes), por exemplo, me gravou um CD com coisas que ele gosta de ouvir. Mas também apresento a eles coisas novas. Inclusive eu é que levei Animal Collective para eles, porque foi uma banda que vi ao vivo em Nova York. Também apresentei Arctic Monkeys e TV On The Radio.

Sendo você o mais velho da turma, como funciona a troca dentro da banda? Você diria que em relação às suas formações anteriores a banda Cê é a que tem a maior curiosidade em relação às coisas novas?
É engraçado porque ele mostram muita coisa antiga, como gravações do Edison Machado das quais eu nem me lembrava. A diferença é que eles não têm especialização ao selecionar o que vai compor a bagagem. Os músicos com os quais eu toquei tendiam muito para o jazz. Os músicos da banda Cê ouvem mais rock do que qualquer outra coisa. Mas nem por isso tocam mais rock.

O que ficou em você do contato tão próximo com esses músicos?

Muita coisa. Mas nem estava atento com relação à questão da idade. O interesse que me uniu a Pedro, que criou a banda para mim, foi musical e de gosto. Ele já trabalhava comigo antes. Quando esbocei o Cê, mostrei a ele o que tinha feito e perguntei quem tocaria com a gente. Não sabia se ele iria me sugerir alguém de 50 anos ou de 27. Ele me disse que escolhera os outros músicos porque achou que, pelo material que eu mostrara, seriam os mais indicados. Que tudo o que eu falasse eles sabiam a referência. E de fato isso aconteceu.

O Pedro Sá também está presente nas fotos do disco, que foram feitas com uma câmera de lomografia por ele. Você conhecia essa técnica?

Não, conheci através do Pedro. Ele apareceu no estúdio com uma câmera soviética de plástico, de um verde cafona. Fez uma série de fotos em que usou um filme vencido. Depois, olhei para a que está na capa e falei: "Isso é tudo o que eu quero". Essa foto do final do Leblon chuvoso, de tarde... Era tão forte que vi que não daria mais para fazer o disco com fotos normais. E tem uma coisa de transe, que vem das fotos em dupla exposição.

Por sinal é um disco carioquíssimo nas letras. A ideia foi refletir o clima do Rio?

Ele é carioca de nascença e de formação porque decidi ficar o ano passado inteiro no Rio. Fui vendo que o disco ficava praticamente ligado às coisas e aos lugares do Rio. Tinha um espírito de crônica.

O sexo também está muito presente nas letras, não é?

Nunca foi um assunto ausente das minhas canções, mas o Cê foi um pouco mais explícito nisso e restou para o disco novo. Isso aconteceu no Cê por ser um disco mais individual e por ter uma aproximação com o rock, que tem uma conotação sexual. O que também motivou assuntos como sexo, assuntos mais quentes, mais violentos aparecessem.

Você compartilha das recentes teses de que a canção acabou?

Concordo que chegamos ao fim da canção gravada em disco, como era no século 20. É um tipo de canção que está no fim do ciclo. Mas a canção, como um conceito geral, não morre, porque vai achar outras fórmulas. A maneira como ela chega ao público é que está mudando.

Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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