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C6 no Rock tem saldo final positivo com nostalgia dos anos 1980; leia o balanço

Festival no Parque do Ibirapuera teve boa adesão do público e grandes shows de Os Paralamas do Sucesso, Marina Lima, Blitz e Tributo a Cazuza

24 ago 2026 - 16h46
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Resumo
O festival C6 no Rock teve saldo positivo no Parque Ibirapuera ao resgatar a nostalgia dos anos 1980 com discos clássicos tocados na íntegra. Com destaques para Os Paralamas do Sucesso, Marina Lima e tributos a Rita Lee e Cazuza, o evento cumpriu a proposta de celebrar a história do rock nacional para uma plateia nostálgica, embora algumas apresentações tenham oscilado em vigor e a curadoria tenha perdido a oportunidade de conectar o passado a novas vozes contemporâneas.
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O C6 Fest já estabeleceu em São Paulo um clima de festival boutique, sem perrengues, com curadoria qualificada, bom serviço de alimentação e localização privilegiada: o Parque do Ibirapuera. A proposta de resgatar a década de 1980 em seu novo festival, o C6 no Rock, realizado neste sábado, 22, e domingo, 23, foi um golaço - mercadológico, inclusive.

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Desfilaram pelo palco do Auditório Ibirapuera bandas, ou o que sobrou delas, e artistas que fizeram história nos anos 1980. Eles tocaram seus discos mais emblemáticos na íntegra para uma plateia nostálgica que assistia do gramado num misto de euforia, nos hits, e estranhamento, em músicas que permaneceram esquecidas nas faixas dos LPs.

Nem tudo, porém, funcionou.

E o festival, reproduzindo no palco o clima de uma época marcada pela transição da ditadura para a democracia, com seu inconformismo e grito por justiça social e todo tipo de liberdade, perdeu a chance de acenar mais firmemente para o presente e alternar com vozes que fazem, hoje, o que esses artistas fizeram no passado.

Um dos pontos altos do segundo dia do C6 no Rock foi o tributo a Cazuza, que reuniu ex-companheiros de banca, como Frejat, e amigos
Um dos pontos altos do segundo dia do C6 no Rock foi o tributo a Cazuza, que reuniu ex-companheiros de banca, como Frejat, e amigos
Foto: C6 no Rock/Divulgação / Estadão

Se o objetivo era mesmo apenas transportar o público para os anos 1980 e celebrar artistas que fazem parte da história da música brasileira e, 40 anos depois, ainda estão na ativa, com ou sem o mesmo vigor ou a mesma voz, o festival conseguiu. Na plateia, entre um show e outro, entre um hit e outro, as conversas eram sobre histórias vividas tendo como pano de fundo os discos escolhidos para esta primeira edição do projeto filhote do C6 Fest.

O que funcionou e o que não funcionou no C6 no Rock

Os shows do sábado, dia 22

Plebe Rude

Seabra cantou com a ferocidade que o repertório pedia, amparado pelo desempenho sólido de André X, Marcelo Capucci e Clemente Magalhães, este último recém-recuperado de um problema cardíaco. Diante de um povo que "espera a ajuda de Deus", eles soaram, de fato, como comentaristas ácidos de um País que rachou há muito tempo. O Concreto Já Rachou permanece como um dos trabalhos mais relevantes da década oitentista (LEIA A CRÍTICA).

Paulo Ricardo

O cantor não exala mais aquela postura blasé que o tornou galã nos anos 1980. Hoje, é muito animado, simpático e brega. Faz caras e bocas exageradas, usa sobretudo preto de couro em dia de sol intenso e abusa das poses de rockstar. Ao celebrar Rádio Pirata Ao Vivo, do RPM, fez um show competente e nostálgico até demais (LEIA A CRÍTICA).

Titãs

O Titãs, em 2026, sem boa parte dos músicos originais, é uma banda aquém do que foi. O show realizado no C6 no Rock foi prova disso e dizer o contrário seria mentir para os fãs e ser injusto com a história da melhor banda de rock do Brasil (LEIA A CRÍTICA).

Os Paralamas do Sucesso

No palco, o entrosamento do trio é de dar inveja a qualquer banda. Basta uma troca de olhares para mudar um acorde, sair de um refrão, arrematar uma canção, etc. Eles fazem isso há décadas - e com um pé nas costas. O grupo tocou Selvagem? na íntegra e o repertório terminou de forma arrebatadora, já que houve tempo para uma fila de sucessos: Lanterna dos Afogados, Aonde Quer Que Eu Vá, Óculos e Meu Erro. Um deleite para o público, que ficou satisfeito com o melhor show do primeiro dia do festival (LEIA A CRÍTICA).

Homenagem a Rita Lee

Foi um espetáculo bonito comandado por Beto Lee, filho de Rita. Destaque para Marina Sena, que cantou Amor e Sexo e até se emocionou durante a performance. Além dela, as cantoras Letrux, Baby do Brasil e Fernanda Abreu também fizeram bonito, passeando pelo vasto repertório da Rainha do Rock. Não faltaram clássicos como Ovelha Negra, Agora Só Falta Você e Esse Tal de Roque Enrow.

Os shows de domingo, dia 23

Ira!

Mesmo já sem a voz de outros tempos, o vocalista Nasi deu seu recado - e o da banda - ao abordar o repertório do álbum Vivendo e Não Aprendendo. Foi o primeiro show do dia, teve bom público que cantou quase todas as músicas, especialmente os hits Envelheço na Cidade, Dias de Luta e Flores em Você. Pularam Pobre Paulista, letra problemática do guitarrista Edgard Scandurra que flerta com o xenofobismo (LEIA A CRÍTICA).

Blitz

Banda carioca, a Blitz de Evandro Mesquita continua afiada e foi bem no que se propôs: tocar com o mesmo vigor o álbum de estreia, As Aventuras da Blitz, o mais 'velho' do festival, lançado em 1982. Fernanda Abreu, que foi vocalista da banda, fez deliciosa participação especial cantando Weekend, A Dois Passos do Paraíso e Você Não Soube Me Amar (LEIA A CRÍTICA).

Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá

Não tem jeito: Legião sem Renato Russo sempre soará como cover, embora os dois membros da formação clássica estejam no palco. André Frateschi, ator e cantor convidado para os vocais, tem energia completamente diferente da de Renato Russo, mesmo tentando imitá-lo. Embora isso seja óbvio, não colabora para o resultado como um todo. Mais para o final da apresentação, que foi centrada no disco Dois e contou com a participação de Giuliano Manfredini, filho do ex-vocalista da banda, o show desceu a ladeira e ficou morno (LEIA A CRÍTICA).

Marina Lima

O fato de Marina tocar na íntegra e na ordem seu principal álbum e um dos melhores do rock brasileiro, Fullgás, já é um fato a se comemorar. Única mulher daquela turma dos anos 1980 - ela não era ou estava em uma banda -, a cantora e compositora já caiu nas graças da nova geração, diferentemente de outros convidados do festival. Brilha ainda a homenagem que o show é para Antonio Cicero, seu irmão e mentor do disco junto com ela. Foi o auge da parceria entre eles (LEIA A CRÍTICA).

Tributo a Cazuza

Mais coeso do que o Tributo a Rita Lee apresentado na noite de sábado, a homenagem a um dos grandes nomes dos anos 1980 empolgou o público com grandes hits e colocou talentos que eram muito próximos à vida e à obra de Cazuza. Estiveram no palco Frejat, Léo Jaime, Lobão, Leoni, além de Maria Gadu e Johnny Hooker. A banda, que tinha grandes nomes como João Barone (bateria), Davi Moraes (guitarra) e Milton Guedes (saxofone e flauta), contribuiu muito para o resultado final.

O próximo C6 no...

O desafio do C6 no... é arrumar um tema para suas próximas edições, papo já ventilado nos bastidores, para engajar novamente o público. O que se sabe é que não será sobre rock.

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Estadão
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