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Bono diz que Ed Sheeran não queria se envolver em política ao gravar música sobre guerra na Ucrânia

Público tem pressionado cantor por posicionamento após saída de Macklemore e outros artistas em apoio à Palestina

1 out 2026 - 13h46
(atualizado às 14h21)
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Resumo
Bono e Larry Mullen Jr., do U2, comentaram a aversão de Ed Sheeran a debates políticos, lembrando sua hesitação ao gravar uma faixa sobre a Guerra da Ucrânia. O posicionamento ocorre após Sheeran enfrentar protestos e debandada de músicos de sua turnê por ceder à pressão de donos de arenas e demitir Macklemore, que discursou a favor da Palestina. Pressionado pelo boicote, Sheeran quebrou a neutralidade para lamentar as perdas em Gaza e Israel, enquanto o rapper anunciou shows beneficentes.

Bono comentou a neutralidade política de Ed Sheeran em meio à recente polêmica envolvendo o cantor. O líder do U2 contou que o colega havia expressado relutância em entrar em debates políticos durante a gravação de Yours Eternally, parceria lançada em abril de 2026.

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"Ele disse 'você não vai me envolver em política, vai?'", contou Bono à Rolling Stone do Reino Unido. "Respondi: 'o soldado que inspirou essa música te amava, Ed, e você trabalhou [numa canção sobre guerra].'"

Yours Eternally é narrada do ponto de vista de um soldado ucraniano lutando na guerra contra a Rússia e foi lançado como parte do EP Day of Ash.

Citando outro colega de profissão, Brian Eno, o baterista do U2 Larry Mullen Jr. afirmou que "não é nosso trabalho criticar [quem não quer se envolver], não importa como nos sentimos". Ele, no entanto, deixou clara a posição da banda sobre a censura ao discurso político aos artistas.

Bono, do U2, comentou decisão de Ed Sheeran de não se manifestar politicamente
Bono, do U2, comentou decisão de Ed Sheeran de não se manifestar politicamente
Foto: Apple TV/Divulgação/@teddysphotos via Instagram/ Reprodução / Estadão

"Deixamos claro sobre a interferência de produtores ou donos bilionários [de arenas] e sobre a ideia de que eles possam influenciar o que dizemos no palco", disse o baterista, lembrando que o repertório do U2 sempre falou de política. "Se essa lógica [de censura] se aplicasse ao U2, estaríamos acabados com Sunday, Bloody Sunday [canção que faz referência aos 13 manifestantes católicos da Irlanda do Norte que foram mortos por soldados britânicos]."

Bono também lembrou a apresentação de Pride (In the Name of Love) no estado norte-americano do Arizona em 1987, quando o à época governador Evan Mecham tentava agir contra a criação de um feriado em homenagem a Martin Luther King Jr., símbolo da luta por direitos civis nos Estados Unidos. Escrita pelo U2 em homenagem ao ativista, a canção teve papel importante na campanha da oficialização da data.

"Nós nos metemos nesse tipo de problema. É o que fazemos e ficamos felizes de fazer, mas também precisamos reconhecer que outras pessoas podem não querer entrar nesse tipo de briga", concluiu Bono.

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Protestos contra Ed Sheeran

A cobrança sobre Sheeran se intensificou nas últimas semanas, quando o músico cedeu às exigências de Robert Kraft e outros donos de estádios, que teriam ameaçado não receber mais os shows marcados para sua turnê atual, Loop, caso ele mantivesse Macklemore como número de abertura. O rapper se tornou alvo do "boicote" após discursar em prol da Palestina sobre o palco na apresentação de 4 de setembro de 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Após o rompimento de Sheeran com Macklemore, outros músicos abandonaram a turnê Loop em protesto, incluindo Finneas, irmão de Billie Eilish, Aaron Rowe, Lukas Graham e a Beoga, que atuava como banda de apoio de Sheeran desde 2016.

Os protestos e chamados para boicote nas redes levaram Sheeran a publicar um comunicado dizendo que, apesar de não se manifestar publicamente, ele tem "causas próprias e pessoais".

Dias depois, em apresentação em 19 de setembro, o músico discursou para seu público. "O que aconteceu em Israel e no Nova Music Festival em 7 de outubro [de 2023] foi horrível e composto por séculos de dor judaica. O que acontece em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional. Nossos corações podem se partir na escala da devastação e perda de vidas civis, vidas de crianças, e as injustiças sistemáticas que vemos acontecer na Cisjordânia não podem ser ignoradas", declarou Sheeran.

Macklemore, por sua vez, anunciou que doará 1 milhão de dólares dos lucros que recebeu na turnê Loop para organizações que ajudam a Palestina, além da Free Palestine Tour, que contará com três shows na Irlanda, França e Inglaterra no final de outubro, com toda a arrecadação sendo destinada à causa palestina.

Estadão
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