Bono diz que Ed Sheeran não queria se envolver em política ao gravar música sobre guerra na Ucrânia
Público tem pressionado cantor por posicionamento após saída de Macklemore e outros artistas em apoio à Palestina
Bono e Larry Mullen Jr., do U2, comentaram a aversão de Ed Sheeran a debates políticos, lembrando sua hesitação ao gravar uma faixa sobre a Guerra da Ucrânia. O posicionamento ocorre após Sheeran enfrentar protestos e debandada de músicos de sua turnê por ceder à pressão de donos de arenas e demitir Macklemore, que discursou a favor da Palestina. Pressionado pelo boicote, Sheeran quebrou a neutralidade para lamentar as perdas em Gaza e Israel, enquanto o rapper anunciou shows beneficentes.
Bono comentou a neutralidade política de Ed Sheeran em meio à recente polêmica envolvendo o cantor. O líder do U2 contou que o colega havia expressado relutância em entrar em debates políticos durante a gravação de Yours Eternally, parceria lançada em abril de 2026.
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"Ele disse 'você não vai me envolver em política, vai?'", contou Bono à Rolling Stone do Reino Unido. "Respondi: 'o soldado que inspirou essa música te amava, Ed, e você trabalhou [numa canção sobre guerra].'"
Yours Eternally é narrada do ponto de vista de um soldado ucraniano lutando na guerra contra a Rússia e foi lançado como parte do EP Day of Ash.
Citando outro colega de profissão, Brian Eno, o baterista do U2 Larry Mullen Jr. afirmou que "não é nosso trabalho criticar [quem não quer se envolver], não importa como nos sentimos". Ele, no entanto, deixou clara a posição da banda sobre a censura ao discurso político aos artistas.
"Deixamos claro sobre a interferência de produtores ou donos bilionários [de arenas] e sobre a ideia de que eles possam influenciar o que dizemos no palco", disse o baterista, lembrando que o repertório do U2 sempre falou de política. "Se essa lógica [de censura] se aplicasse ao U2, estaríamos acabados com Sunday, Bloody Sunday [canção que faz referência aos 13 manifestantes católicos da Irlanda do Norte que foram mortos por soldados britânicos]."
Bono também lembrou a apresentação de Pride (In the Name of Love) no estado norte-americano do Arizona em 1987, quando o à época governador Evan Mecham tentava agir contra a criação de um feriado em homenagem a Martin Luther King Jr., símbolo da luta por direitos civis nos Estados Unidos. Escrita pelo U2 em homenagem ao ativista, a canção teve papel importante na campanha da oficialização da data.
"Nós nos metemos nesse tipo de problema. É o que fazemos e ficamos felizes de fazer, mas também precisamos reconhecer que outras pessoas podem não querer entrar nesse tipo de briga", concluiu Bono.
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Protestos contra Ed Sheeran
A cobrança sobre Sheeran se intensificou nas últimas semanas, quando o músico cedeu às exigências de Robert Kraft e outros donos de estádios, que teriam ameaçado não receber mais os shows marcados para sua turnê atual, Loop, caso ele mantivesse Macklemore como número de abertura. O rapper se tornou alvo do "boicote" após discursar em prol da Palestina sobre o palco na apresentação de 4 de setembro de 2026, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Após o rompimento de Sheeran com Macklemore, outros músicos abandonaram a turnê Loop em protesto, incluindo Finneas, irmão de Billie Eilish, Aaron Rowe, Lukas Graham e a Beoga, que atuava como banda de apoio de Sheeran desde 2016.
Os protestos e chamados para boicote nas redes levaram Sheeran a publicar um comunicado dizendo que, apesar de não se manifestar publicamente, ele tem "causas próprias e pessoais".
Dias depois, em apresentação em 19 de setembro, o músico discursou para seu público. "O que aconteceu em Israel e no Nova Music Festival em 7 de outubro [de 2023] foi horrível e composto por séculos de dor judaica. O que acontece em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional. Nossos corações podem se partir na escala da devastação e perda de vidas civis, vidas de crianças, e as injustiças sistemáticas que vemos acontecer na Cisjordânia não podem ser ignoradas", declarou Sheeran.
Macklemore, por sua vez, anunciou que doará 1 milhão de dólares dos lucros que recebeu na turnê Loop para organizações que ajudam a Palestina, além da Free Palestine Tour, que contará com três shows na Irlanda, França e Inglaterra no final de outubro, com toda a arrecadação sendo destinada à causa palestina.
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