Bono revela que Ed Sheeran pediu para ficar fora da política durante a gravação de 'Yours Eternally'
Em entrevista à Rolling Stone UK, o vocalista do U2 relembrou os bastidores da colaboração com o cantor britânico no EP 'Days of Ash'
Bono revelou que Ed Sheeran pediu para evitar política ao gravar "Yours Eternally", canção do U2 sobre a guerra na Ucrânia. O posicionamento de Sheeran ganhou relevância após a expulsão de Macklemore de sua turnê por manifestar apoio à Palestina, gerando a saída de outros artistas da abertura. Enquanto Bono e o baterista Larry Mullen Jr. defenderam o direito dos músicos de escolherem não se engajar, eles criticaram pressões externas de donos de estádios sobre a liberdade artística no palco.
Quando Bono e Ed Sheeran gravaram juntos "Yours Eternally", faixa do EP Days of Ash, lançado pelo U2 em fevereiro de 2026, Sheeran fez um pedido simples e direto: "Você não vai me meter em política, vai?" A pergunta ganhou outro peso meses depois, quando o rapper Macklemore foi retirado da Loop Tour de Sheeran após gritar "Free Palestine" no palco do MetLife Stadium, em Nova Jersey. Em solidariedade ao rapper, os demais artistas de abertura da turnê — entre eles Finneas, Aaron Rowe e o grupo de música folclórica irlandesa Beoga — também deixaram a excursão. Em entrevista à Rolling Stone UK, Bono falou sobre os bastidores da colaboração e os limites entre posicionamento artístico e liberdade individual.
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"Yours Eternally", que encerra o EP Days of Ash e também conta com a participação do músico e soldado ucraniano Taras Topolia, é narrada do ponto de vista de um soldado na linha de frente da guerra entre Rússia e Ucrânia. O caráter político da música era, portanto, inevitável. Ainda assim, Sheeran quis deixar sua posição clara antes de gravar. "Quando estávamos fazendo 'Yours Eternally', ele ficava dizendo: 'Você não vai me meter em política, vai?'", contou Bono. O vocalista do U2 respondeu destacando o aspecto humano da composição: "Eu disse: 'O soldado que nos inspirou amava você, Ed, e você trabalhou nessa música'". Sheeran foi firme: "Sim, mas só quero manter a minha coisa livre".
Questionado diretamente sobre a polêmica da Loop Tour, Bono preferiu não personalizar o debate. "Brian Eno disse hoje que estrelas pop são como peixinhos em um grande mar de forças enormes — religião, política. Por isso, não quero me deter em Ed, Macklemore ou naquele incidente". Em fevereiro, ao falar sobre a parceria para uma publicação do próprio U2, Bono já havia descrito Sheeran como "um redemoinho de talento" e contado que o cantor fora sincero desde o início: "Eu amo a música, amo a Ucrânia, mas prefiro não me envolver em nenhuma polêmica política agora". Bono admitiu ter respondido "claro que não" e, depois, confessou: "Pode ser que eu estivesse blefando".
O baterista Larry Mullen Jr., que voltou ao U2 após uma cirurgia no pescoço, foi ainda mais incisivo ao diferenciar a escolha individual de um artista da pressão exercida por agentes externos. "Os artistas podem escolher se querem se envolver ou não e têm o direito de fazer essa escolha. Não cabe a nós criticar isso, independentemente do que sentimos", disse. Mullen Jr. também traçou uma linha clara ao falar sobre proprietários de estádios que interferem no que acontece no palco — em referência a Robert Kraft, dono do New England Patriots e do Gillette Stadium. Segundo Macklemore, Kraft teria dado um ultimato a Sheeran e ameaçado cancelar a turnê caso o rapper se apresentasse. "Somos absolutamente contrários à ideia de que promotores e donos bilionários possam exercer influência sobre o que você diz ou faz no palco. Se aplicássemos essa lógica ao U2, teríamos encerrado a carreira em 'Sunday, Bloody Sunday'", afirmou Mullen Jr.
Bono encerrou o raciocínio com uma conclusão que se aplica tanto ao caso Sheeran-Macklemore quanto à relação entre arte e política de modo mais amplo: "O que Eno estava dizendo é que você precisa persuadir as pessoas pela razão. Não se pode tentar forçar ninguém a assumir uma posição". Sheeran, por sua vez, voltou aos palcos após a polêmica e admitiu ao público ter cometido "erros" durante o processo. Também reafirmou que suas apresentações são sobre "humanidade, não política" — a mesma posição que apresentou a Bono no estúdio, meses antes de a turnê se transformar em um caso diplomático.
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