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Black Pantera e Nervosa Surpreendem no Rock in Rio Com Roda de Fogo Para Mulheres

Crossover entre as bandas no Palco Sunset ainda teve participação de Prika Amaral e homenagem a Rita Lee

7 set 2026 - 15h13
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Resumo
No Rock in Rio 2026, Black Pantera e Nervosa uniram forças no Palco Sunset em um show potente marcado pelo peso sonoro e forte engajamento social. O trio mineiro abriu a apresentação com faixas antirracistas e discursos em defesa das mães trabalhadoras e contra a escala 6x1. Ao lado de Prika Amaral e da banda feminina Nervosa, o ápice da celebração ocorreu com uma roda de mosh exclusiva para mulheres. O encontro histórico contou ainda com um crossover final e um cover em tributo a Rita Lee.

As bandas Black Pantera e Nervosa uniram forças na tarde do sábado do metal (5) do do Rock in Rio 2026, fornecendo um dos episódios mais potentes e simbólicos desa edição. Em um verdadeiro manifesto sonoro no Palco Sunset, transformando o gramado em uma arena de resistência, celebração afro-diaspórica e peso instrumental. O encontro sintetizou o compromisso de duas forças avassaladoras do metal nacional contemporâneo com as pautas do seu tempo.

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Black Pantera transforma o Sunset em manifesto antirracista

O trio mineiro de Uberaba, formado em 2014 pelos irmãos Charles Gama (guitarra e voz) e Chaene Gama (baixo) ao lado de Rodrigo Pancho (bateria), assumiu o controle do palco logo de início. A abertura veio com a faixa "Hórus", lançada este ano, que aborda o sincretismo religioso e traz na introdução a marcante declaração: "Em nome do pai, do filho e do preto santo".

Da plateia, ouviu-se o coro "nem o pai, nem o filho", em clara alusão ao candidato à presidência Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda houve gritos de "Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*", que eram frequentemente entoados na edição 2022. Sem dar margem para o público respirar, emendaram o clássico "Padrão É o Caralho", hino de 2022 que ressoa nos festivais reafirmando que a vida humana teve origem no continente africano.

Enquanto mosh pits se abriam no público e sinalizadores tingiam o ar de fumaça, Charles gritava palavras de ordem contra o preconceito racial. Em sua terceira passagem pelo festival, o Black Pantera subiu ao Sunset impulsionado pelo álbum Continental, trabalho lançado em agosto de 2026 que funde o peso do heavy metal a elementos de rap, soul e ritmos afro-brasileiros. O disco consolida um discurso contundente de valorização da América do Sul e do Sul Global.

"Tradução" leva emoção e luta social ao palco

Imagem: Reprodução/Instagram (Gerada por IA)
Imagem: Reprodução/Instagram (Gerada por IA)
Foto: Reprodução/Instagram (Gerada por IA) / Woo! Magazine

Durante a execução de "Tradução", faixa que retrata a dura rotina de mães trabalhadoras, a emoção tomou conta do palco. O vocalista mandou um recado para a mãe, presente na plateia, estendendo a fala para uma pauta social recente: a luta pelo fim da jornada de trabalho na escala 6x1. O gesto reafirmou o DNA da banda, presente desde a estreia com "Project Black Pantera" (2015), passando por "Agressão" (2018), "Ascensão" (2022), o aclamado "PERPÉTUO" (2024) e o single antirracista "I Can't Breathe" (2020).

A temperatura do Sunset subiu ainda mais quando Prika Amaral, líder e vocalista da banda paulistana Nervosa, juntou-se ao trio para interpretar "Serotonina", música gravada originalmente com a rapper Duquesa. A transição para o vocal visceral e grave de Prika redefiniu a energia do show. Celebrando sua segunda participação no Rock in Rio — a primeira ocorreu em 2019 —, a Nervosa trouxe a bagagem da turnê de "Slave Machine", seu sexto álbum de estúdio, lançado em abril deste ano.

Roda de fogo exclusiva para mulheres marca apresentação

Foi nesse momento que o Palco Sunset presenciou sua imagem mais marcante. Do topo da estrutura, veio a ordem para que o público abrisse uma roda de fogo exclusiva para mulheres. A resposta foi imediata. Homens negros vestindo camisetas do Black Pantera com a frase "fogo nos racistas" estampada nas costas recuaram estrategicamente, incentivando a presença feminina no centro da celebração.

Depois do set em que Nervosa ocupou o palco, ambas as bandas com suas formações completas se juntaram em um belíssimo crossover. A reta final do set contou com uma homenagem a Rita Lee (a segunda do dia, depois da que foi feita mais cedo pela banda Malvada) com um cover de "Obrigado Não". No todo, o show foi um verdadeiro "sacode" de conscientização no Rock in Rio 2026.

Setlist:

  1. Hórus
  2. Padrão é o caralho
  3. Obsoleto
  4. Fogo nos racistas
  5. Tradução
  6. Serotonina (com Prika Amaral)
  7. Cola (Nervosa)
  8. Ghost Notes (Nervosa)
  9. Slave Machine(Nervosa)
  10. Endless Ambition (Nervosa)
  11. Obrigado não (Rita Lee cover)
  12. Revolução é o caos

Publicado originalmente na Woo! Magazine.

Woo! Magazine
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