Black Pantera e Nervosa Surpreendem no Rock in Rio Com Roda de Fogo Para Mulheres
Crossover entre as bandas no Palco Sunset ainda teve participação de Prika Amaral e homenagem a Rita Lee
No Rock in Rio 2026, Black Pantera e Nervosa uniram forças no Palco Sunset em um show potente marcado pelo peso sonoro e forte engajamento social. O trio mineiro abriu a apresentação com faixas antirracistas e discursos em defesa das mães trabalhadoras e contra a escala 6x1. Ao lado de Prika Amaral e da banda feminina Nervosa, o ápice da celebração ocorreu com uma roda de mosh exclusiva para mulheres. O encontro histórico contou ainda com um crossover final e um cover em tributo a Rita Lee.
As bandas Black Pantera e Nervosa uniram forças na tarde do sábado do metal (5) do do Rock in Rio 2026, fornecendo um dos episódios mais potentes e simbólicos desa edição. Em um verdadeiro manifesto sonoro no Palco Sunset, transformando o gramado em uma arena de resistência, celebração afro-diaspórica e peso instrumental. O encontro sintetizou o compromisso de duas forças avassaladoras do metal nacional contemporâneo com as pautas do seu tempo.
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Black Pantera transforma o Sunset em manifesto antirracista
O trio mineiro de Uberaba, formado em 2014 pelos irmãos Charles Gama (guitarra e voz) e Chaene Gama (baixo) ao lado de Rodrigo Pancho (bateria), assumiu o controle do palco logo de início. A abertura veio com a faixa "Hórus", lançada este ano, que aborda o sincretismo religioso e traz na introdução a marcante declaração: "Em nome do pai, do filho e do preto santo".
Da plateia, ouviu-se o coro "nem o pai, nem o filho", em clara alusão ao candidato à presidência Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda houve gritos de "Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*", que eram frequentemente entoados na edição 2022. Sem dar margem para o público respirar, emendaram o clássico "Padrão É o Caralho", hino de 2022 que ressoa nos festivais reafirmando que a vida humana teve origem no continente africano.
Enquanto mosh pits se abriam no público e sinalizadores tingiam o ar de fumaça, Charles gritava palavras de ordem contra o preconceito racial. Em sua terceira passagem pelo festival, o Black Pantera subiu ao Sunset impulsionado pelo álbum Continental, trabalho lançado em agosto de 2026 que funde o peso do heavy metal a elementos de rap, soul e ritmos afro-brasileiros. O disco consolida um discurso contundente de valorização da América do Sul e do Sul Global.
"Tradução" leva emoção e luta social ao palco
Durante a execução de "Tradução", faixa que retrata a dura rotina de mães trabalhadoras, a emoção tomou conta do palco. O vocalista mandou um recado para a mãe, presente na plateia, estendendo a fala para uma pauta social recente: a luta pelo fim da jornada de trabalho na escala 6x1. O gesto reafirmou o DNA da banda, presente desde a estreia com "Project Black Pantera" (2015), passando por "Agressão" (2018), "Ascensão" (2022), o aclamado "PERPÉTUO" (2024) e o single antirracista "I Can't Breathe" (2020).
A temperatura do Sunset subiu ainda mais quando Prika Amaral, líder e vocalista da banda paulistana Nervosa, juntou-se ao trio para interpretar "Serotonina", música gravada originalmente com a rapper Duquesa. A transição para o vocal visceral e grave de Prika redefiniu a energia do show. Celebrando sua segunda participação no Rock in Rio — a primeira ocorreu em 2019 —, a Nervosa trouxe a bagagem da turnê de "Slave Machine", seu sexto álbum de estúdio, lançado em abril deste ano.
Roda de fogo exclusiva para mulheres marca apresentação
Foi nesse momento que o Palco Sunset presenciou sua imagem mais marcante. Do topo da estrutura, veio a ordem para que o público abrisse uma roda de fogo exclusiva para mulheres. A resposta foi imediata. Homens negros vestindo camisetas do Black Pantera com a frase "fogo nos racistas" estampada nas costas recuaram estrategicamente, incentivando a presença feminina no centro da celebração.
Depois do set em que Nervosa ocupou o palco, ambas as bandas com suas formações completas se juntaram em um belíssimo crossover. A reta final do set contou com uma homenagem a Rita Lee (a segunda do dia, depois da que foi feita mais cedo pela banda Malvada) com um cover de "Obrigado Não". No todo, o show foi um verdadeiro "sacode" de conscientização no Rock in Rio 2026.
Setlist:
- Hórus
- Padrão é o caralho
- Obsoleto
- Fogo nos racistas
- Tradução
- Serotonina (com Prika Amaral)
- Cola (Nervosa)
- Ghost Notes (Nervosa)
- Slave Machine(Nervosa)
- Endless Ambition (Nervosa)
- Obrigado não (Rita Lee cover)
- Revolução é o caos
Publicado originalmente na Woo! Magazine.
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