BigXthaPlug luta com o sucesso em 'Better Over Time'
O rapper texano está vivendo na grandeza e emplacando sucessos, mas isso nem sempre significa que a vida é fácil
Em Better Over Time (2025), o rapper texano BigXthaPlug expõe o lado amargo do sucesso. Conhecido por sua voz grave e estilo tradicional em meio ao rap moderno, o artista de 28 anos reflete sobre a dor, o trauma e o isolamento que a fama trouxe, além da inveja de antigos conhecidos após superar a pobreza. Alternando entre a celebração da riqueza, parcerias ecléticas e desabafos melancólicos, o álbum revela um artista magneticamente talentoso, mas ainda em busca de clareza e cura emocional.
BigXthaPlug, um vocalista de Dallas, no Texas, com uma presença de microfone profunda, granulada e autoritária, é uma das vozes mais intrigantes dos últimos anos. Ele é o raro rapper mainstream de vinte e poucos anos que de fato rima. Ele não depende de um canto androide como Don Toliver nem de lamentos "trap-soul" calorosos como Rod Wave. Em vez disso, ele cuspe com força, direto do peito, seu ímpeto chegando aos ouvidos como o linebacker da NFL Myles Garrett empurrando wide receivers contra a grama do campo. E, felizmente, ao menos para os veteranos desencantados com o estado do rap moderno, ele presta homenagem com frequência aos OGs do passado e do presente. Em 6WA (2025), um projeto consistentemente divertido com seu grupo 600 Entertainment lançado em março passado, ele convidou o D.O.C., texano que virou pioneiro da Costa Oeste, para dar uma bênção, e depois citou a dureza à moda antiga de Too $hort e do falecido Eazy-E. Em seu novo álbum, Better Over Time (2025), os produtores Tony Coles e Charley Cooks sampleiam "Sky's the Limit", do Notorious B.I.G., enquanto Leon Thomas revive o clássico refrão do 112: "O céu é o limite, e você sabe que pode ter o que quiser, ser o que quiser".
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Ironicamente, diante de sua ascensão meteórica, Better Over Time costuma apresentar fama e fortuna como uma miragem incapaz de mascarar uma dor que dura a vida toda. Em uma reportagem de capa da RS sobre BigXthaPlug no início deste ano, o jornalista Eric Diep escreveu: "Ele está com o espírito melhor agora, e não está mais fazendo música triste". Talvez Better Over Time não seja tão persistentemente melancólico quanto I Hope You're Happy (2025), sua suíte de colaborações de coração partido com as maiores estrelas country de Nashville, que figurou no Top 10 da Billboard e o ajudou a conquistar um lugar nos 2025 CMA Awards, onde ele apresentou "Pray Hard" com Luke Combs. Ainda assim, sua frustração ao ver amigos e vizinhos o transformarem em objeto de fofoca e inveja depois que ele superou a pobreza borbulha até quase ofuscar o que deveria ser uma gloriosa volta triunfal ao estilo de Life After Death (1997). Assim como em Ca$ino (2025), de Baby Keem, outro épico recente do rap desfeito pela incapacidade de seu autor de superar traumas persistentes, BigX nem sempre consegue desviar de seus detratores anônimos. Seu primeiro instinto é sacar um maço de notas e jogá-lo na cara deles.
Apesar do tom ranzinza de Better Over Time, BigX continua sendo uma presença ferozmente magnética, alguém que retém a atenção do ouvinte com facilidade, seja sozinho ou com colaboradoras como GloRilla, que arrasa com astúcia ao seu lado em "FAF". Estetas do rap torceram o nariz para alguns dos movimentos pop de arena de BigX, como a parceria com Ava Max na faixa antecipada de Better Over Time, o etéreo e declamatório "Burn". Mas "Burn" também sublinha sua natureza expansiva e sua capacidade de abranger climas sonoros diferentes sem cinismo. (A faixa até dá a BigX a chance de celebrar sua ascensão à capa, ao rimar: "Quem do meu estado saiu na capa da Rolling Stone e representa a cidade com orgulho"?) Em outros momentos, ele oferece com leveza uma delícia de soul estilo esquilinho reminiscente do Kanye West dos primeiros anos em "Lite", comparando-se a Jodeci e ao "Lil Wayne de Tha Carter III (2008)", e domina uma roda de MCs com os queridinhos da crítica Babyface Ray e Lil Yachty em "Believe". Nuvens escuras podem estar distorcendo lentamente o estado de espírito de BigX, mas momentos de prazer costumam brilhar. "Tô juntando esse verdinho/Esse n—- grandão é tipo salada com tempero", ele se gaba com prazer em "Cracced".
BigX frequentemente alude à importância da família. A primeira voz em Better Over Time pertence à mãe dele. "Parece que foi ontem que você brigava e era expulso da escola, droga. Agora olha você", diz ela em "Stand on Business". "Você é um chefe, uma lenda". Ele fala sobre ganhar dinheiro para sustentar seus dois filhos e apoiar sua família estendida, e se gaba em "Da Fucc" de ter gastado tanto dinheiro com armas que "minha vó anda com uma benga na mão". "N—- de milhão, o que eu tenho você não paga/Tentando ficar fora da lista da Forbes, porque é aí que eles vão querer grana", ele diz em "Peace of Mind". Contudo, algumas faixas depois, ele se contradiz em "Give It All" ao rimar: "Quero os bilhões, os trilhões e o que mais tiver, porque os milhões eu já tenho". Números desse tamanho certamente o colocariam no radar do fisco. Também é prova de que BigX está lapidando suas ideias e convicções em tempo real.
Better Over Time deveria lhe dar a oportunidade de expurgar sua angústia e, se não necessariamente se curar, ao menos encontrar clareza sobre por que seu talento sobre-humano trouxe uma mistura de bênçãos e frustrações. Ele já acumulou bastante sucesso, de apoios de Drake e Beyoncé à licença dada pela Wingstop para seu sucesso de 2024, "The Largest", em um comercial de 2025 amplamente exibido, estrelado pelo cestinha da NBA Jalen Green. Então por que ele se sente esmagado "um escravo com todas essas correntes"?
Enquanto ele rala pelos 42 minutos do álbum, a lucidez parece distante. "Será que se eu tivesse dito 'que se dane' e ficado nas ruas vendendo droga", ele desabafa em "Lately F Rap". "Aqueles n—-s ainda falariam do meu nome por clout?/Provavelmente não, porque eu não teria uma imagem". Em "Heal Me", uma faixa que quase se afoga no fervor cristão sem sal do cantor floridiano Fridayy, BigX admite que anda em um Rolls-Royce "double R": "Meu tapete encharcou de tanto choro/Mas faz anos que luto contra o que sinto/Acho que é hora de aproveitar este momento pra curar". Ainda assim, a faixa final gira em torno de uma interpolação de "One", de Harry Nilsson. Enquanto o produtor Bandplay canta, "One é o número mais solitário que já existiu", BigX rima: "Tô sozinho por aí, todo sozinho/Não me sinto bem-vindo no que chamo de lar". É meio deprimente.
É fácil descartar a angústia de BigX como o velho tropo pop do blues do homem rico ou, como Biggie certa vez resumiu, "mais dinheiro, mais problemas". Mas ele tem apenas 28 anos e claramente luta sob o brilho das expectativas crescentes de fãs, de sua comunidade e da indústria da música. Ele ainda pode estar sujeito a erros de juventude, como sugeriu uma prisão por dirigir embriagado em agosto, sob acusações de porte ilegal de arma e de maconha. Better Over Time promete implicitamente que ele continuará evoluindo nos próximos anos, mesmo nos privando da satisfação de ouvi-lo encontrar um encerramento agora.
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