Banda Malta celebra retorno de Bruno Boncini em turnê inédita com dois vocalistas: 'Reencontro de três épocas'
Após dez anos, grupo volta aos palcos com maturidade, saudade e a energia que marcou uma geração
A banda Malta celebra o retorno do vocalista Bruno Boncini na "Tour Reencontro", projeto inédito em que ele divide os palcos com o atual cantor, João Gomiero. Motivada pelo amadurecimento dos músicos e pela repercussão nas redes sociais, a turnê une passado, presente e futuro do grupo com casas lotadas pelo país desde maio. O repertório mescla grandes sucessos a solos de violino, atraindo fãs de várias gerações em apresentações com forte carga emocional que podem se estender além deste ano.
Se há algo que define o retorno da Malta em 2026 é a "bagunça organizada" que sempre deu o tom — e que segue viva — nos bastidores. Entre brincadeiras sobre depilação, confusões de identidade entre vocalistas e histórias de tubarão em Fortaleza, o clima no estúdio da Rolling Stone Brasil era exatamente aquele que os fãs conheciam. Por trás de toda essa zona criativa, porém, acontecia algo maior: Bruno Boncini voltava aos vocais.
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A "Tour Reencontro" marca oficialmente esse retorno e, em entrevista, a banda — formada atualmente por João Gomiero e Bruno Boncini nos vocais, com Thor Moraes na guitarra e Diego Lopes no baixo — não escondeu o peso emocional do momento. "Essa turnê está sendo maravilhosa; é o reencontro de três épocas da Malta: o passado, o presente e o futuro que está acontecendo agora", contou João. O que começou como uma ideia audaciosa — colocar dois vocalistas no mesmo palco — virou um projeto que, desde maio, vem esgotando casas de show pelo país.
A volta não foi movida por contrato nem por estratégia de mercado. Veio da internet, da saudade e da maturidade. Vídeos antigos viralizando no TikTok e no Instagram mostraram ao grupo que existia um vazio no rock nacional — e que muita gente queria reviver aquela fase. "A gente foi amadurecendo; passou uma década. Todo mundo viveu a vida fora da música, teve família, amigos, e aprendeu a valorizar as coisas de um jeito diferente", contou Bruno. O reencontro fazia sentido porque, desta vez, não era sobre dinheiro ou ego, mas sobre honrar uma história que o público ainda ama.
No palco, a dinâmica entre Bruno Boncini e João Gomiero ganhou uma dimensão que ninguém esperava. A química foi instantânea, ou como eles contam, "literalmente no primeiro ensaio". "Já é difícil fechar um repertório com um vocalista. Com dois…", brincaram. O que parecia complicado virou natural. "No fim das contas, a sinergia aconteceu muito fácil no primeiro dia de ensaio", contaram. Depois disso, foi "só" ajustar a ordem das músicas e celebrar, em um mesmo show, as três épocas da banda.
O setlist é montado de forma estratégica conforme cada apresentação. Sucessos que marcaram época como "Diz Pra Mim", "Memórias", "Supernova" e "Primeiro Amor" dividem palco com releituras ousadas. "Cada show é um show. A gente abre as portas", explicam. Mas o momento mais épico do show, porém, é o solo de violino de Bruno Boncini. "É muito mágico o momento do violino", disse. E o público sente cada nota.
Os shows têm lotado desde o início de maio, e o público é tão diverso quanto a trajetória do grupo: jovens de 18 anos, pessoas acima de 60, famílias inteiras revendo a banda que as marcou. Há quem vá a três, quatro datas da mesma turnê, seguindo de cidade em cidade; e há quem nunca tenha tido a chance de ver a Malta naquela época e, agora, finalmente possa.
A turnê segue até o fim do ano — ao menos por enquanto. "Essa turnê pode se estender se o nosso público quiser. Vai depender deles", explicou a banda. Mato Grosso, Fortaleza, Curitiba e outros destinos estão na agenda e, em cada cidade, surgem pedidos para que o show chegue ainda mais perto.
No fim, o que mais emociona é o que acontece no camarim. Pessoas aparecem com fotos de dez anos atrás, lembranças de quando tinham cinco ou dez anos e, agora, voltam com outra vida, outra idade, outro olhar — mas com a mesma história para contar. "Pô, eu gosto de vocês desde que eu era criança", dizem. E a banda sente o peso disso. "A gente está muito contente, muito feliz. Se a gente não estivesse, a gente não estaria aqui brincando. A gente está revivendo isso e contando com a ajuda de vocês", finalizam.
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