As reflexões do ateu David Gilmour sobre morte e religião
Guitarrista do Pink Floyd tem mergulhado em temas como finitude, passagem do tempo e a relação do ser humano com esses conceitos
A obra do Pink Floyd traz uma série de reflexões sobre muitos aspectos da vida humana. David Gilmour, em carreira solo, segue pelo mesmo caminho.
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Seu álbum mais recente, Luck and Strange (2024), vai ainda mais fundo nessas questões. Por isso, uma entrevista ao jornal The Guardian traz o guitarrista, no alto de seus 78 anos, abordando temas como morte e religião.
Enquanto respondia a perguntas de fãs, Gilmour discutiu sua visão da mortalidade. Ateu declarado, o guitarrista citou uma das músicas de Luck and Strange: "A Single Spark", cuja letra, como habitual, foi concebida por sua esposa, a escritora Polly Samson.
David afirma:
É triste que eu não acredite em um poder maior. Tem uma música no álbum chamada 'A Single Spark' - com palavras de Polly e os meus sentimentos - que vem de uma linha na primeira página do livro 'Speak, Memory', de Vladimir Nabokov, e ela diz tudo. Eu não me lembro exatamente como ele colocou isso, mas ele disse que a vida é uma única faísca entre duas eternidades."
Na letra de "A Single Spark", Polly e David abordam a descrença, de um "céu vazio" e de um "chamado do templo", mas não se vê utilidade para suas orações. O casal compara o esplendor de incensos e ícones religiosos a uma sensação de maravilha ou desespero.
Gilmour admite que seu ateísmo balança quando perguntado sobre a origem de suas músicas. É um produto exclusivo da mente ou vem de alguma inspiração espiritual? O guitarrista respondeu:
Sou um ateu, então eu odeio dizer isso alto, mas há vezes em que eu sinto que a música está se canalizando quando estou compondo. Nem sempre parece como algo que eu fiz - de alguma forma aquilo só vem através de mim."
David Gilmour e Luck and Strange
Luck and Strange é o quinto álbum solo de David Gilmour e o primeiro depois da pandemia de covid-19. O trabalho anterior, Rattle That Lock, foi lançado em 2015.
Desde então, muita coisa mudou na vida do músico. O lockdown o aproximou da família, o que fica evidente no disco. Além de Polly Samson, responsável pelas letras, o álbum conta com as participações de dois de seus filhos: Romany e Gabriel Gilmour. A primeira, assume os vocais principais em "Between Two Points", além da harpa, enquanto o segundo colabora com backing vocals.
O material simboliza uma jornada pessoal de David Gilmour, marcada por reflexões sobre a mortalidade, a passagem do tempo e as relações humanas. Para coroar, a faixa-título ainda traz piano e órgão gravados por Richard Wright, tecladista do Pink Floyd falecido em 2008.
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Colaborou: André Luiz Fernandes.