Adam Lambert fala sobre seu futuro com o Queen, novas músicas e por que o show deve continuar
Embora o cantor não tenha certeza do que o futuro reserva para a banda, ele tem se mantido ocupado com um recente show de Halloween, uma temporada na Broadway e um musical sobre um artista da década de 1970 da vida real
Recém-mudado para Nova York, Adam Lambert fez um show intimista beneficente de Halloween no Cafe Carlyle. Em entrevista, o cantor abordou a incerteza sobre o futuro das turnês do Queen, após declarações de Brian May sobre descansar dos palcos, embora tenha sugerido uma apresentação no Sphere. Focado em novos rumos, Lambert descarta projetos tributo sem os membros originais e investe em sua carreira solo: ele planeja um novo álbum e desenvolve um musical sobre um artista obscuro dos anos 1970.
Ao longo dos últimos 15 anos, AdamLambert se apresentou em muitas das maiores casas de shows do planeta como vocalista do Queen + Adam Lambert, frequentemente para públicos de mais de 50.000 pessoas. Mas na sexta-feira, ele se viu no palco do Cafe Carlyle, em Nova York, diante de apenas cerca de 90 fãs para um show único de Halloween em benefício de sua Feel Something Foundation, que apoia diversas causas LGBTQ+.
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Lambert lançou seu novo LP, ADAM, em julho, e possui um catálogo de outros álbuns solo que remontam aos seus tempos no American Idol, além de covers como "Whole Lotta Love" e "Ring of Fire", que ele canta há anos. Mas o vocalista decidiu descartar a maior parte de seu repertório habitual e, em vez disso, centrar a noite em canções com temática de Halloween, como "I Put a Spell on You" e "Bad Moon Rising".
"O Halloween é a minha época favorita do ano", disse Lambert à Rolling Stone por Zoom, de seu apartamento em Nova York, alguns dias após o show. "Não é à toa que o chamamos de Natal Gay."
Lambert passou muitos Halloweens em Los Angeles, mas recentemente se mudou para Nova York e se tornou residente oficial há pouco tempo, indo ao Department of Motor Vehicles (DMV, equivalente estadunidense ao Detran brasileiro) e tirando sua primeira carteira de motorista nova-iorquina. Logo após nossa entrevista, ele planejava ir votar em sua seção eleitoral.
"Já estou familiarizado com as ruas agora", diz ele. "Cortei o cabelo hoje de manhã e fui andando até o SoHo para isso, e está um dia lindo. Em Los Angeles, é sempre assim: você tem que entrar no carro, dirigir até aqui, estacionar ali, sair, dirigir até mais um pouco, estacionar de novo. Eu gosto muito de simplesmente caminhar por aí. É tão bom observar as pessoas e respirar ar fresco."
Ele também se familiarizou com a história do Carlyle, um belo hotel de luxo em estilo Art Déco no Upper West Side, que já recebeu artistas como Bobby Short, Woody Allen, Eartha Kitt, Rita Wilson e Art Garfunkel em um espaço para apresentações/restaurante no primeiro andar.
"Eu vi o documentário sobre o Carlyle, que era muito interessante, e então ele entrou na minha lista de lugares legais para me apresentar", diz ele. "É tão pequeno, mas acho que é justamente esse o charme. Era isso que o tornava tão empolgante. Você cria uma conexão forte, instantânea, com o público."
Quando seu empresário sugeriu um show beneficente na véspera do Halloween, Lambert aceitou a oportunidade imediatamente. "Eu não queria músicas repetidas de Halloween", diz ele. "Tocamos 'I Put a Spell on You', que provavelmente é a mais repetida de todas. Mas eu disse: 'Gostaria de tocar músicas que parecessem se encaixar em um mundo sombrio, romântico e gótico, de diferentes gerações e gêneros.' Imaginei um vampiro que existisse há mil anos, e ele teria adorado várias músicas diferentes de gêneros variados."
Por isso, ele abriu o show com o clássico de 1969 do Creedence Clearwater Revival, "Bad Moon Rising", e depois avançou 37 anos para "Back to Black", de Amy Winehouse, antes de voltar várias décadas para "I Put a Spell on You" e "Helter Skelter".
"Acho que nunca interpretei uma música dos Beatles antes", diz Lambert, observando que a escolheu em parte por causa de sua ligação com os assassinatos de Charles Manson. "É assustador, é sinistro, é assassinato. Eu queria encontrar músicas que parecessem se encaixar no universo do Halloween sem serem do tipo 'Feliz Halloween!'. É uma conexão mais ou menos direta."
No último minuto, ele adicionou "Dust in the Wind", da banda Kansas, à trilha sonora. "Eu estava olhando para o cenário e senti que estava ficando muito sombrio", diz ele. "E pensei: 'Será que não existe algo um pouco mais bonito e esperançoso, mas que ainda funcione tematicamente?' Então pensei: 'Bem, nós somos apenas poeira ao vento. Acho que se um vampiro sai ao sol, ele se transforma em poeira ao vento'".
A atmosfera intimista do show permitiu que Lambert conversasse individualmente com membros da plateia e até mesmo pedisse gentilmente a alguns fãs mais entusiasmados que não cantassem tão alto depois de se juntarem a ele em "Wicked Game", de Chris Isaak. "Nada de cantar junto dessa vez", disse ele pouco antes de tocar "Lilac Wine", de Jeff Buckley. "Se eu consigo ouvir vocês e vocês não estão cantando na mesma nota que eu... eu amo vocês."
Algumas de suas próprias músicas, incluindo "Ghost Town" e "Soaked", combinaram com o tema do show. E ele só tocou no repertório do Queen bem no final, quando despediu o público com "Another One Bites the Dust". "Combinou com o tema e pareceu uma boa maneira de voltar para o bis", disse ele. "Obviamente, o Queen é uma parte enorme da minha vida."
Mas o Queen + Adam Lambert está inativo desde o fim da Rhapsody World Tour no Tokyo Dome, em 14 de fevereiro de 2024. No mês passado, Brian May estampou manchetes ao redor do mundo ao declarar que não tinha vontade de fazer turnês. "Tomei a decisão, há 18 meses, de que não queria mais fazer turnês", disse o guitarrista ao The Times. "Adoro tocar, adoro viajar, mas a contrapartida é sacrificar a liberdade. Tenho uma esposa [a atriz Anita Dobson], netos e muitos projetos de astrofísica que quero realizar, então acho que 50 anos já são suficientes."
Mais tarde, ele se retratou do comentário e disse à Rolling Stone há poucos dias que está realmente incerto sobre o futuro da banda em turnê. "Fui meio mal interpretado, ligeiramente mal citado", disse ele. "Eu nunca disse que nunca mais faremos turnê. Não sei como eu poderia dizer isso. Não conseguiria. Sinto que estou em um período de descanso e estou aproveitando... Talvez um dia eu acorde e pense: 'Ah, talvez devêssemos cair na estrada'. Mas não acho que vou me comprometer com turnês de nove meses novamente."
Lambert diz que teve conversas semelhantes com May em particular. "Ele simplesmente disse: 'Estou curtindo ficar com a minha família e não estou com vontade de voltar à estrada agora'", conta Lambert. "Então, acho que ninguém está dizendo que acabou ou que nunca mais vai acontecer, mas, por outro lado, ouvi isso em uma das entrevistas, então talvez seja verdade e eu não sei."
A ideia de tocar no Sphere com o Queen o empolga. "Na verdade, fui ver o Grateful Dead no Sphere", diz Lambert. "Levei meu pai para comemorar o aniversário dele, porque ele é um grande Deadhead, e fiquei impressionado com o que vi. Imediatamente mandei um e-mail para o Brian e o Roger dizendo: 'Vocês precisam conferir isso. Esse lugar é incrível. É um local fantástico. Poderíamos fazer algo muito louco.' Então, acho que é uma fantasia. Não sei o quão perto da realidade está. Eu adoraria."
Independentemente do que o futuro reserve para o Queen, ele está feliz por ter tido a oportunidade de fazer parte desse legado por tantos anos. "Serei eternamente grato", diz ele. "Sempre serei grato e guardarei lembranças incrivelmente carinhosas. Quer dizer, gostaria de fazer mais coisas com eles? Sim, gostaria. Mas se for para ser, então que seja. Sabe?"
Mas não espere que ele monte algum tipo de grupo derivado, como o Adam Lambert's Queen Experience. "Agora que toquei com os membros originais da banda", diz ele, "qualquer coisa diferente disso parece um pouco barata."
Além disso, há muito mais do que o Queen para ocupar o tempo de Lambert no futuro. Ele fez sua estreia na Broadway no final de 2024 como o MC em uma remontagem de Cabaret e está aberto a outro musical na cidade de Nova York ou possivelmente em Londres.
"Acho que se eu fizer outro espetáculo, quero criar algo", diz ele. "Quero criar algo original, onde eu possa colaborar e inovar pela primeira vez. E mesmo que seja um revival de uma peça já existente, quero criar um papel em uma nova produção. Tive muita sorte com Cabaret porque eles foram muito colaborativos e queriam que eu desse o meu toque pessoal o máximo possível. Mas aquela produção foi realmente liderada pela visão de Eddie [Redmayne] para o personagem, e foi assim que foi construída, e eu adorei participar. Mas se eu fizer outro, gostaria de fazer parte dessa etapa do processo de desenvolvimento."
É por isso que ele vem compondo músicas para um musical que idealizou sobre um músico real dos anos 70, cujo nome ele ainda não está pronto para revelar. "Ele é meio obscuro", diz Lambert. "Não é tão famoso. É, esse é o fascínio, o fato de ele ser como um herói esquecido."
Lambert já encontrou um produtor e um possível diretor para o projeto, e está gravando demos e trabalhando no livro, mas não interpretará o personagem principal caso o projeto saia do papel. "Provavelmente estou velho demais para interpretá-lo agora", diz ele. "Ele era jovem, mas eu gostaria de participar de outra forma. Então, vocês terão que esperar para ver exatamente do que se trata."
Enquanto isso, ele espera começar a trabalhar em seu próximo álbum solo no inverno estadunidense. "Vou continuar fazendo música", diz ele. "É o que me define. É o que eu faço."
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