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5 destaques — e um problema — de 'Unshatter', filme do Linkin Park

Produção, que chega aos cinemas em 30 de setembro, alia documentário sobre reconstrução da banda a gravações de show realizado em São Paulo no ano de 2024

24 set 2026 - 16h49
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Resumo
O documentário Unshatter retrata o retorno do Linkin Park a partir de 2022, destacando a entrada de Emily Armstrong e Colin Brittain e a adesão parcial de Brad Delson. A obra intercala os bastidores sinceros dessa reconstrução com trechos do enérgico show da banda em São Paulo. Chester Bennington é citado com respeito, sem ofuscar a nova fase do grupo. O único ponto fraco apontado pela crítica reside em certos diálogos que soam excessivamente ensaiados e roteirizados entre os integrantes.

Uma das primeiras cenas de Unshatter, o novo filme do Linkin Park, mostra rapidamente um fã de Israel que viajou até São Paulo para assistir a um dos dois shows da banda na cidade. Era de conhecimento público que a apresentação no então Allianz Parque (hoje Nubank Parque) em 15 de novembro de 2024, mesma data de lançamento de From Zero, seria transmitida ao vivo na TV local e filmada para lançamento posterior.

Linkin Park
Linkin Park
Foto: Jimmy Fontaine / Rolling Stone Brasil

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Este exemplo, por si só, seria o suficiente para justificar a decisão de retomar as atividades da banda, com novos integrantes, sete anos após a morte do vocalista Chester Bennington. Mas muitas outras razões são apresentadas durante os aproximados 110 minutos de longa-metragem, distribuídos entre imagens da apresentação na capital paulista e, de modo mais predominante, entrevistas com membros e cenas de bastidores da reconstrução do grupo.

https://www.youtube.com/watch?v=BIlD-sENQCs

A Rolling Stone Brasil assistiu a Unshatter, na última quarta-feira, 23, uma semana antes de sua estreia, marcada para o próximo dia 30 de setembro. Confira, a seguir, 5 destaques do filme, apontados pelo jornalista Igor Miranda, em uma listagem que contém spoilers:

5 destaques — e um problema — de Unshatter, filme do Linkin Park

1) A história inicial da volta, enfim, esclarecida

Unshatter apresenta, de modo detalhado e aparentemente sincero, a cronologia que leva ao retorno do Linkin Park. É uma história que começa em novembro de 2022, dois anos antes do lançamento de From Zero, trazendo apenas Mike Shinoda (voz e vários instrumentos), Joe Hahn (DJ) e Dave "Phoenix" Farrell (baixo). Nem mesmo Brad Delson (guitarra) estava envolvido inicialmente. Rob Bourdon (bateria), que, se muito, ocupa 2 minutos do filme, tem sua ausência explicada de modo bem breve.

Hahn conta que "tudo parou" com a morte de Bennington em 2017 e "cada um lidou [com o luto] de um jeito". Após Shinoda ter concretizado álbum e turnê solo Post Traumatic, antes da pandemia, ele e Joe se encontraram em uma cafeteria e, naturalmente, abordaram a possibilidade de trabalhar em música novamente. Mike disse ao colega que se as pessoas não gostassem, eles teriam de reduzir o porte e voltar a tocar em pequenas casas noturnas. A resposta "ótimo" o convenceu a seguir em frente.

Um trecho importante mostra o trio ouvindo suas primeiras gravações desde o retorno e Shinoda dizendo: "Sinto que este é máximo que consigo esticar minha voz. [...] O jeito é achar outra pessoa para cantar". Ou seja: a continuidade do Linkin Park apenas com Mike no microfone principal foi cogitada, mas descartada.

2) As chegadas de Colin Brittain e Emily Armstrong, em detalhes

Talvez a importância de Colin Brittain para a volta do Linkin Park seja subestimada. O produtor e multi-instrumentista ocupou o banco da bateria, mas também esteve envolvido em outras etapas do processo. É comum vê-lo com guitarra ou violão nas filmagens, bem como interferindo diretamente nas sessões de gravação no que diz respeito à produção — função naturalmente assumida por Mike Shinoda na maior parte do tempo. Ainda assim, confessa ter demorado até sentir-se parte do grupo.

Ele também se mostra presente antes mesmo da chegada da vocalista Emily Armstrong. Curiosamente, o vínculo, estabelecido por uma conexão de seu empresário com Mike, surgiu sem que ele soubesse se tratar do Linkin Park. Brittain recebeu uma mensagem que falava sobre "trabalhar com o LP [sigla para o nome da banda]", mas leu equivocadamente "trabalhar em um LP [sigla para long-play, ou álbum]". "Achei que era algo solo de Mike", admitiu, aos risos.

Emily Armstrong entra na história em maio de 2023 — ou seja, seis meses após as sessões iniciais —, mas já havia sido indicada a Mike Shinoda em 2019. As histórias pregressas de Colin e Emily não são contadas a não ser por menções pontuais à banda anterior da cantora, Dead Sara. Faz sentido, visto que, caso falassem de passado, teriam de abordar o contestado vínculo da artista com a Igreja da Cientologia.

Armstrong traz inegável leveza ao ambiente do grupo e rende algumas das cenas mais espontâneas. Além disso, nas palavras de Shinoda: "Em estúdio, [trabalhar com Emily] parecia familiar. Não parecia como Chester. Parecia o tipo de energia que o resto de nós não tem e que precisamos ter na banda".

3) Eles já sabiam que era Linkin Park antes de Brad Delson voltar

Embora a volta de Brad Delson tenha validado de vez o "novo" Linkin Park, os integrantes admitiram que sentiam aquela banda como Linkin Park antes mesmo de o guitarrista começar a se envolver, em 2024. Ele participa das etapas finais de composição e da gravação de From Zero, mas não realiza turnês — Alex Feder o substitui na estrada.

"Houve uma versão [da banda] que estávamos fazendo mais tarde em nossa jornada que era tão caótica. Ficava exausto em certas situações. Para me preservar, ficaria louco se entrasse nisso de novo. Quero uma nova situação, não voltar para uma antiga", explicou Delson ao revelar sua insegurança em retornar para o grupo. Acabou dando certo, ainda que sua participação tenha sido reduzida e relativamente parcial no processo. Por outro lado, mesmo ausente das filmagens entre 2022 e 2023, ele surge com várias declarações nas parte de entrevista.

4) Trechos de show são convincentes

As gravações do show em São Paulo surgem de modo pontual, normalmente para encerrar os capítulos da narrativa. No terço final, o filme adquire um caráter mais musical, seja por ter mais canções da apresentação no Brasil, seja por retratar a transmissão ao vivo de setembro de 2024, nos Estados Unidos, que confirmou de vez o retorno do grupo.

Ao todo, 11 músicas são trazidas, a maioria em formato parcial. As quatro últimas estão inteiras. Se há canções antigas que parecem não se encaixar tão bem nos vocais de Emily — como "Somewhere I Belong" em seus tons acima e "In the End", agora pouco natural —, não há como negar a força do repertório atual. Não à toa, cinco faixas incluídas vêm de From Zero, além de trechos generosos de "Unshatter" rolarem nas passagens em estúdio, com direito a um visitante Mark Hoppus (Blink-182) se mostrar arrepiado ao escutá-la.

Confira, abaixo, as 11 gravações do show de São Paulo presentes, parcial ou integralmente, em Unshatter.

1. Somewhere I Belong

2. Two Faced

3. Over Each Other

4. Leave Out All the Rest

5. Casualty

6. The Catalyst

7. Lost

8. In the End

9. The Emptiness Machine (começa na transmissão ao vivo nos EUA em 2024, no refrão vai para São Paulo)

10. Heavy is the Crown

11. Bleed It Out

5) Chester Bennington só aparece em vídeo uma vez

Pode parecer equivocado, mas deixar para mostrar Chester Bennington aparecer em vídeo apenas uma vez, em uma cena pós-créditos, permite que o "novo" Linkin Park conte sua história sem carga adicional. O filme não é sobre a trajetória da banda como um todo, mas, sim, sua reconstrução a partir de 2022.

Não quer dizer que Bennington não seja citado. Ele aparece em fotos, especialmente no começo, e surge inevitavelmente nas conversas, especialmente a partir de declarações de Mike. No entanto, as menções ao saudoso cantor se mostram saudáveis e, no geral, estabelecem um paralelo (não uma comparação) com Emily Armstrong. "Com Chester, estou acostumado a dar uma ideia vocal e essa pessoa levar isso a vida", explicou Shinoda, indicando que também consegue fazer isso com a nova parceira.

O problema: algumas passagens pouco naturais

Talvez o único problema real da produção dirigida por Joe Hahn está na retratação das conversas entre integrantes que deveria ser natural. Obviamente não é. Em muitas cenas, Hahn, Mike Shinoda e Phoenix conversam entre si e parecem até decidir o futuro da banda naqueles momentos. Fica difícil não enxergar tais passagens como fortemente roteirizadas. Nem precisava. Todo o resto soou coerente e honesto.

*Linkin Park: Unshatter estreia nos cinemas em 30 de setembro.

+++ LEIA MAIS: Uma resenha sobre 'From Zero', novo álbum do Linkin Park

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