5 artistas que são contra IA e 5 que são a favor
A indústria está dividida e os números mostram por quê: quase 40% das músicas lançadas em julho de 2026 usaram IA, segundo estudo da SubmitHub
Com quase 40% dos lançamentos musicais recentes utilizando inteligência artificial, plataformas como Spotify e Apple Music passaram a rotular e restringir esses conteúdos. O avanço divide a indústria: artistas como David Guetta, Dr. Dre e Grimes veem a IA como uma extensão criativa essencial, enquanto nomes como Paul McCartney, Billie Eilish e SZA criticam o impacto nos direitos autorais e defendem a proteção da originalidade humana diante da reprodução não autorizada de obras.
Quase 40% das músicas lançadas no mês passado usaram IA, segundo um estudo. O levantamento, realizado pela plataforma SubmitHub a partir de mais de 1 milhão de faixas lançadas em julho de 2026, mostrou que 23,2% das músicas foram totalmente geradas por inteligência artificial, enquanto outros 15,3% traziam elementos produzidos por IA e depois retrabalhados por pessoas, totalizando 38,5% de todo o volume lançado no período com algum grau de envolvimento da tecnologia. O dado, mais que impressionante, é um sinal claro de escalada no conflito.
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O debate não é novo, mas ganhou urgência com esses números: o Bandcamp baniu, no início de 2026, toda música criada por IA, e as grandes plataformas passaram a adotar respostas próprias. O Spotify começou a etiquetar perfis de artistas gerados por IA e a retirá-los dos algoritmos de recomendação, o que significa que músicas feitas com IA só aparecem para quem as procura ativamente. A Apple Music anunciou que implementará, ainda em 2026, selos de "Feito com IA", exigindo que distribuidoras e selos identifiquem quando a tecnologia tiver gerado uma parte substancial de uma faixa, incluindo capas e vídeos. Oliver Schusser, responsável pela plataforma, afirmou, em entrevista ao TechRadar (via Chartlex), que mais de um terço de toda a música recebida mensalmente pela Apple Music é 100% gerada por IA, embora o consumo desse conteúdo na plataforma seja bem menor. A pressão por mudanças na legislação de direitos autorais, em países como Reino Unido e Estados Unidos, cresce no mesmo ritmo.o mesmo ritmo.
A seguir, cinco artistas que estão do lado da IA, e cinco que se posicionam no sentido oposto.
A favor
Dr. Dre
Em entrevista ao New York Times, Dr. Dre foi direto: quem enxerga a IA como ameaça é porque tem dificuldade de criar por conta própria. "Acho que as únicas pessoas que veem isso como uma ameaça são as pessoas que têm dificuldade de criar", disse. A declaração gerou reação imediata na internet, mas o produtor não recuou.
David Guetta
Em entrevista à BBC em 2023, o DJ francês foi um dos primeiros grandes nomes da música a defender abertamente a IA. "O futuro da música está na IA. Com certeza. Sem dúvida. Mas como uma ferramenta", disse. Guetta já usou a tecnologia publicamente em performances ao vivo para criar vocais sintéticos e defende que a IA é uma extensão natural do processo criativo de um produtor, não uma substituição.
Liam Gallagher
Em post no X em 2023, quando um fã perguntou se ele havia ouvido AISIS — álbum feito por IA com músicas no estilo do Oasis —, Gallagher respondeu que era "melhor do que todo o resto que está por aí". A declaração foi lida por muitos como uma provocação ao irmão Noel, mas o fato é que o cantor não escondeu a admiração pelo resultado.
Grimes
Em entrevista à NPR em 2023, a cantora e produtora canadense foi uma das vozes mais radicais em defesa da IA. "Criativamente, acho que a IA pode substituir humanos. E então acho que, em algum momento, vamos querer ter uma discussão sobre o quanto a IA estará envolvida na arte", disse. Grimes já disponibilizou a própria voz para que qualquer pessoa a use em músicas geradas por IA, e afirmou que dividiria os royalties com quem produzisse usando sua voz sintética.
will.i.am
Em entrevista à Newsweek, o líder do Black Eyed Peas chamou a IA de "a forma definitiva de criar" e disse que a tecnologia levará a música a novos níveis emocionais e pessoais. "Faço música por causa do computador, e a IA é apenas um computador, mas multiplicado por um bilhão", afirmou.
Contra
Billie Eilish
A cantora americana foi uma das mais de 200 artistas que assinaram uma carta aberta da Artist Rights Alliance em abril de 2024, pedindo que empresas de tecnologia parem de usar obras de artistas para treinar modelos de IA sem autorização ou remuneração. O documento afirmava: "Este ataque à criatividade humana deve ser interrompido". Billie também alertou para o risco de a IA "imitar e regurgitar" a linguagem, os estilos e as ideias de criadores reais.
Tyler, the Creator
Em entrevista ao programa Art Official Intelligence Radio, de De La Soul, na Apple Music, em 2024, o rapper americano foi categórico: a IA nunca vai alcançá-lo criativamente. "Estou sempre à frente até de mim mesmo, então a IA jamais vai me alcançar criativamente", disse. Para Tyler, a tecnologia pode reproduzir padrões, mas não consegue capturar o que torna um artista genuinamente original — a capacidade de se reinventar de forma imprevisível.
SZA
Em entrevista à i-D Magazine em março de 2026, a cantora americana foi além da crítica geral e apontou um problema específico: a IA está sendo usada de forma desproporcional para copiar artistas negros. "Sinto que estou em guerra com a IA. Está acontecendo desproporcionalmente com a música negra. Por que estou ouvindo covers de IA da Olivia Dean quando a Olivia Dean acabou de aparecer?", disse.
Ice Cube
No Full Send Podcast (via UPROXX) em 2023, o rapper americano não poupou palavras. "Acho que a IA é demoníaca. Acho que a IA vai receber uma reação dos humanos orgânicos. Acho que os artistas precisam se posicionar", disse. Para Ice Cube, a resistência à IA precisa ser ativa, não apenas declaratória.
Paul McCartney
Em entrevista à BBC em 2025, o ex-Beatle pediu ao governo do Reino Unido que proteja artistas de uma proposta de lei que permitiria às empresas de IA treinar seus modelos com obras protegidas por direitos autorais sem pagar quem as criou. "Jovens estão aparecendo, escrevem uma música linda e não são donos dela. Qualquer um pode simplesmente plagiar. A verdade é que o dinheiro vai para algum lugar — e deveria ser para quem escreveu 'Yesterday'", disse. Mais tarde no mesmo ano, McCartney foi além e participou de um álbum de protesto chamado Is This What We Want?, lançado em vinil com faixas silenciosas de mais de 1.000 músicos britânicos, cujos títulos, quando lidos em sequência, formavam a frase: "O governo britânico não deve legalizar o roubo de música para beneficiar empresas de IA".
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