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O significado por trás de cada música de 'Cumulonimbus', nas próprias palavras de Rashid

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o rapper paulistano fala sobre as quase duas décadas de carreira que desembocaram no sexto álbum de estúdio

2 set 2026 - 08h40
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Resumo
O rapper Rashid lançou seu sexto álbum de estúdio, Cumulonimbus, composto por 15 faixas e participações como Emicida, Projota e Luedji Luna. Na contramão do rap comercial e despolitizado, o projeto resgata as raízes e a essência contestadora do hip-hop brasileiro. Em faixa a faixa à Rolling Stone Brasil, o artista detalha as inspirações da obra, que aborda temas como vivências pessoais, ancestralidade, espiritualidade, críticas sociais e a preservação da identidade cultural urbana.

Em um momento em que o rap brasileiro acumula fenômenos que Rashid prefere não nomear — embora seja notável: rappers de direita, público que ouve sem entender a mensagem, a contracultura trocada por um posicionamento cada vez mais pop e cada vez menos político —, o rapper paulistano escolheu ir na contramão. Cumulonimbus, seu sexto álbum de estúdio, é uma declaração de que existe uma cultura, com valores, e que esses valores não são negociáveis.

Rapper paulistano comenta o significado de cada música do sexto álbum Cumulonimbus e reflete sobre quase duas décadas de carreira no hip hop
Rapper paulistano comenta o significado de cada música do sexto álbum Cumulonimbus e reflete sobre quase duas décadas de carreira no hip hop
Foto: Renato Nascimento / Rolling Stone Brasil

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O disco chegou às plataformas em 11 de agosto, com 15 faixas, um elenco de peso, de Emicida, e Projota, à Luedji Luna, Kamau, Rael, passando por Paula Lima, Neguinho do Kaxeta, Jota Ghetto, Slim Rimografia e Flávia K, e uma pergunta no centro de tudo: o que fez você se apaixonar pelo rap?

"A gente se sentia capaz de tudo depois de ouvir um rap, capaz de mudar o mundo e de derrubar qualquer muro no peito", disse Rashid. "Eu desejo que todos possam ter acesso a essa chama."

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Rashid destrincha cada faixa do disco e explica o que estava em jogo quando as compôs.

CUMULONIMBUS

A faixa-título foi batizada por causa do disco, não o disco por causa da música. Surgiu meio que aos 45 do segundo tempo, no meio da produção, quando a gente já tinha uma ideia de como começar o álbum, mas parecia que faltava a porta se abrindo. As introduções têm esse papel — o primeiro play que você dá num álbum é muito importante. A pessoa sente o clima do disco, já sabe o que pode esperar. É tão importante quanto a capa: você olha a capa e dá o play na primeira música, e é muito importante que elas se comuniquem. Então a música introduz o tema do disco, que não é um único tema, mas um debate sobre o amor pela cultura, sobre o que estamos fazendo, como estamos tratando a cultura, sobre as revoluções necessárias para o hip hop e para a cultura brasileira. Ela começa com a frase "por uma nova Canudos", para quem conhece a história do nosso país, o tamanho daquela revolução, isso já fica como uma provocação na mente. E tem a menção a "Paula e Bebeto", do Milton e do Caetano, que fala sobre qualquer maneira de amor valer a pena. Ali a gente começa falando sobre o nosso amor pela cultura num disco que vai tratar muito sobre isso.

YOWA

Eu conheci esse conceito [yowa] através de um livro chamado Sincretismo na Umbanda (2024), do Pai David Dias — que é a pessoa que participa da música. Mais uma vez o ciclo se fechando. Ele tem um trabalho muito interessante de desmistificar alguns dos símbolos da Umbanda, mostrando que vários deles já vieram de África, desse eixo Angola, Congo, o antigo reino do Congo. O Dikenga, o cosmograma Bakongo, representa os pontos da vida: o mundo espiritual, o conhecimento, o auge da vida e o desencarne, em sequência anti-horária. A encruzilhada central onde todos esses pontos se encontram é o YOWA. É meio que o YOWA representa uma encruzilhada onde você vai ter que pegar todos os caminhos. Não à toa a música é um descarrego emocional, eu coloco várias das questões que me acometeram nos últimos anos, desde tragédias mais sérias como a perda do meu pai, até coisas que atrapalharam meu trabalho de certa forma. Para mim, são caminhos todos que eu precisei pegar para chegar até esse momento. A YOWA representa a minha grande encruzilhada da vida.

AURORA

"Aurora" é o amanhecer do disco — literal. Quando eu fiz esse som, eu tava morando numa casa no pé da Serra da Cantareira e a minha visão era para Vila Albertina, uma quebrada da zona norte. O sol nascia atrás daquelas casinhas. Esse refrão eterniza aquela minha vista. Eu nunca vou deixar de lembrar daquilo quando ouvir essa música: "Por trás das casinhas no horizonte amanheceu". É uma ode a esse momento, ao quão importante é o amanhã nos nossos dias. Como você acorda, como você trata aquele momento, porque muitas vezes a gente já acorda num caos, a rotina, o trabalho, a falta de sono. É a minha sugestão de olharmos para as manhãs de outra forma. O meu filho fala no final dessa música porque ele foi uma pessoa muito importante para eu olhar para as manhãs diferente. A manhã em volta da rotina de uma criança é outra manhã — muito mais solar, muito mais leve. A letra em si é um exercício lírico, uma ilustração desses mil pensamentos que correm na mente enquanto você tá no trajeto pro trabalho, pra faculdade, pra escola. Se eu pudesse pintar um quadro sobre esse momento, essa música seria isso.

O QUE DIZEM OS NÚMEROS

Ela é quase um contraponto da "Aurora". A "Aurora" vem em paz, e "O Que Dizem os Números" vem tacando várias coisas na cara. É uma música mais pesada, que para mim está diretamente atrelada a uma coisa que eu sempre amei no rap: o fato de ouvir uma música e sentir que aprendeu algo com ela. É uma coisa que eu tentei buscar com esse disco, e acho que ela é a que melhor simboliza isso — ouvir um rap e falar "caramba, o cara falou umas coisas que eu não sabia". Ela simboliza o espírito contestador de fazer rap, porque é esse o espírito, a atmosfera que o rap ganhou no Brasil quando chega aqui. É a aura extrema da nossa cultura: a batida simboliza isso, a rima simboliza isso. É uma busca, um exercício lírico, mas é uma música muito direta. Olha o que eu quero dizer: o país ainda é isso aqui. Por que a gente não tá falando disso?

NAS CORDAS (com Jota Ghetto)

"Nas Cordas" é uma trilha retroativa para filmes como Rocky (1976) ou Creed (2015) — essa foi a minha brisa. Se eu pudesse fazer uma música para esses filmes que a gente gosta tanto, que falam sobre superação, sobre superar desafios. Inicialmente eu cantava o refrão, mas quando comecei a fazer o disco, fui pensando: é um disco do Rashid, já estamos na música cinco, só tem eu falando. Rashid começa, Rashid faz o refrão, acaba o refrão, Rashid de novo. Aí pensei no J Guetto pensando na força que esse refrão pedia, na urgência, no aspecto rua. As participações num álbum são importantes para dar dinâmica, para dar nuances, até um descanso — uma outra voz entra, e quando a minha voltar, ela volta com mais força. E o J Guetto é esse cara, talvez as pessoas de fora da nossa bolha o conheçam pelo refrão de "Boa esperança", do Emicida, que já tem muita força. Ele deixou a música grande demais. Se os caras forem fazer um Creed 4, tomara que achem a música.

CRIADO POR MULHERES

Quando eu penso sobre ela, eu ainda não entendo se é um obrigado, se é uma homenagem, se é uma carta dizendo "eu tô vendo". Porque são tantas coisas para falar para as mulheres das nossas vidas que tudo que a gente faz é só um começo do que precisa ser dito. Foi uma música muito instintiva — quando eu comecei a ouvir o instrumental do $amuka, já comecei a brisar nessa mensagem, nessa força. No segundo verso, pensei muito sobre a minha família expandida, as mulheres da minha família musical, que me formaram mesmo não estando tão perto. Pelo menos elas não sabiam que estavam tão perto, mas estavam nos meus fones de ouvido. Era uma forma de dizer: "Tô vendo. Obrigado". O Cairo fala no final porque eu perdi meu pai e meu filho sempre fala do vô dele — aquela conversa foi espontânea, eu tava na varanda com ele olhando pro céu e ele começou a filosofar e eu decidi gravar. Agora somos eu e o Cairo tentando mudar esse ciclo — como retirar esse peso que é colocado no ombro das mulheres da nossa família. "Malandro mesmo é o pai que fica", como eu digo numa música mais para frente do disco também.

L'APPEL DU VIDE (com Kamau e Luedji Luna)

"L'APPEL DU VIDE" é um termo francês que significa "o chamado do vazio". Tem aquela reflexão de que quando você olha muito para o abismo, o abismo olha de volta. Hoje a gente chamaria de pensamento intrusivo — aquela sensação de estar num lugar alto e passar rapidamente pela cabeça "nossa, já pensou se eu pulasse?". A música nos preenche o vazio, mas muitas vezes também nos provoca o vazio, porque a gente precisa abrir mão de muitas coisas para a caminhada artística, se afastar da família nuclear para formar outros núcleos em outros lugares. A Luedji fala da relação dela com a Bahia, de ter precisado sair para construir a carreira e ficar com essa saudade da terra. Eu tenho uma passagem por Minas Gerais que me formou e me acolheu tão bem — fico com essa saudade eterna. E o Kamau coroa a música com um verso absurdo, um dos melhores do disco na minha opinião. Ele conseguiu personificar o sentimento de uma forma absurda. É uma música sobre tristeza, mas a tristeza enquanto combustível — a melancolia enquanto combustível para novas coisas. Sem papo de coach. As derrotas fazem parte de um processo do que somos hoje.

OLHA BEM (sample: "O Começo", de Gonzaguinha)

"OLHA BEM" começa muito pela batida, um beat do meu parceiro de Portugal, Tayob J. Quando ouvi esse beat, já fiquei assinalado. Ele já tinha esse sample do Gonzaguinha, um absurdo. Gonzaguinha é uma das entidades da nossa música, com uma obra monstruosa que ajuda a pavimentar o que é uma escola de composição no Brasil. Um cara que carregava o peso de ser filho de quem é e ainda assim achou um caminho próprio e fez disso uma bandeira. A batida soa um pouco irônica, o que é perfeito para o que a música propõe — ela é a mais escrachada do disco, uma narrativa, uma crônica. Muitas das grandes músicas do rap brasileiro são histórias. Eu queria fazer uma que colaborasse com essa faceta. Tem uma pincelada de realidade, muitas coisas reais ali, mas também muitas coisas de filmes — o Denzel entrou como referência pro segundo verso, porque eu estava num período em que estava assistindo todos os filmes dele. Tudo aquilo que a gente gostava nos filmes de rua dos anos 90: rua, arma, treta, reviravolta, eu tentei fazer esse filminho. Para mim é uma das favoritas, um dos pontos altos do disco.

ASAS NOS PÉS

Mais um filme: o Besouro (2009), que é pouco comentado pela riqueza que tem. Eu reassisti recentemente e, entendendo mais sobre religiões de matriz africana, o filme ganha outros contornos. A metáfora das asas nos pés é essa, mas a música não fala sobre o filme, a minha narrativa é como se a gente tivesse um MC que ninguém consegue pegar, todo mundo correndo atrás e ninguém alcança, porque o cara tá em estado de flow, a caneta tá voando e ele tá voando junto. É um exercício lírico — rap de rap mesmo, aquele que você ouve pelo próprio rap em si. É o tipo de rap que eu adoro ouvir e adoro fazer: rima com essa provocação do MC que ninguém consegue pegar. Corre atrás.

OURO, MIRRA E INCENSO (com Emicida e Projota)

Muita gente considera o ápice do disco e eu corroboro com essa opinião. O disco vai vindo numa toada e aí quando chega "OURO, MIRRA E INCENSO" você fala: "Agora acabou". É um baita som que representa muitas das coisas que eu queria transmitir com esse disco: a intimidade com a cultura, o amor pela cultura, o quão transformados fomos por ela. A gente pega a vida de três moleques que se conheceram e, em 2006, iniciaram uma caminhada. A gente se coloca como os três reis magos — ouro, mirra e incenso foram os presentes que os reis magos levaram para Jesus quando ele nasceu. Nossa metáfora é essa: nós somos três reis magos levando o que tem de melhor para a cultura que nos salvou. E para a metáfora ficar mais redonda ainda, estamos falando da Santa Cruz, que é a batalha que nos inicia em tudo. No final das contas, o que a gente tinha de melhor para oferecer era a nossa união, a nossa amizade, a junção dessas três mentes da zona norte de São Paulo. Tem os três DJs fazendo scratch também, DJ Zala, DJ Nyack e DJ Mista Brown, a batida do Ajaxx cheia de emoção. Uma música muito especial.

ETERNO ESTADO DE DESACATO (com Flávia K)

É a minha música para São Paulo, onde os três da música anterior cresceram, vendo tudo aquilo. Algumas décadas atrás muito se debatia sobre São Paulo não ter exatamente uma identidade cultural — enquanto Rio, Bahia estavam efervescentes criando a cara do Brasil. Só que muita coisa já estava sendo feita em São Paulo e de repente não estava sendo vista. Mas aí, o mais louco é que vem uma música [rap] que é de fora do Brasil e vira a trilha sonora oficial da cidade. Para mim o rap é a a trilha de São Paulo, tá ligado? Para mim eu penso São Paulo, eu penso Racionais, tá ligado? E é muito louco como isso virou uma amálgama assim, uma coisa que tem uma unidade. Como Racionais sintetiza as ruas de São Paulo, os cheiros, os barulhos, entendeu? E aí eu tentei dar meus 20 centavos ali, sabe? Tipo, né, eu quero fazer uma música sobre São Paulo agora mesmo. A regionalidade e o território são coisas intrínsecas à nossa cultura. Muita gente abriu mão de falar dos próprios bairros, próprias quebradas, próprias cidades, próprias gírias. E eu sei que quando a pessoa em outra cidade ouve rap sobre São Paulo, ela não pensa "o cara só fala de SP". Ela pensa "eu quero representar minha cidade também". Porque sempre foi isso que eu senti quando vi o Mano Brown falando do Capão. Então fica essa homenagem a São Paulo. É um rap que é um muro na sua frente. Você bate nele e fala: "Opa, pera aí".

PROTEJA SEU PESCOÇO (com Neguinho do Kaxeta)

É uma continuação da mensagem do "ETERNO ESTADO DE DESACATO", porém com um olhar mais amplo. O Neguinho do Kaxeta traz o olhar da Baixada Santista, um cara que circulou muito, e traz toda a história da criação dele, da forma como cresceu, de como passou a entender o mundo. Vivemos nesse mundo de eterno estado de desacato — então proteja seu pescoço, meu parceiro. Essas duas faixas fazem alusão a grandes clássicos do rap mundial: o "N.Y. State of Mind" do Nas e o "Protect Ya Neck" do Wu-Tang. Elas fazem essa pequena homenagem nos títulos, mas carregam a nossa própria identidade cultural no DNA. A produção do Devasto Prod é um absurdo — um funkão com base meio drill, mas um funk melancólico, que tem a cara de São Paulo. É uma música muito imagética. Um manual de sobrevivência nas ruas de São Paulo.

8 DE COPAS (com Paula Lima)

A carta oito de copas no tarô tem a ver com deixar coisas para trás — ter a coragem de largar certas coisas para se movimentar, para seguir em frente. O refrão da Paula Lima já vem falando sobre isso: "Deixei na mesa o que não dava mais". Um dia eu fui fazer um trabalho com a Mika Lins e cheguei atrasado, muito estressado. Ela me falou: "Amigo, já foi, já passou. Chegou atrasado, chegou. Você já tá aqui, larga essa mochila". Isso reverberou na minha cabeça. A música começa com "deixei na mesa o que não dava mais" e termina com "em frente eu vou". É uma letra que eu considero linda. A Paula traz uma vida e mais um descanso — a gente vem dessas músicas densas e tensas, e o "8 DE COPAS" está estrategicamente num lugar onde te permite respirar. Até porque a próxima é pesada de novo.

DEFENSORES DA ARTE DO GUETO (com Slim Rimografia)

É o coração comportamental do disco. É tudo que o disco pretende ser, fazer, transmitir, refletir e provocar. A gente começou a se afastar de determinada postura, de determinado discurso porque a coisa foi crescendo demais. E naturalmente, se a gente deixar a vida levar, a vida leva mesmo. A gente foi parar num lugar onde muitos dos nossos artistas de destaque começaram a se portar como artistas pop que, por acaso, fazem rap. O senso de contracultura foi deixado de lado e a gente passa a agir como a norma, o padrão. A música rap e a cultura hip hop não são isso por essência. Crescer é digno, ganhar seu dinheiro é digno — inclusive eu tenho meus hits, graças a Deus. Mas a gente precisa se atentar ao que fez a gente ser a gente, ao que deu nossa identidade cultural. Uma das frases da música que para mim sintetiza isso é: "Cuidado pra não virar o que quem não queria nóis aqui quer que você vire". É um caminho muito nebuloso onde muitos de nós adentramos. O que vai manter a gente aqui, o que vai fazer com que a gente comemore 40, 50 anos de carreira como Gilberto Gil e Caetano Veloso, é o olhar atento e a conexão com a cultura, com o que formou a nossa identidade. A música nasce de uma canção do Slim Rimografia chamada "Arte do Gueto", que ele me deu permissão de usar. É uma declaração, mais do que uma canção. É isso aqui, mano. A gente precisa olhar para essa cultura.

IMUNE (com Rael)

O título nem aparece na faixa — porque o título por si só é uma mensagem. É como se, permanecendo juntos, com a noção de coletividade, de território, do movimento cultural, a gente conseguisse passar imune a essas coisas. E aí a música está relacionada ao título pela sensação — a coisa de ir atrás daquilo que nos faz bem. Eu precisava terminar o disco bem, não queria terminar naquela tensão. Chamei o Rael novamente porque a gente tem Coisas dessa Vida, que é um marco na minha carreira, e eu queria terminar com uma música que soasse clássica também. Fiquei visualizando muitas estradas de Minas, que são estradas que eu percorri muito na minha vida. O Rael é notoriamente da pista, da moto, do carro, sempre postando viagem — e ele agrega essa visão da viagem, da relação de viajar com a própria ancestralidade, com o ir buscar coisas, ir se encontrar. Há também uma pequena homenagem ao The Chronic (1992) do Dr. Dre, com o "Let Me Ride". Mas é um recado também: procure aquilo que te faz se sentir imune e não abra mão disso. É estritamente vital. O momento faz a gente se sentir culpado por fazer coisas que nos façam se sentir bem. Tipo, você parou para ouvir um disco. Mano, não tá acontecendo nada no mundo que você não possa passar uma hora, 45 minutos que seja ouvindo um álbum e voltar depois. "Sem eu não existe nós", então a gente precisa de você. Para existir nós, precisa que você esteja bem.

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