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Meghan Quinn e 'Até Que o Verão Nos Separe': Conheça o livro queridinho do BookTok e leia entrevista

Livro mistura romance e humor em uma história de cura e superação após um divórcio; ao 'Estadão', autora fala sobre processo de criação, as ilustrações, luto e mais

13 jun 2026 - 09h46
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Meghan Quinn, aos 40 anos, é uma veterana na escrita de romances divertidos e viciantes. São mais de 70 títulos entre sua estreia, em 2013, e seu mais recente lançamento, Até Que o Verão Nos Separe, que acaba de chegar às livrarias brasileiras e já arrebatou corações no BookTok.

Na história, Scottie é uma recém-divorciada que se sentia completamente invisível no casamento. Como se a desilusão já não fosse problema suficiente, a protagonista trabalha em uma empresa na qual relacionamentos são valorizados. Ao mentir sobre a situação e dizer que seu casamento passava por uma crise, Scottie se vê em meio à necessidade de arranjar um marido falso. Os problemas escalam quando ela e o irmão de seu melhor amigo, Wilder, vão para um acampamento para casais adultos.

A obra, que traz ilustrações — um elemento que ainda não é amplamente utilizado no gênero —, faz uma boa mistura de humor e romance enquanto ainda reflete sobre temas importantes, como luto e autodescoberta. Na entrevista a seguir, Meghan Quinn fala sobre os bastidores das escrita do novo livro, seus personagens e indica três itens obrigatórios para uma lista de metas de uma pessoa que, como Scottie, está tentando curar um coração partido.

'Até que o Verão Nos Separe' apresenta ilustrações que dão vida às cenas. Como foi o processo de decisão sobre quais momentos receberiam uma representação visual?

Quando passo pela história, realmente tento pensar com a minha equipe quais cenas do livro nós achamos que precisam daquele momento de ganhar vida. Há tantos que eu gostaria de poder simplesmente pedir para ele [Gerard Soartorio] desenhar. Mas também precisamos de mais daqueles momentos sensuais, e então nós realmente passamos pelo livro e tentamos pensar quais nós achamos que seriam melhores com cenas e depois vamos reduzindo.

Sabemos que as comunidades on-line de livros são algo gigante. Então, até que ponto a popularidade dos seus livros nas redes influencia no seu processo de escrita?

Na verdade, posso ser uma das poucas autoras que gosta de ler resenhas. Gosto de assistir e interagir com os meus leitores nas redes sociais porque realmente gosto de ver o que os intrigou, o que os fez rir, o que os fez chorar. É muito raro nos meus livros, mas [também] o que eles não gostaram. O BookTok e o Bookstagram são ótimos lugares para ver o que está em alta, o que os leitores estão gostando ou não. Sou muito ativa nas minhas redes sociais.

Nessa linha, a viralização frequentemente foca nos momentos mais picantes ou bem-humorados. Como você garante que os seus leitores que compram o livro pelo hype também se conectem com os temas mais profundos, como o luto de um divórcio e a saúde mental?

Essa é uma ótima pergunta. Tudo se resume a tentar escrever dentro da realidade. Então, nem todo dia vai ser um momento de comédia romântica na sua vida. Vão haver altos e baixos. Quando escrevo livros, é nisso que penso, no quanto isso é realidade e como cada pessoa tem algo acontecendo em sua vida, como você pode entrelaçar isso com o engraçado e o romance e tudo mais.

A sensualidade nos livros é frequentemente vista como mero entretenimento. Você vê as cenas mais íntimas nos livros como uma extensão do autocuidado e da cura emocional dos personagens?

Sim. Os leitores realmente gostam disso. Mas também acho que isso pode fazer um relacionamento avançar. Pode mostrar cura de certa forma. Mas também acho que isso ajuda os leitores em suas vidas pessoais. Recebi muitas mensagens ou comentários em sessões de autógrafos de leitores dizendo "amei o seu livro", "a parte picante ajudou o meu casamento", "me fez ficar mais confiante".

E não é apenas sobre os personagens. É também sobre como os leitores estão pegando essas cenas e aplicando-as em suas vidas reais ou ganhando confiança para fazer algo um pouco diferente.

Como você decide o momento certo para passar de uma tensão platônica para a consumação física? Existe uma ciência para manter o leitor em suspense?

Acho que tenho uma fórmula na minha cabeça a essa altura. Geralmente, se chego a uns 60% do livro, é aí que sei já construí a tensão o suficiente para que quando o leitor estiver lendo, ele fique tipo, "meu Deus, quando eles vão pelo menos se beijar?"

Depois, de 70% a 90% é quando começo a realmente esquentar as coisas. Eu pessoalmente gosto de um slow burn [romance de desenvolvimento lento]. Acho que, como autora, você tem a chance de desenvolver um relacionamento antes de eles começarem a ter intimidade. Quando tenho um slow burn, consigo desenvolver esse relacionamento e a tensão, que é a minha parte favorita, e provocar os leitores. Gosto de deixar vocês na expectativa um pouquinho e ficar tipo, "ah, será que eles vão..?", "ah, não dessa vez".

Scottie chega ao acampamento em um momento de vulnerabilidade após o seu divórcio. Por que você escolheu o cenário de um acampamento de verão para adultos como o plano de fundo ideal para essa redescoberta?

Uma leitora postou em um dos meus grupos de leitores um meme e dizia: "E se alguém fosse para a terapia de casal, e eles não fossem casados?". E eles ficaram dizendo "se alguém puder escrever esse livro, só pode ser a Meghan". E eu pensei: "talvez eu aceite".

Esse é um prompt tão bom. E então, quando estava desenvolvendo a história, tive que pensar: "Ok, por que eles estão fazendo isso? Por que eles não se conhecem? E como os mantenho indo à terapia de casal?". É aí que você consegue desenvolver todo esse tipo de humor pastelão. E então, tive que bolar uma ideia sobre como mantê-los bem próximos também. Precisava de um pouco de proximidade forçada para fazer sentido. E então, vi um TikTok. E alguém estava falando super empolgado sobre esse acampamento de verão para adultos que eles foram. Pensei "isso é fantástico". Não sabia que isso existia.

Mas adicionou o elemento de como eu poderia continuar a terapia de casal, como poderia continuar a mantê-los juntos, e então construir essa tensão e vê-los florescer de "não nos conhecemos" para "estamos nos ajudando".

O seu livro é tão vibrante e tem muita química. Então, como foi para você equilibrar a vulnerabilidade emocional de uma mulher recém-separada com o despertar de uma nova sensualidade?

Isso foi meio difícil, porque você tem que ter cuidado. Você não quer que ela caia na armadilha de, "ah, estou tentando me encontrar e agora só vou ter intimidade com alguém". Você tem que desenvolver uma confiança entre o Wilder e ela para que, quando eles começassem a ficar mais íntimos, fizesse sentido. No começo, você só meio que desenvolve aquela atração inicial. Mas [depois] vou desenvolvendo o vínculo entre eles. Consegui escrever os dois superando algumas coisas juntos como uma equipe primeiro, e depois fazendo ela pensar: "Ok, estou começando a confiar nesse homem. E por estar confiando nele, então talvez eu possa ir para o próximo nível."

No livro, a lista de metas da Scottie é quase como uma personagem à parte. De onde veio a inspiração para usar esse recurso como uma ferramenta para superar o trauma dela?

A lista de metas na verdade foi mais uma forma de desacelerar as coisas. Porque o relacionamento dela com o Wilder meio que ganhou uma faísca, e assim que acendeu, foi como se tivesse explodido. A lista de metas foi uma maneira de desacelerar aquela atração e aquela intimidade, e para ela ganhar confiança no fato de que o Wilder não é apenas atraente, ele não é apenas um cara legal, mas ele também está tentando ajudá-la encontrar o seu caminho. Não achei que esse livro precisasse que eles se separassem ou terminassem. Ela estava casada com um homem que nem lembrava o aniversário dela. E então o Wilder estava tentando incutir nela o amor próprio, e [mostrar] que ela não é invisível. Acho que a lista de metas foi uma maneira de mostrar isso, de "eu lembro do que a gente conversou e agora estas são as coisas que nós vamos fazer, que você sempre quis fazer e que são tão simples".

E como você estruturou os desafios da Scottie? Houve uma progressão intencional de metas mais simples e físicas para outras mais complexas à medida que ela ganha confiança?

Às vezes, quando você se machuca ou está passando por um término, os pequenos passos são colocar uma calça nova no dia e tomar um banho. E então, conforme você vai avançando, você ganha mais confiança. E essas metas vão crescendo cada vez mais.

No livro, o interesse romântico acaba se tornando tipo um cúmplice da lista. Então, como o ato de alcançar metas juntos acelera a intimidade deles e derruba as barreiras centrais entre os personagens?

Ele com certeza era um cúmplice, e amo isso. O Wilder era muito compreensivo, porque ele já se encontrou, já achou o seu caminho. Ele é bem confiante em quem ele é como pessoa. Geralmente gosto de escrever a personagem principal feminina e o masculino, ambos, com um problema para resolver, algo para trabalhar ao longo do livro, seja juntos ou separados. Mas escrevi o Wilder especificamente de um jeito onde ele estava super bem; ele não precisava de muita ajuda, então pude focar puramente na Scottie e em dar a ela aquela mão amiga que ela precisava. Porque acho que, na maioria das vezes, se tem muita coisa acontecendo no mundo, acho que podemos nos perder e [nos perder] dentro do nosso relacionamento. O homem com quem ela era casada nem a reconhecia mais àquela altura. E isso tira muito de você como ser humano.

Se você pudesse sugerir três itens obrigatórios para uma lista de metas de qualquer pessoa que esteja tentando superar um coração partido, um trauma, quais seriam eles?

Acho que você definitivamente precisa de uma boa rede de apoio, alguém como um amigo, família. Você vai precisar do seu doce ou petisco favorito para superar um término. E depois, realmente acho que, assim que tudo estiver dito e feito — quando você estiver começando a sair da escuridão —, acho que fazer uma lista seria a melhor coisa.

'Até Que o Verão Nos Separe', de Meghan Quinn.
'Até Que o Verão Nos Separe', de Meghan Quinn.
Foto: Intrínseca/Divulgação / Estadão
  • Até Que o Verão Nos Separe (480 págs., 2026, Intrínseca, R$72, R$45 o e-book.)
Estadão
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