Luke Thompson sobre 4ª temporada de 'Bridgerton': 'É aquela história de que os opostos se atraem'
Em entrevista para a Rolling Stone Brasil, o ator, que interpreta Benedict Bridgerton, compartilhou detalhes do novo ano da série de sucesso da Netflix
A série de romance época mais amada da Netflix está de volta! Criada por Shonda Rhimes com base na saga best-seller de Julia Quinn, Bridgerton acompanha a vida recheada de dilemas dos oito irmãos da família Bridgerton. Debaixo dos olhos da misteriosa Lady Whistledown, que atua como uma "Gossip Girl" do século XIX, eles têm que lidar com os escândalos e fofocas que circundam a alta sociedade londrina em meio a uma busca por seu par perfeito.
Após o espectador acompanhar Daphne (Phoebe Dynevor) na primeira temporada, o primogênito Anthony (Jonathan Bailey) na segunda, e Colin (Luke Newton) na terceira — e, de quebra, ainda dar uma espiada na vida da Rainha Charlotte (Golda Rosheuvel/India Amarteifio), que ganhou seu próprio spin-off —, desta vez o foco é no segundo e boêmio irmão da família Bridgerton, Benedict (Luke Thompson).
"Apesar de seus irmãos mais velhos e mais novos estarem casados e felizes, o jovem não quer se estabelecer", diz a sinopse da quarta temporada, que retorna com a sua segunda parte a partir de quinta-feira, dia 26 de fevereiro. Adaptando o livro Um Perfeito Cavalheiro, os episódios seguem a história de amor improvável entre Benedict e a Dama de Prata, Sophie Baek (Yerin Ha), uma jovem de origem humilde que desperta o interesse do personagem durante um baile de máscaras.
A narrativa é inspirada em Cinderela, mesclando elementos tradicionais do conto com as características típicas de Bridgerton — conflitos sociais, figurinos luxuosos, sensualidade e, na trilha sonora, covers de sucessos pop em estilo clássico. Em entrevista para a Rolling Stone Brasil, Luke Thompson compartilhou detalhes dos novos episódios e a sua experiência como protagonista:
Como é voltar para a temporada 4, agora que você está em destaque?
Bom, as pessoas fazem mais perguntas. É preciso assumir mais responsabilidades. Mas é um privilégio e é bem legal. Vimos Benedict ao longo das temporadas, como um tema que reaparece de vez em quando. É ótimo ter oito episódios focados nele.
Qual a sua relação com o livro Um Perfeito Cavalheiro, que serviu de inspiração para a temporada 4?
Li o livro assim que consegui o papel para ter uma noção. É importante que a série se baseie no livro, mas ao mesmo tempo ela é única. E para que cresça e tenha seu próprio ecossistema, é preciso ir além.
Em que situação está Benedict nessa nova temporada?
Um dos melhores pontos dessa série é ser sobre o amor, mas também sobre crescer e sair da asa da família, ou crescer dentro da família, mas não ser totalmente limitado por ela. É difícil quando há oito irmãos com algo que os conecta, como a história sobre a morte do pai. É difícil sair de um círculo tão bem definido.
Benedict é muito livre e busca manter essa liberdade. Ele consegue separar bem as coisas e pode ser uma pessoa em casa, outra no submundo da vida boêmia e outra na sociedade. A dificuldade é juntar todas essas pessoas e ser uma só. Seu ponto fraco é quando o amor entra em cena, porque ele não pode se amar ou ser amado se não estiver totalmente presente.
Como foi receber Yerin Ha no elenco como Sophie?
Bridgerton é uma série em que é fácil receber novas pessoas, porque temos sorte de ser um grupo unido. Não me refiro só ao elenco, e sim a todos. Tivemos uma percepção muito forte, durante os testes de química, de que não havia mais ninguém que pudesse interpretar Sophie — e isso se confirmou.
Sophie é segura de si. O que você acha que Benedict pensa dela?
Ela o força a amadurecer. Sophie tem muitas características que ele não tem: é muito realista, pragmática e sabe o que está fazendo. Ela sempre sabe qual será o próximo passo, já Benedict não. É aquela história de "os opostos se atraem".
Sophie e Benedict vêm de lugares diferentes na sociedade. Quais desafios eles enfrentam nesta temporada com essa dinâmica de poder?
O que é ótimo em Bridgerton é que, a cada temporada, descobrimos outro corredor nesse sistema de salas na Casa Bridgerton. Pela primeira vez, estamos indo para o andar de baixo e conhecendo os funcionários. Há vários tipos de personagens, não só Sophie, que vimos em segundo plano e estão vindo para o primeiro, o que é interessante. É difícil para Benedict não poder ter tudo. A situação ideal que ele quer não é possível por causa de um obstáculo, ou vários, então ele tenta aceitar isso.
Como foi filmar o baile de máscaras, que é um ponto alto do livro?
Bridgerton é incrivelmente famosa por seu design, e o baile de máscaras dá às equipes de figurino, maquiagem e cenografia a oportunidade de criar um mundo totalmente fantasioso, que parece um pouco diferente do que já vimos antes. Como era de se esperar, eles arrasaram. Como essa história tem um quê de conto de fadas, ela nos faz voltar à infância. O desafio do baile de máscaras, e os bailes normalmente em Bridgerton, é a quantidade, pois são muitos. E eles conseguem fazer com que todos sejam diferentes. Neste caso, por envolver máscaras, há algo mais misterioso, mais sensual. Todo mundo está jogando sem mostrar suas cartas.
Nesta temporada, vimos mais da relação de Benedict com a irmã Eloise. Como é essa dinâmica?
Eloise é a pessoa da família de quem ele é mais próximo. Eles se conectaram por serem dois excluídos, ou duas pessoas que não sabem muito sobre o amor.
E a relação dele com os irmãos?
Irmãos são nosso próprio reflexo que lutamos contra porque queremos ser únicos, mas temos muito em comum com eles. Irmãos podem nos orientar porque já passaram pelas mesmas situações, mas fica sempre aquele embate entre querer seguir determinado conselho e, ao mesmo tempo, não querer demonstrar que estamos dando ouvidos por uma questão de orgulho. Então acabamos pedindo para que nos deixem em paz. E depois, pensando melhor, percebemos que a pessoa estava certa.
Na última temporada, vimos Benedict explorar um novo lado da sexualidade dele. Como isso evolui agora?
O que eu acho legal na série é que ela aborda a sexualidade de Benedict de um jeito muito leve. Não é como se ele estivesse reprimido ou sofrendo com isso. Existem muitas formas de explorar sexo e sexualidade. E, nesta temporada, uma delas é como isso se conecta com o amor. Ele sempre foi um personagem aberto, fluido. As pessoas colocam vários rótulos nele, enxergam coisas diferentes, e isso é ótimo. Acho que o público tem que se ver no personagem, e não eu dizer o que ele é, o que não é ou como ele se identifica. É interessante falar de sexo sem necessariamente pensar em identidade. Sexo é complicado. Todo mundo está tentando entender, mas não é algo direto e simples.
Como Benedict se sente quando percebe que Sophie e a dama de prata são a mesma pessoa?
Isso acontece muito nas peças de Shakespeare. Quando pensamos de forma realista, ficamos nos perguntando: "Como ele não percebeu?" Claro que ele sabe. Mas a ideia ali é mais metafórica. As pessoas podem fechar os olhos para não notar algo por motivos bem mais interessantes do que simplesmente: "Ela estava usando uma máscara". Ele não a reconhece. Por quê? A dama de prata é uma fantasia, e Sophie é a realidade.
https://www.youtube.com/watch?v=Sis_cPdz5Iw