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Lilly Wachowski diz que fãs de Harry Potter estão 'apoiando genocídio trans'

Diretora de Matrix criticou o envolvimento de J.K. Rowling na nova série da HBO e afirmou que parte do dinheiro gerado pela franquia financia iniciativas contra pessoas trans

11 set 2026 - 14h21
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Resumo
A cineasta Lilly Wachowski afirmou que consumir produtos de Harry Potter financia indiretamente ações antitrans de J.K. Rowling, reacendendo debates éticos entre os fãs da saga. A polêmica ganha força com a futura série da HBO, na qual Rowling segue envolvida, embora a emissora garanta neutralidade política na produção. O conflito expõe divisões crescentes no fandom sobre a viabilidade de separar a obra de sua autora em meio ao impacto financeiro e político gerado por esse consumo cultural.

Lilly Wachowski, diretora de Matrix, criticou o apoio à franquia Harry Potter diante das posições públicas de J.K. Rowling sobre pessoas trans e afirmou que fãs que continuam consumindo produtos relacionados à obra estão, na visão dela, contribuindo indiretamente para as ações da autora.

Lilly Wachowski diz que fãs de Harry Potter estão 'apoiando genocídio trans' (Dia DipasupilGetty Images)
Lilly Wachowski diz que fãs de Harry Potter estão 'apoiando genocídio trans' (Dia DipasupilGetty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

"Ela está financiando um genocídio trans. J.K. Rowling financia um genocídio trans, ponto final", declarou Wachowski em entrevista à Variety. "Então, se você apoia Harry Potter, está apoiando um genocídio trans."

A cineasta argumentou que a questão passa pelo dinheiro gerado pela franquia. Como Rowling continua envolvida com os projetos derivados de seus livros, Wachowski considera que parte dos recursos movimentados por filmes, séries, livros e produtos chega à autora e, consequentemente, pode ser direcionada às causas políticas que ela defende.

"É matemática simples", afirmou. Para Wachowski, o raciocínio é semelhante ao de consumidores que deixam de comprar determinados produtos por discordarem das posições políticas ou ambientais de seus fabricantes.

J.K. Rowling continua envolvida

A relação entre Rowling e a nova série é um dos pontos mais controversos da produção. A autora permanece envolvida no projeto e teve participação na escolha da showrunner Francesca Gardiner e do diretor Mark Mylod, segundo informações divulgadas anteriormente pela HBO.

A emissora, por sua vez, já afirmou que a série não será utilizada para reproduzir as opiniões políticas de Rowling. Em declaração anterior, o chefe da HBO, Casey Bloys, disse que as posições da autora são pessoais e que elas não serão incorporadas à narrativa da produção.

O conflito ganhou ainda mais complexidade porque parte do elenco da nova série já se posicionou publicamente em defesa dos direitos de pessoas trans. Paapa Essiedu, escalado como Severo Snape, assinou uma carta de apoio às comunidades trans, não binárias e intersexo no Reino Unido. Na ocasião, Rowling afirmou que não demitiria o ator por suas opiniões e disse que nem sequer teria poder para fazê-lo.

Uma relação cada vez mais complicada com o fandom

A fala de Wachowski também toca em uma discussão que há anos divide a comunidade de fãs de Harry Potter: é possível continuar amando a obra sem apoiar sua autora?

A questão já provocou uma ruptura dentro do próprio fandom. Comunidades importantes como MuggleNet e The Leaky Cauldron se afastaram de Rowling depois de suas declarações sobre pessoas trans. Uma pesquisa informal citada pela Variety, realizada com cerca de 250 fãs altamente engajados, apontou que 79% dos participantes cisgênero se sentiam divididos sobre comprar novos produtos relacionados à franquia.

Ao mesmo tempo, parte dos fãs passou a defender uma separação entre a obra e sua criadora. Em vez de abandonar completamente o universo de Harry Potter, alguns grupos passaram a discutir maneiras de continuar participando do fandom e, ao mesmo tempo, apoiar organizações voltadas à comunidade trans.

A questão ganha novo peso agora que a HBO está prestes a apresentar uma nova versão da história. A série não apenas reabre o universo de Hogwarts para uma nova geração como também coloca novamente em evidência a relação entre uma das franquias mais lucrativas da cultura pop e uma autora que transformou sua posição sobre direitos trans em parte central de sua atuação pública.

Para Wachowski, porém, não há separação tão simples entre consumo e política. A diretora, que criou Matrix ao lado de sua irmã Lana Wachowski, vê a disputa em torno de Rowling como parte de uma questão maior sobre quem controla os recursos e as plataformas da indústria cultural.

Fonte: Variety

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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