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Lilly Wachowski diz que Hollywood rejeitou todos os seus projetos queer

Diretora de Matrix revelou que tentou levar às telas histórias como Cosmoknights e Manhunt, mas não encontrou estúdio disposto a produzi-las

11 set 2026 - 14h09
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Resumo
Cocriadora de Matrix, Lilly Wachowski revelou que Hollywood rejeitou todos os seus projetos recentes focados em narrativas queer e trans, incluindo adaptações de Cosmoknights e Manhunt. Diante da recusa dos grandes estúdios em financiar essas produções, a cineasta fundou a Anarchists United Studio para apoiar criadores marginalizados de forma independente. Sua primeira obra própria, a série documental Cassie Workman Is Witchy AF, será lançada diretamente no YouTube com baixo orçamento.

Depois de ajudar a transformar a ficção científica com Matrix, Lilly Wachowski afirma que encontrou uma barreira muito mais difícil de atravessar em seus projetos mais recentes: Hollywood. Em entrevista à Variety, a cineasta revelou que apresentou diversos filmes e séries com personagens e histórias queer e trans nos últimos anos, mas não conseguiu encontrar um estúdio disposto a bancá-los.

Lilly Wachowski diz que Hollywood rejeitou todos os seus projetos queer (Frederick M. BrownGetty Images)
Lilly Wachowski diz que Hollywood rejeitou todos os seus projetos queer (Frederick M. BrownGetty Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

Wachowski, que ao lado da irmã Lana Wachowski criou a franquia Matrix, afirmou que chegou a apresentar projetos que considera "maravilhosos" e "legais", mas todos acabaram rejeitados. "Eu apresentei muitas histórias queer e trans maravilhosas e legais, e Hollywood não quis nenhuma delas", disse.

Um dos projetos era uma adaptação de Cosmoknights, história em quadrinhos de Hannah Templer. Wachowski seria responsável pela direção da série, desenvolvida em parceria com Emily Andras, criadora de Wynonna Earp. A própria cineasta resumiu a proposta de maneira bastante direta: "É Star Wars com lésbicas no espaço".

A produção tinha ainda Amy Poehler como produtora. Segundo Wachowski, a equipe chegou a preparar uma bíblia da série e um vídeo de apresentação para mostrar o projeto a diferentes empresas, mas nenhuma delas decidiu seguir adiante.

Outro projeto que não saiu do papel foi uma adaptação de Manhunt, romance de Gretchen Felker-Martin que ganhou destaque nas listas de mais vendidos. Wachowski também tentou levar a história para as telas, mas novamente não encontrou uma empresa interessada em produzi-la.

O cenário, segundo a diretora, é especialmente frustrante porque essas tentativas começaram por volta de 2022. Quatro anos depois, ela continua sem conseguir transformar nenhum desses projetos em uma produção.

"Isso foi por volta de 2022, e agora já se passaram quatro anos e eu não fiz nada. Não consigo encontrar um estúdio que faça qualquer uma dessas coisas", afirmou.

Novo estúdio

A dificuldade de conseguir financiamento para histórias protagonizadas por pessoas marginalizadas foi justamente uma das razões que levaram Wachowski a criar, ao lado da programadora Sarah Marie Flores e do produtor Lawrence Mattis, a Anarchists United Foundation e a Anarchists United Studio.

A iniciativa pretende funcionar como uma espécie de ecossistema para novos cineastas, oferecendo bolsas, mentorias, espaço de trabalho e apoio para o desenvolvimento de projetos. A ideia nasceu depois do cancelamento de Work in Progress, série da Showtime que Wachowski produziu e que acompanhava uma mulher lésbica de meia-idade.

Para a cineasta, trabalhar na produção foi especialmente importante porque permitiu reunir um número de pessoas queer e trans diante e atrás das câmeras que ela raramente havia visto em seus trabalhos anteriores.

O primeiro projeto da Anarchists United será Cassie Workman Is Witchy AF, uma série documental protagonizada pela comediante trans australiana Cassie Workman. A produção independente foi realizada com orçamento reduzido e tem estreia prevista para 16 de setembro no YouTube.

A criação do estúdio também representa uma mudança de estratégia para Wachowski. Depois de anos tentando convencer grandes empresas a apostar em histórias queer, ela decidiu ajudar a construir uma estrutura capaz de financiar essas produções por conta própria.

A diretora também afirmou que, caso nunca mais consiga fazer outro longa-metragem em Hollywood, não considera isso necessariamente um problema. "Se eu nunca fizer outro filme, tudo bem. Estou ficando velha", declarou.

Fonte: Variety

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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