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Jovem arquiteta e fotógrafa brasileira vence prêmio em Portugal e abre mostra; conheça Helena Ramos

Primeira artista não-portuguesa a ser contemplada no Prêmio Novobanco Revelação, ela fala sobre seu ofício e percurso

27 out 2025 - 18h12
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Uma fotógrafa paulistana de 26 anos acaba de receber em Portugal uma honraria que abre as portas para a circulação do seu trabalho na Europa — e que lhe confere ainda uma inédita visibilidade no próprio Brasil. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Escola da Cidade, Helena Ramos ganhou a 17ª edição do Prêmio Novobanco Revelação, o mais tradicional da fotografia contemporânea em Portugal. Foi a primeira artista não-portuguesa a ser contemplada.

Graças à premiação, um recorte do seu portfólio deu origem à exposição Helena Ramos: A Vida das Abelhas. Aberta para o público na última quarta-feira, 22, ela permanecerá em cartaz até 5 de abril de 2026 no Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, no Porto — uma das principais vitrines do circuito europeu de artes visuais, que abriga no momento exposições do italiano Maurizio Cattelan, da sul-africana Zanele Muholi, da brasileira Cinthia Marcelle e do arquiteto finlandês Alvar Aalto.

São 138 fotos — produzidas de 2019 a 2025 — que ocupam quatro salas do museu e que estão reunidas também em um catálogo impresso. "Elas formam uma grande linha que atravessa o espaço expositivo, como se não fosse possível separar cada foto do conjunto, em virtude da sinapse entre as imagens", diz o curador da exposição, Ricardo Nicolau, adjunto da direção de Serralves e um dos integrantes do júri do prêmio, formado também pelo diretor do museu, Philippe Vergne, e por Inês Grosso, curadora-chefe.

Apesar da "diversidade de temas", Nicolau destaca no conjunto de fotos o mesmo "olhar oblíquo", com "uma distância do sujeito ou do objeto que nos parece 'errada', uma distância estranha em relação ao que acontece". O título nasceu de uma série de fotos com esgrimistas, "que lembram apicultores", levando às abelhas "como metáfora da vida social". E a foto em destaque no cartaz da exposição "traz um telefone como símbolo de estar a falar com alguém e a imaginar muitas histórias", sugere o curador.

Helena chegou ao Porto quase um mês antes do início da exposição, para trabalhar na seleção e ampliação em laboratório das fotos, todas analógicas. Ela aposta que "cada espectador escolha o seu percurso" ao longo das quatro salas, com "assuntos heterogêneos que formam uma grande mancha visual", na intenção de "bagunçar os temas para deixar tudo menos cansativo". Os eixos correspondem a instantes de vida noturna, de arquitetura, de natureza e animais, e de bastidores da moda, envolvendo amigos, mas também desconhecidos.

"É meu universo íntimo, mas tem algo de universal", ao destacar "momentos especiais no meio da banalidade das coisas" de acordo com um ponto de vista "não-convencional". Além de oferecer uma "chance valiosa" pela inserção de seu trabalho no contexto europeu da fotografia, muito diferente do brasileiro, Helena agradece ao prêmio por ter possibilitado "uma grande revisão da minha obra até agora", o que incluiu, em termos práticos, a organização de um arquivo físico dos negativos.

Entre as referências de sua obra, Helena destaca o fotógrafo alemão Wolfgang Tillmans, 57 anos, cujas exposições passaram nos últimos anos por museus e galerias em Berlim, Hong-Kong, Nova York, Paris, Tóquio, Toronto, Oslo, Viena, Los Angeles e Budapeste, entre outras cidades. Na obra de Tillmans, Helena aprecia o conceito da "fotografia como experiência espacial", com a sua apreciação em espaços físicos concebidos para propiciar uma determinada fruição.

Formada em arquitetura, com experiência em design. Você se vê como artista multimídia?

Fiquei muito na dúvida se eu fazia artes ou arquitetura. Na época, foi uma escolha (por arquitetura) que eu acho bem sábia e da qual não me arrependo nem um pouco. Eu pensava: se eu fizer artes, nunca vou poder fazer o trabalho de um arquiteto, mas, se eu fizer arquitetura, eu posso fazer o trabalho de um artista e de um arquiteto. Para mim, foi uma formação muito feliz. Sempre trabalhei um pouco nessa intersecção. A interdisciplinaridade sempre me atraiu muito. Mesclar as fronteiras. E, meio por acaso, sempre trabalhei com exposições. Fazia a expografia e também a comunicação das exposições.

Era um lugar também de estar em contato com arte, com outras coisas. Trabalhei dois anos e meio com o designer Kiko Farkas. Ele precisava de uma arquiteta. E eu tinha experiência com expografia também e com um pouco de design. Foi uma mega escola estar com ele, que é de uma outra geração e sabe muito. Minha escola do design foi com ele. O desenho expográfico. Pensar uma exposição como esta e entender que tem um gesto espacial. É uma confluência que tem muito a ver com tudo. Eu me entendo multimídia, apesar de estar mais focada na fotografia.

Mas eu vejo nesta exposição muita arquitetura e muito design também. No sentido de que tem ritmo. Do espaçamento.

Estadão
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