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Joan Soler, psicólogo: 'Precisamos de momentos de sofrimento e tédio. Se estivermos sempre no auge, nada faz sentido nem tem essência'

Para que possamos vivenciar plenamente emoções como a felicidade, precisamos dar espaço ao nosso cérebro para que ele se sinta entediado

11 set 2026 - 10h18
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Resumo
O psicólogo Joan Soler afirma que o prazer e a felicidade dependem do contraste com o sofrimento e o tédio para terem sentido. Sob a ótica neurocientífica, o cérebro opera por comparações: o sistema dopaminérgico precisa de oscilações para valorizar recompensas. Segundo o especialista, manter-se constantemente no auge gera adaptação hedônica, fazendo com que estímulos percam o efeito e abrindo caminho para comportamentos aditivos na busca incessante por novos picos de euforia.
Joan Soler, psicólogo: 'Precisamos de momentos de sofrimento e tédio. Se estivermos sempre no auge, nada faz sentido nem tem essência'.
Joan Soler, psicólogo: 'Precisamos de momentos de sofrimento e tédio. Se estivermos sempre no auge, nada faz sentido nem tem essência'.
Foto: Divulgação, Searchlight Pictures / Purepeople

O psicólogo e divulgador de conteúdos sobre bem-estar emocional Joan Soler afirma que o prazer só faz sentido se houver contraste. Não no sentido filosófico, à la Byung-Chul Han, mas sim do ponto de vista neurocientífico e com base na química cerebral. 

No podcast "El Consultori", ele afirmou que não existem absolutos no que diz respeito às emoções, mas sim comparações. Aquela ideia de que só saberás que és feliz se antes tiveres sofrido, mas com algumas nuances.

Entediar-nos para desfrutar de verdade

Ele compara isso com a música. "Se você for a um show, a música que te dá aquela euforia só tem esse efeito porque antes houve um momento mais tranquilo. Se estivesse o tempo todo no auge, não seria legal", explica. Com a dopamina acontece a mesma coisa. 

"Se eu estiver sempre nesse nível mais alto, chega um momento em que esse nível já não me impressiona mais. Então, preciso de um novo 'nível mais alto' e é aí que os comportamentos se intensificam e chegam a limites insuspeitados em qualquer tipo de dependência", alertou. Isso tem a ver com duas coisas. Por um lado, com o sistema dopaminérgico e, por outro, com um conceito chamado adaptação hedônica.

Simplificando um pouco, o sistema dopaminérgico é o motor da motivação e da aprendizagem do seu cérebro. Ele usa a dopamina para impulsioná-lo a buscar coisas que valem a pena e a aprender com o que funciona, e precisa de um certo contraste para que as recompensas continuem fazendo sentido. 

Um estímulo surpreendentemente bom produz um p...

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