Ronnie Von conta momentos finais com Rita Lee: 'A perda para mim foi brava'
O cantor e apresentador relembra a amizade com a icônica artista e os detalhes de seus últimos encontros
Ronnie Von, 81, sempre se destacou como um cavalheiro elegante, culto, fã de bons vinhos e charutos, e já cultivava seu talento musical desde os anos 60, quando se mudou do Rio de Janeiro para tentar se inserir na cena paulistana. Foi em São Paulo que conheceu uma jovem artista chamada Rita Lee, em um encontro que marcaria sua vida.
"Encontrei a Rita pela primeira vez em uma dessas sessões de ácido no Pacaembu, ministradas por um psiquiatra. A Ritinha era uma coisa linda!", conta à GQ Brasil na mansão onde vive há mais de dez anos, no Morumbi.
Apesar de nunca ter experimentado drogas, exceto drinks, vinhos e charutos, Ronnie foi curioso o suficiente para participar de uma dessas sessões, onde conheceu Rita e iniciou uma amizade que duraria até a morte da cantora em 2021, vítima de câncer. "A perda para mim foi brava", lembra. Trechos completos da entrevista estão na edição de fevereiro da GQ Brasil.
"Encontrei a Rita Lee pela primeira vez em uma dessas sessões de ácido no Pacaembu, ministradas por um psiquiatra. A Ritinha era uma coisa linda! Ficamos amigos. Ela dizia: como nós nunca nos pegamos? Eu respondia: nunca nos pegamos, mas não foi porque a gente não quis. Meu pai trouxe de Londres o Revolver, dos Beatles. Quando começou a tocar Eleanor Rigby, ficamos de joelhos com aquele arranjo. Na época, ela estava formando uma nova banda e vi um livro em cima da mesa chamado O Império dos Mutantes. Falei que aquele era o nome: Os Mutantes. Depois de muita luta, convenci a produção do meu programa de televisão, lancei Os Mutantes na televisão. O que nós cantamos juntos? Eleanor Rigby", disse.
Últimos momentos com Rita Lee
"A Rita queria que eu gravasse uma música dela. Nunca gravei. Não queria mais saber de música, show. Só gravo para a caridade. Sabia que ela gostava muito de flor e estudei botânica. Um amigo botânico batizou uma orquídea com meu nome, Cattleya LC Ronnievon. Pensei em mandar uma para Ritinha, especialmente com a doença já comendo solto por lá. Acontece que ela só floresce em setembro -- e nada de ela florescer. Meu produtor me disse: em vez de mandar a flor, manda um CD com uma gravação, embrulha em papel celofane e faz uma carta, que a Ritinha adorava enviar e receber, e a flor antes de florescer. Ela respondeu com alegria. Me lembro como ela tirava sarro de tudo e de todos. Foram os últimos dias dela. A perda para mim foi brava, mas com essa idade vou ter que viver isso ainda mais vezes".
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