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"Quero ser velhinho sarado", diz Kadu Moliterno

24 mai 2009 - 14h34
(atualizado às 14h35)
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O ator Kadu Moliterno, o Bertoni de Paraíso, comemora 40 anos de carreira lançando biografia, Reviva Kadu Moliterno (Ed. Nova Razão Cultural). Aos 56 anos, faz propaganda de seu estilo 'saúde' com corpo de garoto e espírito jovial. Pai de Kauai, Lanai e Kenui, do casamento com Ingrid Saldanha, o ator só perde o humor quando tem que se estender sobre a agressão à ex-mulher - em 2006, ela registrou queixa por ter levado soco dele numa viagem em família, resultando em hematomas e oito pontos no nariz. "Foi um acidente de percurso que deve acontecer em milhares de famílias. Hoje somos melhores pai e mãe."

O livro comemora os seus 40 anos de carreira. Por que quis escrever?

Foi ideia de um grande amigo, Paulo Azevedo. Eu tinha pensando em escrever só sobre a adolescência. Foi a primeira vez que olhei para trás e comecei a gravar toda lembrança que vinha à cabeça. Às vezes acordava de madrugada e escrevia. Foram dois meses e meio de trabalho. Muita história para contar. Teria assunto para um segundo e terceiro livros. É uma fruta que provei e gostei. Gosto de contar história.

Em 40 anos de carreira, algum arrependimento?

A gente não tem esse poder. Estar vivo é divino e é uma coisa que tem sempre que agradecer seja qual for o caminho. Se você passar pelo caminho cheio de espinhos, agradeça porque vai te resultar numa coisa boa. Você vai crescer.

Com o supersucesso de Armação Ilimitada, ficou rico?

Não. Rico de alma. A gente teve uma marca que vendeu em 40 lojas e eu não ia às reuniões. Ia pegar onda. Não tinha a menor responsabilidade. Não juntei. O máximo que fiz foi comprar uma propriedade, que tenho até hoje. Estamos tentando voltar com o filme para matar a saudade e reativar esse tesouro, como se estivesse enterrado e alguém descobrisse Juba e Lula de novo. Quem sabe agora a gente não ganha algum dinheiro?

Ganhou e não soube gastar.

Ganhei, mas não soube ganhar. Eu era assim: fui 26 anos seguidos para o Havaí, de primeira classe, mandava fazer quatro pranchas. Ficava dois meses lá, voltava duro e fazia outra novela. No auge da minha carreira, todo mundo achava que eu estava milionário e eu recusava convite de cinco, dez mil reais no fim de semana porque o mar ia subir. Agora os convites são menores e, quando aparecem, eu abraço. Pego onda no dia seguinte, não tem mais aquela ansiedade de garoto.

Aos 56 anos, como você consegue manter o corpo em dia?

Durmo cedo, sou muito dedicado à minha família, minha maior preocupação é com os meus filhos. Minha agenda é feita de acordo com a deles. Acordo todo dia às 5h30 e vou para casa da minha ex-mulher preparar o café da manha deles e levar para escola. É importantíssimo ter uma família. Tenho a vida bem regrada. Durmo seis horas, não como fritura nem carne. Isso não é de hoje, o resultado estou colhendo agora. A vida pra mim está começando agora.

Por quê?

A vida começa aos 50 seria o título do livro. Uma vez encontrei o Ziraldo, eu fazia 50 anos e falei que estava preocupado. E ele: "Que é isso, moleque, a vida começa aos 50. Estou com 72, no auge da vida". Tenho o espírito jovial. Vou fazer 57 anos e as fotos que a gente fez na praia são de garotão. Quem se espelhar em mim vai sair da poltrona, deixar a barriga e a bebida e fazer esporte. Sei que já estou virando o cabo da boa esperança, mas quero envelhecer saudável, ser um velhinho sarado.

Como ficou o seu relacionamento com a Ingrid (em 2006, agrediu a então mulher, na frente dos filhos)?

Foi um acidente de percurso que deve acontecer em milhares de famílias. O motivo jamais vou revelar. Nunca vou falar mal da mãe dos meus filhos porque não quero nada de negativo na minha vida. Esse episódio passou. Aconteceu. Somos talvez mais amigos agora do que antes, mais pai e mãe do que antes. Quando aparecem espinhos na sua vida, é porque aquilo tem algum motivo. Espero que a gente também sirva de exemplo para milhares de pessoas que tiveram o mesmo tipo de trauma ou que se separaram como inimigos. Tem é que aproximar. A coisa que mais preservo é a família.

Mas por que brigaram?

(sorri) Você deu uma volta para chegar a esse ponto.

Eu tenho que perguntar...

(sério) Você já perguntou.

Sente falta de ter alguém?

Não, estou solteiro e feliz

Foto: AgNews
Fonte: O Dia
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