Não faz sentido exigir que os filhos de Huck estudem em universidades ‘baratas’
Reação nas redes à escolha de cursos de elite para Joaquim e Benício expõe um debate marcado por moralismo e pouca coerência
Quem tem boa condição financeira vai enfrentar o caos de um pronto-socorro público?
Irá se locomover de ônibus lotado na volta do trabalho?
Preferirá alimentos de menor qualidade por terem preço menor?
Vai preferir viajar ao exterior na apertada poltrona da classe econômica?
Não. Definitivamente, não.
Então, por que essa histeria a respeito das universidades particulares ‘caras’ dos filhos de Luciano Huck?
Nos últimos dias, manchetes a respeito dos gastos de R$ 500 mil por ano com a educação de Joaquim na Universidade de Nova York e a anuidade de R$ 100 mil do curso de Benício no Insper de São Paulo suscitaram um falatório nas redes sociais.
Houve quase uma revolta coletiva, como se Huck estivesse rasgando notas de dinheiro diante de uma multidão de pobres famintos.
Trata-se do apresentador com maior salário da TV. Alguém que já tinha ganhado muito dinheiro com negócios próprios antes de estrear diante das câmeras.
É natural — e lógico — que pague a melhor formação aos filhos. Não há coerência em compará-lo com a maioria das pessoas das classes média e baixa.
São mundos distintos, realidades financeiras diferentes.
Não se trata, aqui, de defender Luciano Huck, e sim de tentar estabelecer a razoabilidade nessas intermináveis discussões que demonizam os ricos e propõem a eles o absurdo, a exemplo de matricular o filho numa escola pública.
Quem faria isso? Talvez ‘lacradores’ em busca de uma imagem politicamente correta.
O sociólogo francês Pierre Bourdieu dedicou boa parte de sua obra para mostrar como as famílias transmitem aos descendentes não apenas patrimônio financeiro, mas também capital educacional e cultural.
Por isso, quem possui maior renda investe em colégios com exigente grade curricular, cursos de idiomas, intercâmbios e universidades que oferecem sólida formação.
Bourdieu não nasceu em uma família rica nem pode ser associado à direita. Sua formação intelectual foi profundamente influenciada pelo pensamento marxista.
Ainda assim, reconheceu um fato social: a educação é um dos principais mecanismos pelos quais famílias preservam ou ampliam sua posição na sociedade.
E não há nada errado nisso.
Na prática, é difícil imaginar que alguém com muito dinheiro abra mão de uma excelente universidade para o filho por uma questão de discurso ou ideologia. Ou ainda para não desagradar ao tribunal da internet.
Luciano Huck e Angélica fazem o que qualquer pai ou mãe faria se pudesse: proporcionar a melhor educação disponível para os filhos. E isso custa caro, obviamente.
No programa ‘Roda Viva’, em junho de 2023, o então ministro da Educação do governo Lula, Camilo Santana, do PT do Ceará, recebeu o mesmo tipo de cobrança porque tinha filhos em colégio particular.
“Não tenho vergonha nenhuma de dizer isso. Eu tenho condições de pagar”, respondeu o político ao jornalista que o questionou. “O desejo de todo pai é ter o melhor para os seus filhos na sua educação.”
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