Como a torcida contra a Globo faz público ‘passar pano’ para Cazé sobre bets
Fenômeno revela a ação do carisma e da rejeição nos julgamentos a respeito de publicidade de apostas com famosos como Huck e Virginia
A explosão das casas de apostas no Brasil transformou a divulgação de bets em um dos assuntos mais controversos do entretenimento.
Nos últimos meses, personalidades como Luciano Huck e Virginia Fonseca passaram a ser alvo de críticas nas redes sociais e até de questionamentos políticos por emprestarem sua imagem para grandes empresas do setor.
Ao mesmo tempo, chama a atenção as raras críticas contra Casimiro Miguel.
A CazéTV, principal fenômeno de audiência desta Copa do Mundo, tem justamente nas casas de apostas seus principais patrocinadores.
Ainda assim, a presença massiva das bets nas transmissões provoca uma reação bem mais branda do público.
Por que dois pesos e duas medidas?
Parte da resposta está na relação afetiva e na rejeição em torno de cada personalidade midiática.
Luciano Huck carrega décadas de exposição na Globo e se tornou, para setores da internet, símbolo da televisão dominante e da elite capitalista. Há uma antecipada demonização do apresentador.
Virginia Fonseca virou a rainha dos influenciadores, frequentemente associada ao consumismo e à publicidade excessiva, sem considerar o risco à saúde financeira das pessoas. Com ela, acontece semelhante condenação prévia.
Ambos já enfrentavam resistências antes mesmo do debate sobre as bets nesta Copa.
Casimiro vive situação oposta. Consolidado como um comunicador espontâneo e bem-humorado, ele construiu uma imagem de autenticidade rara em tempos de desconfiança generalizada.
O público tende a enxergá-lo como “alguém do povo”, um amigo bem-sucedido que não perdeu a simplicidade.
Essa proximidade emocional produz um efeito conhecido: maior tolerância a eventuais erros e contradições.
Isso não significa que ele esteja imune às críticas. Pelo contrário. Nota-se crescente contestação na web pela presença de casas de apostas nos programas da CazéTV.
A diferença é que, por enquanto, a indignação está distribuída de maneira desigual.
Em tempos de barulhentas torcidas digitais, o afeto e o ranço são determinantes para condenar ou poupar os famosos e suas publicidades.
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