Morte de Benito di Paula após luta contra câncer acende alerta: conheça os sinais da doença silenciosa
Cantor tratava o tumor havia cerca de um ano; especialista explica os principais fatores de risco, sintomas, formas de prevenção e opções de tratamento
A morte do cantor Benito di Paula, aos 84 anos, por câncer de próstata, alerta para a relevância do diagnóstico precoce da doença, comum em homens acima dos 40 anos e frequentemente assintomática no início. Alterações urinárias e sangramentos são possíveis sinais, e o risco aumenta com idade e histórico familiar. O acompanhamento médico é crucial, pois a detecção precoce amplia o sucesso de tratamentos como cirurgia, radioterapia e terapias avançadas, aliados a hábitos de vida saudáveis.
O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer de próstata. De acordo com a assessoria do artista, ele enfrentava a doença havia aproximadamente um ano. A morte chama a atenção para um dos tipos de câncer mais comuns entre os homens e para a importância do diagnóstico precoce.
Com exceção dos tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais frequente na população masculina. A doença se desenvolve a partir da multiplicação descontrolada de células da próstata e tem a idade como um de seus principais fatores de risco.
"Causado pela replicação descontrolada das células da próstata, o câncer de próstata é um tumor maligno que tem a idade como principal fator de risco. Indivíduos com idade mais avançada acabam apresentando um risco aumentado de desenvolver essa doença, principalmente após os 40 anos", explica o oncologista Prof. Dr. Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Diante desse cenário, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar os riscos individuais e discutir a necessidade de exames. A identificação do tumor em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e aumentar as chances de bons resultados.
Câncer de próstata pode não apresentar sintomas
Um dos principais desafios relacionados à doença é que ela pode evoluir sem provocar sinais perceptíveis, especialmente em suas fases iniciais. Por esse motivo, a ausência de sintomas não significa necessariamente que não exista um problema.
"Presença de sangue no sêmen, ao urinar, diminuição do jato de urina, mudança na frequência ou surgimento de dor ao urinar são alguns dos possíveis sintomas do câncer de próstata, mas nem sempre aparecerem", detalha o oncologista.
Essas manifestações também podem estar relacionadas a outras condições de saúde. Por isso, a presença de qualquer alteração deve ser avaliada por um profissional, que poderá indicar os exames necessários para investigar a causa.
O rastreamento deve ser discutido individualmente com o médico, levando em consideração fatores como idade, histórico familiar e condições de saúde. Essa avaliação permite definir a melhor estratégia para cada paciente.
Quais são os fatores de risco?
Além do envelhecimento, o histórico familiar e determinadas alterações genéticas podem aumentar a probabilidade de desenvolvimento do câncer de próstata.
"Os principais fatores de risco do câncer de próstata incluem idade, história familiar e alterações genéticas", acrescenta o oncologista.
Homens com parentes próximos que tiveram a doença devem conversar com um profissional de saúde sobre o momento adequado para iniciar o acompanhamento e a necessidade de medidas específicas de rastreamento.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção?
A adoção de hábitos saudáveis é importante para a saúde geral e pode contribuir para a redução de diversos riscos associados ao desenvolvimento de doenças. Embora não exista uma forma de garantir a prevenção do câncer de próstata, manter uma rotina equilibrada é uma medida recomendada.
"O mais importante é manter um estilo de vida saudável, com a adoção de uma alimentação saudável, prática de exercícios físicos, controle do peso e realização de atividades sexuais regulares", diz o Dr. Ramon.
O especialista ressalta ainda a importância desses cuidados para pessoas que apresentam maior predisposição à doença. No entanto, mesmo indivíduos que mantêm hábitos saudáveis precisam considerar os fatores de risco e realizar acompanhamento médico conforme a orientação profissional.
Quais são os tratamentos disponíveis?
As opções terapêuticas dependem de fatores como o estágio do tumor, sua agressividade, a presença de metástases e as condições clínicas do paciente. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia.
"Temos também novos métodos que têm demonstrado excelente eficácia, como as terapias-alvo, que permitem localizar alvos celulares e manipulá-los para impedir o desenvolvimento dos tumores, uso de fármacos radioativos como Lutécio 177, medicamento que mostrou resultados positivos em pacientes com câncer metastático, e terapia focalizada de alta intensidade (HIFU), procedimento em que usamos energia de ultrassom para destruir as células cancerígenas", conclui o médico.
A escolha do tratamento deve ser feita individualmente, com orientação de uma equipe especializada. O caso de Benito di Paula reforça a importância de ampliar a informação sobre o câncer de próstata, reconhecer possíveis sinais de alerta e buscar avaliação médica quando necessário.
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