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Morre Zuenir Ventura, referência do jornalismo e imortal da ABL, aos 95 anos

Ele deixa a mulher, Mary, e os dois filhos do casal: o jornalista Mauro e a editora Elisa

22 set 2026 - 10h30
(atualizado às 10h57)
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Zuenir Ventura
Zuenir Ventura
Foto: Reprodução ABL

O jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira, 22, aos 95 anos. Ele deixa a mulher, Mary, e os dois filhos do casal: o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.

Natural de Além Paraíba (MG), ele foi um nome relevante para o jornalismo brasileiro. Aos 11 anos, mudou-se para Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro e, sem abandonar os estudos, ajudava seu pai - que era pintor - e chegou até a trabalhar como office boy.

Atravessou décadas na imprensa, colecionando passagens pelos mais diversos veículos de comunicação. Ele foi pioneiro ao implementar recursos literários no texto jornalístico, se enquadrando no chamado de New Journalism, movimento que teve entre expoentes Gay Talese, Tom Wolfe e Truman Capote.

Aos 20 anos, se mudou para o Rio, onde cursou Letras Neolatinas na Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ). Começou a trabalhar como assistente de Carlos Lacerda no jornal Tribuna de Imprensa, onde foi correspondente em Paris. Depois, construiu carreira em veículos importantes, como Jornal do Brasil, O Globo e Veja, tornando-se referência pelo olhar atento às transformações sociais do País.

A longa carreira lhe rendeu muito prestígio. Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro 1968 - o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares - segundo dados da ABL. O livro serviu também de inspiração para a minissérie Os anos rebeldes, produzida pela TV Globo. O capítulo Um herói solitário inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

Em 1989, ganho o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog pela série de reportagens O Acre de Chico Mendes.

Em 2008, por exemplo, a ONU concedeu a ele um prêmio especial por ser um dos cinco jornalistas que mais haviam contribuído para a defesa dos direitos humanos no país em 30 anos. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

Em 2014, foi eleito para a ABL, instituição na qual ocupava a cadeira 32, sucedendo Ariano Suassuna.

Em 2022, aos 91 anos, o jornalista recebeu o prêmio Faz Diferença, na categoria livros, por lançar a versão ampliada de Minhas histórias dos outros, obra na qual relembra anedotas com grandes personalidades, como Glauber Rocha, Nelson Rodrigues, Betinho e Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

Ainda não há informações sobre velório e sepultamento de Zuenir Ventura.

*Com informações do Estadão Conteúdo

Fonte: Portal Terra
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