Mamonas Assassinas: acidente de avião matou os 5 integrantes da famosa banda
Integrantes da banda mortos em 1996 terão restos mortais cremados para plantar árvores em Guarulhos; exumação ocorreu dias antes dos 30 anos do acidente aéreo
Às vésperas de a tragédia completar 30 anos, os corpos dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas foram exumados nesta segunda-feira (23). Segundo informações do colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, as famílias de Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio entraram em um acordo emocionante para dar um novo destino aos restos mortais dos músicos.
De restos mortais a BioParque: A homenagem em Guarulhos
O plano das famílias consiste em cremar os restos mortais após a exumação. As cinzas serão transformadas em adubo para o plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade natal do grupo e onde eles sempre mantiveram suas raízes.
O grupo, que marcou o Brasil com sucessos como "Brasília amarela" e "Pelados em Santos", morreu precocemente em um acidente aéreo na Serra da Cantareira em 2 de março de 1996.
Relembre a tragédia da Serra da Cantareira
O acidente ocorreu quando o jato Learjet 25D, que transportava a banda e sua equipe técnica de Brasília para São Paulo, colidiu contra a montanha durante uma tentativa de pouso.
"Naquela noite de sábado, por volta das 23h15, a aeronave iniciava a aproximação para pouso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica. Segundo a investigação da Aeronáutica, o avião estava a cerca de 270 km/h, acima da velocidade recomendada de 210 km/h, e um pouco deslocado à esquerda da rota ideal. A 300 metros de altura, o piloto executou uma arremetida, procedimento padrão quando a aproximação não está adequada. Durante a nova tentativa de alinhamento, porém, ocorreu o erro decisivo: o procedimento exigia curva à direita, mas a tripulação realizou curva à esquerda. O jato colidiu contra a montanha na Serra da Cantareira", detalha o registro histórico.
As investigações da época apontaram uma combinação de fatores, incluindo fadiga da tripulação, imperícia e falhas de comunicação com a torre de controle.
O auge interrompido e o luto nacional
Os Mamonas Assassinas viviam o ápice do sucesso comercial. O único álbum da banda vendeu cerca de 3 milhões de cópias, tornando-se um dos maiores fenômenos da música brasileira.
O último show, realizado no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, terminou com Dinho vestido de coelho, pouco antes de embarcarem para o voo fatal. O Brasil acordou em choque no domingo de março de 1996:
"O velório ocorreu no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos. Cerca de 30 mil pessoas passaram pelo local. Os caixões estavam cobertos com a bandeira do Brasil. No de Dinho, havia uma camisa do Corinthians, e fãs cantavam músicas como 'Pelados em Santos' e 'Sabão Crá-Crá' em meio à comoção", relembra a reportagem.
Os músicos foram enterrados em 4 de março de 1996, dia em que o vocalista Dinho completaria 25 anos. Agora, três décadas depois, a transformação dos restos mortais em árvores simboliza um novo ciclo para o legado de alegria deixado pelo grupo.